São Paulo vai morrer

13/06/2012

Por João Whitaker, no sítio do Correio da Cidadania:

As cidades também morrem. Há meio século, o lema de São Paulo era “a cidade não pode parar”. Hoje, nosso slogan deveria ser “São Paulo não pode morrer”. Porém, parece que fazemos todo o possível para apressar uma morte anunciada. Pior, o que acontece em São Paulo tornou-se infelizmente um modelo de urbanismo que se reproduz país afora. A seguir esse padrão de urbanização, em médio prazo estaremos frente a um verdadeiro genocídio das cidades brasileiras.
Enquanto muitas cidades no mundo apostam no fim do automóvel, por seu impacto ambiental baseado no individualismo, e reinvestem no transporte público, mais racional e menos impactante, São Paulo continua a promover o privilégio exclusivo dos carros. Ao fazer novas faixas para engarrafar mais gente na Marginal Tietê, com um dinheiro que daria para dez quilômetros de metrô, beneficia os 30% que viajam de automóvel todo dia, enquanto os outros 70% se apertam em ônibus, trens e metrôs superlotados. Quando não optam por andar a pé ou de bicicleta, e freqüentemente demais morrem atropelados. Uma cidade não pode permitir isso, e nem que cerca de três motociclistas morram por dia porque ela não consegue gerenciar um sistema que recebe diariamente 800 novos carros.

9 de julho: São Paulo precisa de uma revolução de verdade

09/07/2011

Reproduzo artigo de Leonardo Sakamoto, publicado no seu Blog

Oba! Hoje é dia de celebrar a (Contra) Revolução de 1932.

Desta vez não vou criticar o “espírito bandeirante”, simbolicamente construído para ser a identidade de um Estado que se orgulha em se intitular a locomotiva do Brasil – mesmo que, muitas vezes, puxe toda a composição para trás.

Basta lembrar que foi necessário o Supremo Tribunal Federal intervir para garantir a liberdade de expressão por aqui, uma vez que a conservadora Justiça paulista decidiu que era proibido reivindicar mudanças legislativas. Na prática, é isso o que pediam a Marcha da Maconha e a Marcha pela Liberdade: discussão, conversa, diálogo.

Eu já disse aqui e reafirmo que a esperança de São Paulo é que uma nova geração, liberal em costumes, progressista politicamente, consciente com relação ao meio ambiente e aos direitos sociais e civis, menos arrogante e com uma atuação realmente federalista, consiga emergir com força em meio à decadência quatrocentona, travestida de pseudo-modernidade ao longo do século 20, que ainda grassa por aqui.

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JN : O helicóptero lhe basta

27/04/2011

Eason Nascimento

Mazelas, dessas que o poder público tem obrigação de combater, de coibir e atenuar, não é difícil de ser encontrada em nenhuma região do país. A princípio, o norte e o nordeste, tidos como mais carentes, possuem serviços públicos tais como : saneamento, educação, saúde, transporte e segurança, em qualidade inferior à região sul e sudeste, via de regra.

Mesmo assim, em cidades com maior índice de desenvolvimento econômico e social, e portanto com um volume maior de recursos colocados à disposição de seus governantes, encontramos os mesmos problemas, mesmo que seja gigantesco o contingente populacional o que por si só exige das autoridades uma atuação bem mais eficaz. São Paulo se encaixa bem nesta visão, e para tanto trago a reflexão, pequenos exemplos  nas áreas de transporte, segurança e saúde pública.

O metrô, para começarmos pelo transporte, recebe nos horários de pico, 11 usuários por metro quadrado, quando a média mundial não passa de 6. Com este indicador, se vislumbra facilmente o grau de sofrimento a que são submetidos os que se utilizam diariamente deste meio de locomoção, na sua grande maioria, trabalhadores que na luta pela sobrevivência, precisam chegar ao local de trabalho e retornar às suas residências.

