Manassés deixa o Ceará

19/12/2010

Eason Nascimento



O grande instrumentista e compositor Manassés, reconhecido dentro e fora do país pelo seu talento com a viola se diz decepcionado com a sua terra natal, o Ceará e afirma em tom de desabafo e despedida : “Vou para Brasília, onde não sou amigo do rei, mas onde há, disponível, o incentivo ao artista. Aqui, isso não existe e por esta razão estou deixando a minha terra. Vou triste, mas tenho de ir para sobreviver com a minha música.

Manassés já empolgou platéias por todo o Brasil e por vários países em apresentações solos ou acompanhando artistas como Luiz Gonzaga, Fagner, Elba ramalho, Simone, Chico Buarque, Nara Leão, Amelinha, Zé Ramalho e Mercedes Sosa,   Este artista ainda tem muito o que mostrar, pois sua criatividade e habilidade com o violão, a viola, o cavaquinho, dentre outros, não tem limites. Perde o Ceará e ganha Brasília, embora que músico do porte de Manassés, não estaciona em lugar algum. Os palcos do mundo são sua morada.

Fonte : Jornal Diário do Nordeste


Para Noel

18/12/2010

Direto da Redação – Urariano Motta

 

Costuma-se dizer que Noel Rosa transformava a sua vida em samba. Consola. Como todo bom pequeno-burguês, adoramos um artista sofrido que cante para nós a sua dor. (Há uma foto de mulher, feiticeira, há uma foto da Dama do Cabaré que deve ter tantalizado Noel. Imaginamos o que ela escreveu no verso da imagem, se alguma vez lhe deixou alguma foto: “Como prova de amizade, Ceci”.) Então se diz que ele transformava a vida em samba, mas se esquece que nos intervalos da arte Noel evitava comer na frente dos admiradores. O queixo danificado mortificava-o, o seu mastigar era um espetáculo de animal de zoo. Ele, que já havia sido chamado, num duelo de sambas, de O Frankestein da Vila.

Se tentamos apanhar Noel a partir da maioria de suas letras, que diríamos, sem erro, quase sublimes, no limite da oração, da queixa de um homem a Deus, como em Último Desejo, diante de uma melodia que não podemos expressar em palavras, diante da expressão de tal sentimento, sempre novo, tão vivo e primordial que nos faz penetrar um cheiro de sal e mar pelo nariz, diríamos, que dor, que felicidade trágica na expressão! A impressão que Noel nos deixa, em seus versos mais cruéis, é que ele compõe epitáfios. Ou enternecedores testamentos. E Último Desejo é uma expressão de última vontade bem ambígua.

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Livro sobre Luiz Gonzaga, “O Rei e o Baião”, será lançado amanhã em Brasília

17/12/2010

Bené Fonteles, organizador da obra, e o ministro Juca Ferreira estarão presentes

Brasília, 16 de dezembro de 2010 – Nesta sexta-feira (17), às 11h, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, participará do lançamento do livro “O Rei e o Baião”, ao lado do organizador Bené Fonteles, no auditório do Ministério da Cultura. A obra pretende fomentar e também avivar a memória dos que apreciam a obra de Luiz Gonzaga, um dos maiores ícones da cultura nordestina e brasileira, que completaria 98 anos na última segunda-feira, 13 de dezembro, data em que o livro foi lançado em Recife e também o Dia Nacional do Forró.

“O Rei e o Baião” resume, numa publicação recheada de fotografias e belos textos, a trajetória do artista. Bené Fonteles conta que provocou várias pessoas a escrever e gerar os ensaios com xilogravuras, fotografias, pinturas, esculturas, tudo para contar a história do sertão nordestino e de Luiz Gonzaga, que, para Fonteles, se consagra como um dos seis pilares da cultura musical brasileira junto a Tom Jobim, Pixinguinha, Noel Rosa, Dorival Caymi e Cartola. “Ele tem uma importância enorme. Influenciou uma geração de artistas e definiu todos os rumos da música popular no Brasil”, define.

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João Bosco : Gago apaixonado, de Noel Rosa

13/12/2010

Água, de João Donato e Paula Morelenbaum, e Amizade Sincera, de Renato Teixeira e Sérgio Reis

11/12/2010

Toques Musicais – Julinho Bittencourt

João Donato, apesar de quase nunca ser reconhecido como tal, é um dos maiores compositores brasileiros. Paula Morelenbaum, da mesma forma, apesar de ser uma das nossas maiores intérpretes, quase nunca figura como tal. João, um veterano conhecido, veio do Acre para se consagrar como um dos grandes músicos brasileiros desde o período da bossa nova. Paula, bem mais nova, surgiu para o grande público como uma das cantoras da banda de Tom Jobim.

