Claramente a favor do aborto

20/03/2012

Por Vladimir Safatle na Carta Capital

Há algum tempo, a política brasileira tem sido periodicamente chantageada pela questão do aborto. Tal chantagem demonstra a força de certos grupos religiosos na determinação do ordenamento jurídico brasileiro, o que evidencia como a separação entre Igreja e Estado está longe de ser uma realidade efetiva entre nós. Uma das expressões mais claras dessa força encontra-se no fato de mesmo os defensores do aborto não terem coragem de dizer isso com todas as letras.

Sempre somos obrigados a ouvir afirmações envergonhadas do tipo: “Eu, pessoalmente, sou contra, afinal, como alguém pode ser a favor do aborto? Mas esta é uma questão de saúde pública, devemos analisá-la de maneira desapaixonada…”

Talvez tenha chegado o momento de dizermos: somos sim absolutamente a favor do aborto. Há aqui uma razão fundamental: não há Estado que tenha o direito de legislar sobre o uso que uma mulher deve fazer de seu próprio corpo. É estranho ver algumas peculiaridades brasileiras. Por exemplo, o Brasil deve ser um dos poucos países onde os autoproclamados liberais e defensores da liberdade do indivíduo acham normal que o Estado se arrogue o direito de intervir em questões vinculadas à maneira como uma mulher dispõe de seu próprio corpo.

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Bispo de Assis é golpista “mal amado”

11/02/2012

Por Altamiro Borges no seu blog do Miro

Em entrevista ontem ao Estadão, o bispo de Assis, dom José Benedito Simão, retomou a sua cruzada preconceituosa. Ele disse que a nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, “é uma pessoa mal-amada e irresponsável”. Seu sermão rancoroso visou atacá-la pela “defesa do direito ao aborto” – e não a “defesa do aborto”, como os trogloditas tentam confundir a sociedade.
Para o religioso, que infelizmente ocupa a presidência da Comissão pela Vida da Regional Sul-1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a ministra “adotou uma postura em favor da morte”. Conhecido golpista, ele também afirmou que “recebo com muita indignação as palavras da nova ministra” e criticou a sua indicação: “Foi uma escolha infeliz do governo de Dilma”.

Lula é o “novo Herodes”

Esquecendo-se que o Brasil é um país laico, conforme reza a Constituição, o bispo advertiu ainda que a nova ministra pode “criar um confronto entre Igreja e governo”, segundo relata o Estadão. “Ela [Eleonora] é infeliz, mas ninguém precisa ficar sabendo. Seu discurso mostra que ela pode estar reabrindo feridas que estavam cicatrizando”, esbravejou dom José.

O bispo de Assis ganhou fama em 2010 ao liderar a oposição ao Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), formulado no governo Lula. Ele chegou a distribuir panfletos acusando Lula de ser “o novo Herodes”. Na campanha presidencial, os fanáticos de José Serra amplificaram seus ataques. Seus panfletos foram apreendidos numa gráfica do Cambuci, no centro da capital paulista.

Em tom ameaçador, dom José concluiu a entrevista como se fosse um líder da direita nativa. “Vamos acompanhar o trabalho [da ministra]. Se os discursos forem nesta linha, vamos tomar algumas medidas de protesto, que podem ser panfletos ou manifesto público”. O bispo bravateiro bem que merecia ser exorcizado por suas grosserias preconceituosas pela cúpula da CNBB.


A “defesa do direito ao aborto” e a “defesa do aborto”

07/02/2012

por Leonardo Sakamoto 

É com esperança que recebi a notícia de que a professora Eleonora Menicucci assume como ministra-chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres, não apenas por conta de sua trajetória como militante política durante os anos de chumbo e como respeitada acadêmica, mas também por sua forte atuação no movimento feminista.

Ao noticiar a posição pessoal da nova ministra de “defesa do direito ao aborto”, parte da imprensa falou simplesmente em “defesa do aborto”. Bem, só quem é jornalista e esteve em um fechamento sabe o que é ter um chefe bufando no seu cangote, exigindo a página fechada, enquanto procura fazer caber uma ideia inteira em um espaço tão exíguo quanto aquele reservado ao título ou à manchete. Mas, caros colegas, temos que tomar cuidado. Defesa do direito ao aborto é diferente de defesa do aborto.

Não há defensora ou defensor do direito ao aborto que ache a interrupção da gravidez uma coisa fácil e divertida de ser feita, equiparada a ir à padaria para comprar um Chicabon. Também não seriam formadas filas quilométricas na porta do SUS feito um drive thru de fast food de pessoas que foram vítimas de camisinhas estouradas. Também não há pessoa em sã consciência que defenda o aborto como método contraceptivo. Aliás, essa ideia de jerico aparece muito mais entre as justificativas daqueles que se opõem à ampliação dos direitos reprodutivos e sexuais do que entre os que são a favor. A interrupção de uma gravidez é um ato traumático para o corpo e a cabeça da mulher, tomada após uma reflexão sobre uma gravidez indesejada ou de risco.

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Nicolelis é alvo de sites da extrema-direita americana: contas não ajustadas da eleição

20/01/2011

Blog Vi O Mundo de Luiz Carlos Azenha

de Conceição Lemes*

Desde 2010, o neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade de Duke, nos EUA, e fundador do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond e Lilly Safra, em Macaíba (RN), Brasil, é membro das academias Brasileira e  Francesa de Ciências.

