Celso Amorim: “É preciso respeitar a decisão do povo de cada país”

12/02/2011

publicado no Vi O Mundo de Luiz Carlos Azenha

por Marco Aurélio Weissheimer, em Carta Maior

O embaixador Celso Amorim, ministro de Relações Exteriores do Brasil por mais de oito anos (dois mandatos do governo Lula e mais um período no governo Itamar Franco), iniciou a conversa telefônica, direto da embaixada do Brasil em Paris, chamando a atenção para a complexidade e o dinamismo do cenário internacional e para o baixo nível de conhecimento que se tem sobre a situação de muitos países. Em entrevista exclusiva à Carta Maior, concedida no início da tarde desta sexta-feira, Celso Amorim analisa os recentes acontecimentos no Oriente Médio e no norte da África e suas possíveis repercussões. Como que para ilustrar o dinamismo mencionado por Amorim, quando a entrevista chegou ao fim, Hosni Mubarak não era mais o presidente do Egito.

Na entrevista, o ex-chanceler brasileiro chama a atenção para o fato de que as revoltas populares que o mundo assiste agora, especialmente na Tunísia e no Egito, acontecem em países considerados “amigos do Ocidente” que não eram alvo de nenhum tipo de sanção por parte da comunidade internacional. “Isso mostra que a posição daqueles que defendem sanções contra o Irã é equivocada”, avalia. Amorim acredita que uma mudança política no Egito terá impacto em toda a região, cuja extensão ainda é difícil de prever. E defende a política adotada pelo Brasil nos últimos anos apostando na capacidade de diálogo do país, reconhecida e requisitada internacionalmente.

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A insustentável leveza das ditaduras

11/02/2011

Blog da Cidadania – Eduardo Guimarães

Após quase três semanas de luta, dezenas de milhões de egípcios conseguiram fazer renunciar um dos ditadores “do bem” da direita mundial, Hosni Mubarak, encastelado no poder havia trinta anos. Um déspota contra quem nunca se ouviu ou leu um milésimo do que a imprensa internacional não pára um só dia de dizer contra Cuba ou contra o Irã.

De repente, de algumas semanas para cá, no entanto, a ditadura egípcia entrou no noticiário e não saiu mais. Não era mais possível esconder que um dos tentáculos dos Estados Unidos no Oriente Médio estava se putrefazendo em alta velocidade.

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Caos no Egito incita tensões no Oriente Médio

11/02/2011

Folha.com

DE SÃO PAULO

Revolta Árabe

O ditador Hosni Mubarak, há 30 anos no poder, renunciou nesta sexta-feira em concessão aos 18 dias da maior crise política no Egito nas últimas décadas, com centenas de milhares de egípcios nas ruas pedindo por sua queda.

O fim da ditadura egípcia vem menos de um mês após a queda do governo autoritário da Tunísia ser derrubado pela Revolução do Jasmim, que levou a uma onda de protestos no mundo árabe.

Pedro Ugarte/AFP
Egípcios protestam contra o governo de Hosni Mubarak na praça Tahrir, centro do Cairo, pelo 17º dia seguido
Egípcios protestam contra o governo de Hosni Mubarak na praça Tahrir, centro do Cairo, pelo 17º dia seguido

A crise teve início quando um tunisiano ateou fogo a si mesmo, soando um alerta à população, principalmente os jovens, que se revoltaram em meio a altas taxas de desemprego, insatisfação com o regime ditatorial e a corrupção que corrói a região, além da ânsia por democracia e liberdade de expressão.

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Multidão nas ruas comemora renúncia de Mubarak

11/02/2011

Carta Capital

Por todo o Egito o povo ocupa as ruas e comemora a renúncia de Hosni Mubarak. O ditador, no poder há 30 anos no Egito, deixou a capital Cairo com sua família rumo a sua residência de veraneio em Sharm el Seij.

O vice-presidente Omar Suleiman foi que deu a noticia oficial na televisão estatal egípcia e fez um breve comunicado: “o presidente Hosni Mubarak passou seus poderes às Forças Armadas do país”.

Logo em seguida, Suleiman também renunciou ao seu cargo.

Assista a festa dos egípcios ao vivo pela BBC: http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-12307698

 


Destaques da semana

06/02/2011

Eason Nascimento


Com uma sucinta reflexão, relembro aqui,  fatos e notícias da semana que passou, que a meu juízo, merecem destaque.

  • Dilma faz sua primeira viagem internacional como presidenta do Brasil,
  • Dilma completa um mês de governo,
  • Valor do Salário Mínimo,
  • PSDB e seu primeiro programa político de 2011,
  • Crise no Egito,
  • Corte no fornecimento de energia elétrica no nordeste e,
  • Excesso de peso elimina candidatos à professor da rede pública estadual paulista.

A visita de Dilma à Argentina simboliza a importância que seu governo dará a continuidade da política de integração do mercusul e da parceria entre os dois países, intensificadas pelos ex-presidentes, Lula e Néstor Kirchner. O encontro com as mães da Plaza de Mayo, foi do ponto de vista da luta pelos direitos humanos, um fato histórico.