Apesar de trajetórias distintas e épocas diferentes, os dois acabaram de lançar o lindo Água, sem qualquer exagero um grande candidato a melhor disco do ano. Juntar dois grandes talentos muitas vezes não faz um grande disco. Neste caso, a impressão que dá é que nasceram um para o outro. A solução final é tão única, tão amalgamada que ficamos todo o tempo nos perguntando como o encontro não havia acontecido antes.

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O Brasil é sua pátria, o mundo é o seu palco e o seu reino é o violão.

05/12/2010

por Eason Nascimento

colaboração de Isa Dorian Sampaio

Por tudo quanto já produziu, Nonato Luiz, este ícone do violão, é estudado por tantos quantos pretendem enriquecer seus conhecimentos musicais, se inspirando e aprendendo com ele, consagrado mestre deste instrumento. Para registar seus 35 anos de carreira, Nonato projeta a gravação de um DVD, atrelando suas melodias à sua imagem que é a imagem da brasilidade e da nordestinidade, instalada no semblante alegre do menino que até hoje não para de brincar com seu eterno companheiro, o violão. Isto ocorre desde que ganhou o mundo ao perceber que o seu enorme talento excedia as limitações da pequena Lavras da Mangabeira, no interior cearense, onde nasceu.

A exemplo de fãs, amigos e conhecedores de sua obra, também me atrevo a atender ao artista, que numa demonstração de humildade e da importância que dá ao seu público, solicita sugestões de melodias, restritas à apenas 20, para compor este seu novo trabalho.  Detentor de um grande e valioso acervo composto de algumas centenas de pérolas, extraídas do violão, a missão se torna difícil. É um verdadeiro martírio que me transporta à lembrança da “escolha de Sofia” de William Styron. Mas se  assim solicitou o artista, que assim seja. Vamos lá.

Se o mundo imaginário em que Nonato vive, tem um hino, e que de lá nos traz, através das cordas do seu violão, toda a beleza de suas canções, este hino se chama  Baião Cigano. Com certeza este clássico não fica de fora sob hipótese alguma de qualquer coletânea que se faça sobre o melhor da nossa música instrumental. As demais e não menos brilhantes melodias seriam : Choro Academico, Choro dos Arcos, Choro Antigo, Choro da Madeira, Choro Para Mariana, Mangabeira, Parathy, Carioca, Um Dia Um Sonho, Micheline, Saudades do Baden, Estudos N° 2, Série Brasileira – II – Xote, Além Mar, Rubi Grená, Prelúdio Em Si M, Prelúdio Em Ré M, Minueto e Reflexões Nordestinas.

Pelo processo constante de criação, nunca podemos ter noção, por ser inesgotável, até onde vai a criatividade deste monstro sagrado da música instrumental. Que seu DVD seja bem-vindo, com estas ou com outras melodias. O que Nonato decidir registrar neste novo trabalho, estará de bom tamanho. As injustiças cometidas só poderão ser reparadas com o advento de outros volumes,  pois sua obra deixa claro que o Brasil é sua pátria, o mundo é o seu palco e o seu reino é o violão.

 


Vanusa é o Cazuza da Vez!

03/12/2010

Carta Maior – Adeilton Lima

Na velha arena romana ao virar o polegar para baixo o imperador e a sociedade liquidavam o gladiador que perdia a luta; ou ele era morto pelo adversário, ou era jogado às feras.

O meio artístico é uma arena cruel! E às vezes a punhalada vem pelas costas mesmo.

Já há algum tempo, desde que esqueceu a letra do hino nacional brasileiro, numa luta dolorosa para não sair de cena, a cantora Vanusa, que já esteve em evidência nos anos 70, e agora abandonada pelos próprios pares como um Simonal acusado de traição, vem sendo alvo de chacotas, reportagens maldosas e de uma execração pública que nos lembra a capa da revista Veja de 1989, quando Cazuza era exposto como um desgraçado que agonizava em praça pública por ser portador do vírus da Aids.

Recentemente, Vanusa voltou a esquecer e a confundir letras de músicas que muitas vezes interpretou ao longo de sua carreira. Virou piada na internet. Não estaria ela com problemas de saúde e/ou passando por dificuldades? Não estaria essa artista precisando de ajuda? É ética essa postura de uma parcela da imprensa, setores da mídia e até mesmo do meio artístico tirando o escalpo dessa mulher que, independente de gostos ou tendências musicais, teve lá o seu momento e deu sua contribuição a uma vertente da MPB? Por que esse escárnio em torno de Vanusa?

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