Em 5 de janeiro, o Observatório Romano divulgou a sua escolha para a Pontifícia Academia de Ciências, mais conhecida como Academia de Ciências do Vaticano.

Sua eleição foi saudada nos Estados Unidos, Europa, inclusive Itália, e Brasil. Nicolelis, mal comemorava a boa notícia, quando começou a receber informações de que sites da extrema-direita americana religiosa haviam postado artigos enfurecidos com a escolha.

O primeiro site a divulgar, ainda no dia 5 à tarde, foi o Rorate CaeliPapa nomeia para a Pontifícia Academia de Ciências cientista pró-aborto e pró-“casamento gay” .

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O conservadorismo volta sua carga

18/01/2011

Carta Capital – Paulo Daniel

O presidente do movimento denominado Pró-Vida, Padre Luiz Carlos Lódi, divulgou nota pela internet atacando o governo da Presidenta Dilma Rousseff (PT).

O Pró-Vida, sediado em Anápolis, interior de Goiás, é um dos movimentos católicos mais radicais do País contra a descriminalização do aborto, entretanto, a maior parte dos itens abordados no último documento refere-se à questão dos homossexuais.

“O sonho do governo é transformar a “homofobia” em crime, instaurando o terror sobre a esmagadora maioria dos brasileiros ditos “homofóbicos”.”

Por fim, a nota diz “desde a ascensão do PT em 2003, por uma campanha ininterrupta e onipresente em favor da corrupção das crianças, da destruição da família e da dessacralização da vida. Para nossa vergonha, é difícil imaginar, em todo o planeta, um governo que mais tenha investido na construção da cultura da morte.”

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O papa deveria se preocupar com os escândalos que pipocam na Igreja Católica

29/10/2010

Carta Capital – Mino Carta

Diante do discurso do papa Bento XVI nesta quinta-feira 28 aos bispos brasileiros, a indignação do diretor de Redação deCartaCapital, jornalista Mino Carta:

“Acho que o papa deveria se preocupar com os escândalos que pipocam todos os dia na Igreja Católica. Deveria se preocupar com os padres pedófilos, e este, a bem da verdade, é um antiguíssimo problema, sempre hipocritamente ignorado. Deveria se preocupar com os inúmeros prelados que têm relação com a máfia. E com as investigações da justiça italiana sobre as atividade de seu banco, o IOR – Instituto para as Obras de Religião – que é, há muito tempo, um dos mais renomados do mundo em matéria de lavagem de dinheiro. A hipocrisia vaticana se revela até mesmo no nome. Que “obras religiosas” seriam essas?”



Serra e os santinhos da guerra suja

26/10/2010

blog do Miro

revsita IstoÉ – Alan Rodrigues e Bruna Cavalcanti

A ordem para encomendar o material à gráfica ligada aos tucanos partiu de dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo da Diocese de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele é antigo conhecido do PSDB, amigo declarado de seu conterrâneo Sidney Beraldo, deputado estadual pelo partido e um dos coordenadores da campanha de Serra em São Paulo. Nas conversas de sacristia, dom Luiz tem fama de ser um homem “maquiavélico” e “implacável”. Padres o descreveram à ISTOÉ como alguém que não aceita opiniões divergentes e já criou situações embaraçosas para constranger e afastar subordinados que questionam seu radicalismo.

Para fazer os contatos com a gráfica dos Kobayashi, dom Luiz contou com a ajuda do ex-seminarista Kelmon Luís da Silva Souza. Frequentador da Catedral Metropolitana Ortodoxa, na zona sul de São Paulo, Souza também é presidente da Associação Theotokos, um grupo católico ultratradicionalista, e membro do autodenominado Partido Monarquista Brasileiro. Em 2006, um dos parceiros do ex-seminarista que atua numa organização integralista doou R$ 3,5 mil para a campanha do deputado federal Índio da Costa, candidato a vice-presidente na chapa de Serra. Quando a atuação de Souza e dom Luiz tornou-se pública, os dois se enclausuraram. Nos próximos dias, no entanto, terão de prestar depoimento à Polícia Federal, investigados por crime eleitoral, calúnia e difamação.

A distribuição de panfletos caluniosos em paróquias que estão sob a jurisdição de outros bispos provocou um racha na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. “O embate ideológico que existiu nos primeiros anos da CNBB, mas estava ausente nas últimas décadas, ameaça voltar após as eleições”, avalia dom Pedro Luiz Stringhini, bispo de Franca. Fiéis não param de telefonar e mandar e-mails para a Cúria Diocesana de Guarulhos condenando o comportamento de dom Luiz.

Eles questionam: se os cofres da igreja estão quase vazios, com que dinheiro o bispo vai pagar a encomenda dos panfletos que beneficiam Serra? “Na segunda-feira, recebi uma ligação de dom Luiz pedindo desculpas pelos transtornos”, contou à ISTOÉ Paulo Ogawa, administrador da gráfica que trabalha para o PSDB. “O Kelmon também telefonou”, disse ele. “Garantiu que eu não ficaria no prejuízo e que a fatura do material apreendido pela PF, no valor de R$ 30 mil, poderia ser enviada porque a igreja iria pagar”.

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