Com os ônibus e trens de superfície, que completam o sistema, a situação não difere. Talvez, ou melhor, com certeza, os ônibus tenham situação agravada, pois além do excesso de passageiros ainda enfrentam o lento e caótico trânsito paulista, sem precisar lembrar dos dias de chuva, período em que a capital paulista costuma se transformar na sucursal do inferno.

No que tange à segurança pública, a situação não é nada animadora. Assombrosa violência tem se intensificado na área mais famosa da cidade, a avenida paulista, onde tentativas de agressões e até mesmo assassinato, são registradas por ali. Relembro que passado as eleições 2010, se registrou um vergonhoso incremento nos casos de homofobia, onde a intolerância de uma minoria chocou o país.

Apesar da área da Paulista ser atendida por três distritos policiais (o 4.ºDP, na Consolação; o 5.º DP, na Liberdade e o 78º DP, nos Jardins), o numero de roubos na área destes distritos entre os três primeiros meses chegou a 888 e o de furtos à 2.717, segundo dados do próprio governo paulista. Apesar de ser a área mais vigiada da cidade, entre janeiro e março de 2011, 100 casos de furtos foram registrados no local. No ano anterior este numero não ultrapassou os 47.

Na semana que passou, o Complexo Hospitalar Paulista, em Cerqueira César, região central da capital, foi fechado, por causa de uma dívida de R$ 2 milhões em alugueis do imóvel onde funcionava. As 38 pessoas internadas, tiveram de ser transferidas para outras unidades ao longo do dia e para tanto até  veículos do serviço funerário da Prefeitura Municipal foram utilizados. Portadores de anemia profunda causada por câncer, ou pacientes em estado de coma, foram os que mais sofreram  com a súbita necessidade de deslocamento.

O metrô a transformar cidadãos em sardinhas, a segurança pública a transmitir medo e insegurança e a saúde com exemplos de descaso, fazem com que a Globo, se quiser mostrar as mazelas do país no JN, dispense o avião. O  helicóptero lhe basta.

Fontes : Blog Os amigos do presidente Lula e Estadão 


Entre 2000 e 2010, região metropolitana teve êxodo migratório: -30,3 mil pessoas por ano

20/04/2011

Estadão

Agência Brasil

SÃO PAULO – Tradicional centro de atração de migrantes, a região metropolitana de São Paulo registrou um êxodo migratório na primeira década deste século. De 2000 a 2010, o número de pessoas que saíram da Grande São Paulo é maior do que o das que chegaram. Nesse período, deixaram a região 303 mil pessoas a mais do que o total das que se estabeleceram, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira, 19, pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

A pesquisa SP Demográfico cruza taxas de natalidade e mortalidade com os primeiros dados do Censo 2010, já disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A partir desses números, já é possível saber se a população de alguns locais do país cresceu e se esse crescimento foi causado pelo nascimento de pessoas ou pela chegada de migrantes.

Na região metropolitana de São Paulo, a população cresceu 0,98% de 2000 a 2010, segundo a pesquisa. Isso foi causado pelo crescimento vegetativo da população (diferença entre os nascimentos e as mortes), já que o saldo migratório desse período foi negativo para a região: -30,3 mil pessoas por ano.

Esse número corresponde a uma taxa de migração de -1,62 para cada mil habitantes da Grande São Paulo. No caso da capital paulista, mais especificamente, a taxa de migração é ainda mais baixa: -3,03.

O resultado da Grande São Paulo impactou também no fluxo migratório de todo o estado de São Paulo. Na primeira década do século 21, apesar de o saldo de migrantes ter sido positivo no estado, ele caiu 67% na comparação com o registrado de 1991 a 2000.

De 2000 a 2010 chegaram no estado, por ano, 47,9 mil pessoas a mais do que saíram. Já de 1991 a 2000, o saldo migratório anual foi de 147 mil.

