Manter viva a causa do PT: para além do “mensalão”

17/09/2012

 

Por Leonardo Boff no site Carta Maior

Há um provérbio popular alemão que reza: “você bate no saco mas pensa no animal que carrega o saco”. Ele se aplica ao PT com referência ao processo do “mensalão”. Você bate nos acusados mas tem a intenção de bater no PT. A relevância espalhafatosa que o grosso da mídia está dando à questão, mostra que o grande interesse não se concentra na condenação dos acusados, mas através de sua condenação, atingir de morte o PT.

De saída quero dizer que nunca fui filiado ao PT. Interesso-me pela causa que ele representa pois a Igreja da Libertação colaborou na sua formulação e na sua realização nos meios populares. Reconheço com dor que quadros importantes da direção do partido se deixaram morder pela mosca azul do poder e cometeram irregularidades inaceitáveis. Muitos sentimo-nos traídos, pois depositávamos neles a esperança de que seria possível resistir às seduções inerentes ao poder. Tinham a chance de mostrar um exercício ético do poder na medida em que este poder reforçaria o poder do povo que assim se faria participativo e democrático.

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A síndrome Jango, aos 50

11/09/2012

Por Laurindo Lalo Leal Filho no site Carta Maior

(*) Artigo publicado originalmente na Revista do Brasil (edição de setembro)

Crianças fazendo perguntas de adultos para “celebridades” surgiu como nova atração da Bandeirantes nas noites de domingo. Concorria com Faustão, na Globo; Silvio Santos no SBT e Gugu na Record evidenciando que o controle remoto não serve mesmo para nada. Troca-se de canal mas o nível dos programas continua o mesmo.

A Bandeirantes tentou inovar, sair dos auditórios e das “escolinhas”, e acabou colocando no ar um programa chamado “Conversa de gente grande” que era, no mínimo, constrangedor.

Menores de 12 anos entrevistavam “celebridades” fazendo perguntas – algumas claramente formuladas pela produção do próprio programa – destinadas a provocar risadas nos adultos.

Para Alexandre Frota uma criança perguntou como tinha sido “a primeira vez” do artista. Outra quis saber se Sabrina Sato havia feito “o teste do sofá” para trabalhar na TV.

Como se nota a escolha dos entrevistados e das perguntas enquadra-se perfeitamente no artigo da Constituição que estabelece preferência, nos programas de rádio e TV, para conteúdos com “finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”.

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Buffet farto, orquestra afinada e pista vazia

31/08/2012

 

Por Saul Leblon no site Carta Maior

Há certo gosto de decepção no ar. O conservadorismo que durante meses, anos, cultivou o julgamento do chamado mensalão como uma espécie de terceiro turno sanitário, capaz de redimir revezes acumulados desde 2002 no ambiente hostil do voto, de repente percebe-se algo solitário na festa feita para arrebanhar multidões.

Como assim se os melhores buffets da praça foram contratados; a orquestra ensaiou cinco anos a fio e o repertório foi escolhido a dedo?

Por que então a pista está vazia?

Pouca dúvida pode haver, estamos diante de um evento de coordenação profissional.

O timing político coincide exatamente com o calendário eleitoral de 2012; a similitude e a precedência comprovadas do PSDB na mesma e disseminada prática de caixa 2 de campanha –nem por isso virtuosa–, e que ora distingue e demoniza o PT nas manchetes e sentenças, foi enterrada no silêncio obsequioso da mídia.

Celebridades togadas não sonegam seu caudaloso verbo à tarefa de singularizar o que é idêntico.Tudo caminha dentro do figurino previsto, costurado com o afinco das superproduções, o que falta então?

Apenas o essencial: a alegria do povo.

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O problema da mídia não é este Lula, são os próximos

19/08/2012

 

Por Eduardo Guimarães no Blog da Cidadania

 

Recebo telefonema de amiga que fiz nesta página ao longo dos anos. De lá das Minas Gerais, ela, vez por outra, demonstra acreditar na opinião deste seu criado e vem saber dele que rumo tomará a política após o processo eleitoral e o julgamento do mensalão.

Refletimos que Lula deve ser o primeiro ex-presidente a sofrer oposição após cumprir seu mandato, como se ainda estivesse governando.

Impressiona a máquina publicitária de destruição política mobilizada contra o ex-presidente, contra seu partido e contra o governo de seu partido.

O Ministério Público Federal e, agora, a Folha de São Paulo fizeram cartilhas para crianças contando a história do mensalão. Os telejornais repetem, a cada edição, as acusações como se fossem sentenças condenatórias.