Além da viagem, Dilma foi notícia pelos seus primeiros 30 dias de governo. Muitas análises, a meu ver desnecessárias, em tempo tão curto. Com estilo discreto, de pouca aparição em público e para a mídia, mas de muito trabalho como ela mesma apregoa, a presidenta vai concluindo a formação de sua equipe, agora mais voltada para importantes cargos do segundo escalão. Neste aspecto, a competência técnica, tem prevalecido sobre as indicações de caráter politíco, o que não tem agradado aos aliados, principalmente ao PMDB.

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A crise da hegemonia no Oriente Médio

03/02/2011

Blog do Emir Sader

A hegemonia do capitalismo no mundo se assentou na industrialização, que promoveu sua superioridade econômica, com todos os seus outros desdobramentos – tecnológicos, culturais, políticos. Esse processo se apoiou centralmente no petróleo como fonte energética, sem que a Europa ocidental – seu núcleo original – pudesse contar com petróleo.

A hegemonia norteamericana consolidou o estilo de consumo da civilização do automóvel – a mercadoria por excelente do capitalismo norteamericano –, que acentuou o papel do consumo de petróleo. Embora os EUA tivessem petróleo, seu gasto excessivo fez com que suas fontes se aproximassem cada vez mais do esgotamento, além de que o montante que sempre precisaram os fez se somarem aos países que dependem da importação do petróleo.

Estava assim inscrito no estilo de vida ocidental, a dominação dos países árabes, para dispor de petróleo a preços baratos. Esse esquema encontrou seu primeiro grande obstáculo com o surgimento de regimes nacionalistas, em países fundamentais na região, como o Egito e o Irã. Os problemas convergiram na crise de 1973, em que se uniram o aumento do preço do petróleo com a reivindicação do Estado palestino e a oposição ds governos árabes unidos a Israel.

Diante da crise, os EUA passaram a operar em duas direções: intensificar os conflitos que dividissem o mundo árabe – como a guerra Iraque-Irã – e buscar formas de conseguir a presença permanente de tropas norte-americanas na região – obtida a partir da primeira guerra do Iraque.

O enfraquecimento dos governos árabes e da sua unidade interna foi acompanhada da cooptação do governo do Egito – depois da morte de Nasser, primeiro com Sadat (o primeiro a normalizar relações com Israel) e depois com Mubarak, o que fez desse pais o aliado fundamental dos EUA no mundo árabe, recebendo a segunda maior ajuda militar de Washington no mundo, logo atrás de Israel.

A diversificação das fontes de energia – com a importação de gás da Rússia – alivia um pouco a demanda de petróleo, mas incorpora a dependência de um país que tampouco aparece como confiável para a Europa. Mais seguro é o controle politico e militar da região pelos EUA, como garantia para a Europa. Os países europeus não participaram das guerras do Iraque – com exceção da Inglaterra -, mas as financiaram, pelos serviços que os EUA lhes prestam.

A eventual perda do Egito como eixo do controle politico da região seria gravíssimos para os EUA – além da queda do ditador aliado na Tunísia e outros desdobramentos em países com governos similares na região. Além de que poderia contribuir decisivamente para romper o isolamento de Gaza, liberando a entrada via Egito, até aqui tão bloqueada como aquela controlada por Israel.

A impotência norteamericana diante das formas tradicionais de intervenção militar confirma a decadência da hegemonia dos EUA, nesse caso em uma região e em um país chaves para seu sistema de dominação. Está claro que Obama já abandonou a possibilidade de sobrevivência de Mubarak, concentrando-se agora numa transição que permita a cooptação de quem vier a sucedê-lo. É um tema aberto, que pelo menos revela que a alternativa aos regimes ditatoriais da região não reside obrigatoriamente em forças islâmicas – argumento utilizado na lógica do mal menor de apoio a esses ditadores.

Em condições culturais renovadas, o nacionalismo árabe pode renascer, agora articulando uma nova unidade de governos progressistas, anti-EUA e pró palestinos na região – a pior das possibilidades para Washington -, mas plenamente possível, pela intervenção espetacular dos povos desses países.

Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo.

 


Os defensore$ de Mubarak

03/02/2011

Blog da Cidadania – Eduardo Guimarães

Seria inaceitável a descoberta de que os manifestantes pró Hosni Mubarak agiram estimulados pelo governo egípcio”, disse o premiê britânico, David Cameron, do Partido Conservador. Referiu-se aos ataques de cerca de três mil micianos aos milhares e milhares de manifestantes engajados na luta pela renúncia do ditador do Egito.

Montados em cavalos e até em camelos, disparando metralhadoras, apresentaram-se como “simpatizantes do governo”, o que parece uma piada. O exército, que o governo colocou nas ruas, não interferiu. Deixou à vontade os homens treinados que provocaram os choques nas ruas do Cairo nesta quarta-feira.

A mídia brasileira trata os prováveis mercenários do regime egípcio como “simpatizantes do governo”.  Ou seja, como eles querem ser tratados. Vende a versão deles, ainda que cite a acusação de que estão a serviço de Mubarak. Cada manchete que mencione “simpatizantes”, portanto, será um ato de desinformação.

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