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“Evite sair quando ocorrerem chuvas fortes”

01/03/2011

Reproduzo artigo de Luiz Carlos Azenha publicado no seu blog

O alerta do título é oficial e consta do site do Centro de Gerenciamento de Emergências de São Paulo. Equivale a uma rendição das autoridades paulistas e paulistanas às intempéries.

O CGE é o encarregado de dar os alertas sobre as chuvas e os possíveis pontos de alagamento na capital.

São Paulo dispõe, também, de um Sistema de Alerta a Inundações (SAISP), baseado no monitoramento de chuvas e da vazão de rios.

Os dados estão todos lá.

Mas falta a chamada “vontade política”.

Dois exemplos básicos.

Estamos em setembro de 2001. Eu me encontro em Tóquio, no Japão, gravando um Globo Repórter. Recebemos a notícia de que um furacão se dirige à capital japonesa. Os primeiros efeitos da chuva testemunhamos na estrada, depois de visitar a ilha onde se produzem as famosas pérolas de Mikimoto.

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Pedro Toledo: A discriminação contra os obesos

05/02/2011

Publicado no Vi O Mundo de Luiz Carlos Azenha

via Leandro Rodrigues

CARTA ABERTA AOS SECRETÁRIOS DA EDUCAÇÃO E DA GESTÃO PÚBLICA DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Caros Secretários Herman Jacobus Cornelis Voorwald e Julio Semeghini,

Meu nome é Pedro Ramos de Toledo e venho por meio desta missiva externar meu profundo desagrado com a posição do Governo do Estado referente aos professores obesos aprovados em concurso da Rede Estadual de Ensino. Após um ano e meio de processo seletivo, no qual fomos submetidos a duas provas eliminatórias e a um curso de formação com avaliações semanais, vemo-nos surpreendentemente proibidos de exercer a profissão de professor, um sonho para muitos de nós.

Sou obeso e, como muitos outros que sofrem da mesma condição, também fui considerado inapto para exercer o magistério. A pessoa obesa sofre cotidianamente com a discriminação social. Somos considerados feios, preguiçosos e mal-ajambrados. Não raro o obeso é motivo de piadas ao tentar passar por uma catraca ou uma porta giratória, ou mesmo vítima de hostilidade ao ser obrigado a se esgueirar no meio da multidão em estabelecimentos e transportes públicos lotados. Estamos sujeitos a conviver diariamente com troças, forma debochada de desprezo e, diferentemente de outras “minorias”, encontramo-nos em condição especialmente vulnerável, pois não contamos com entidades de defesa de nossos direitos civis ou campanhas de conscientização contra o preconceito.

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Alckmin congela R$ 3,6 bi em obras, incluindo a duplicação da Tamoios

04/02/2011

O Estado de São Paulo

Depois de adiar os planos do Metrô, o governo do Estado colocou obras viárias importantes na “geladeira”. Estão congeladas a conclusão da Avenida Jacu-Pêssego e até obras prometidas na campanha eleitoral pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), como a ponte entre Santos e Guarujá e a duplicação da Rodovia dos Tamoios. E o pior: não há mais prazo para entrega.

A justificativa é a reavaliação de contratos e prioridades. Com custo estimado em R$ 3,6 bilhões, as promessas são repetidas há décadas e foram resgatadas na gestão anterior do governo estadual. Além das cifras bilionárias, são intervenções importantes para milhões de paulistas.

A mais cara delas é a duplicação da Rodovia dos Tamoios, prometida desde os anos 1990. O início das obras chegou a ser anunciado para o segundo semestre de 2009, com custo estimado em R$ 2,7 bilhões, o que não ocorreu. Alckmin afirmou durante campanha que seria a primeira de seu governo, com início programado para o mês passado. O licenciamento ambiental está preparado, mas ainda não há prazo para licitação. A obra, assim como a da ponte, permanece em “fase de estudos técnicos”, segundo a Secretaria de Transportes.

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