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Mídia quer enterrar CPI do Cachoeira

14/07/2012

Por Altamiro Borges no Blog do Miro

Por que será que a mídia demotucana deseja tanto encerrar as investigações da CPI do Cachoeira? Após a cassação do ex-demo Demóstenes Torres, o “mosqueteiro da ética” da Veja, ela até parece que suspirou aliviada com o fim da agonia e passou a pregar o enterro da CPI. Será que ela teme que as apurações também degolem o governador tucano Marconi Perillo ou atinjam o José Serra e seu amigo Paulo Preto? Ou ela tem medo que as investigações cheguem à revista Veja e respinguem no conjunto da mídia?
 “Um antídoto para o mensalão” 
Em editorial hoje (13), a Folha concluiu, de maneira açodada, que a CPI está na míngua e não vai dar em mais nada. “São favas contadas”, decretou. Para o jornal da famiglia Frias, a comissão foi criada pelo “lulismo, à cata de um antídoto para o mensalão”, e tinha como objetivos “arruinar o paladino de vida dupla que brilhou no DEM” e “mover uma vendeta contra” Marconi Perillo. Ela nunca visou combater a corrupção, garante a arrogante Folha, que insiste em posar de arauto da ética e da moralidade pública.
Para comprovar a sua tese, o jornal afirma que a CPI não está disposta a investigar o “circuito Cachoeira-Delta” e insinua que os petistas seriam os principais responsáveis pelo fiasco da comissão. “A CPI não interessa mais tanto ao PT, que abateu Demóstenes, constrangeu Perillo e viu o pretendido tiro no julgamento do mensalão sair pela culatra; ao Planalto nunca interessou. Com o recesso parlamentar, ela caminha depressa para a vala comum das CPIs que não levam a lugar nenhum”.
Mídia quer mudar a pauta política
No mesmo rumo, O Globo e Estadão também já deram como encerrados os trabalhos da CPI. Seus “calunistas” amestrados dizem que com a cassação de Demóstenes Torres, o recesso parlamentar e as eleições municipais de outubro, o ímpeto investigativo dos parlamentares tende a diminuir. Para o Estadão, a bola da vez é o julgamento chamado mensalão do PT, “o maior escândalo de corrupção da história do país”. O Globo insinua que a CPI do Cachoeira já é página virada e que não produzirá mais frutos.
Os jornalões e as emissoras de tevê já preparam pirotécnicas coberturas das sessões do Supremo Tribunal Federal (STF). Para a mídia, a cassação do “cão sarnento” Demóstenes Torres deixa o terreno livre para o bombardeio contra os “mensaleiros do PT” – nas vésperas das eleições municipais. Daí sua torcida pelo fim da CPI do Cachoeira. Ela poderia abater outros tucanos, demos, Policarpos e Civitas. Os integrantes da CPI terão que trabalhar dobrado para evitar mais esta manobra eleitoreira da mídia demotucana!

Fotos, símbolos e caricaturas

27/06/2012

Por Saul Leblon no site Carta Maior

É verdade que os símbolos tem um peso crucial na política, mas os símbolos não contam toda a verdade da política. Não raro ofuscam o discernimento num reducionismo que acaba por comprometer a força, o fôlego e a credibilidade da mensagem que se pretendia condensar. Muitos gostariam que a foto polêmica em que Lula e Haddad posam ao lado de Maluf simbolizasse a essência daquilo que o PT, Lula e Maluf representam para a história política brasileira. Uma gigantesca engrenagem foi posta a serviço dessa tese.

A pesquisa do DataFolha faz parte desse mutirão. Egos foram atiçados. Durante dois dias seguidos, após a divulgação da polêmica fotografia, martelou-se a sentença irrecorrível: a imagem era o ultra-som de uma degeneração incorrigível que destruía por dentro o principal partido progressista brasileiro e sua liderança máxima. Uma técnica usual na mídia consiste em blindar ‘denúncias’ contra qualquer arguição vitaminando-as através de uma implacável imersão da opinião pública em declarações reiterativas.

No caso da foto, o esforço anestesiante ganhou um reforço imediato de grande impacto: a deputada Luiza Erundina, ela mesma um símbolo de retidão e dignidade na política, reagiu à pressão do rolo compressor renunciando ao posto de vice na candidatura Haddad à prefeitura de São Paulo. Seu gesto e sucessivas declarações a uma mídia sequiosa foram incorporados à espiral condenatória dando-lhe um torque quase irrespondível durante as primeiras 48 horas pós ‘flagrante fotográfico’.

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Três equívocos

15/06/2012

Por Marcos Coimbra na Carta Capital

A cobertura de nossa “grande -imprensa” da atualidade política gira em torno de três equívocos. Por isso, mais confunde que esclarece. Os três decorrem da implicância com que olha o governo Dilma Rousseff, o PT e seus dirigentes. A mesma que tinha em relação a Lula quando era presidente.

Há, nessa mídia, quem ache bonito – e até heroico – ser contra o governo. E quem o hostilize apenas por simpatizar com outros partidos. Imagina-se em uma espécie de cruzada para combater o “lulopetismo”, o inimigo que inventaram. Alguns até sinceramente acreditam que têm a missão de erradicá-lo.

Não é estranho que exista em jornais, revistas, emissoras de televisão e rádio, e nos portais de internet, quem pense assim, pois o mundo está cheio deles. E seria improvável que os empresários que os controlam fossem procurar funcionários entre quem discorda de suas ideias.

Até aí, nada demais. Jornalismo ideológico continua a ser jornalismo. Desde que bem-feito e enquanto preserve a capacidade de compreender o que acontece e -informar o público. O problema da “grande imprensa” é que suas antipatias costumam levá-la a equívocos. Como os três de agora. Vejamos:

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