O capital se faz em casa

12/05/2012

Já comentei aqui que uma das premissas do êxito civilizatório é a existência de altos níveis domésticos de poupança vinculada ao investimento.

O que não devemos deixar de enfatizar, entretanto, é que, ao contrario da intoxicação ideológica ainda disseminada entre nós, a taxa interna de poupança das nações não é conseqüência fatalista das forças do acaso. É, claramente, conseqüência de arranjos institucionais que a POLÍTICA, e só ela, é capaz de fazer – repetirei.

Foto: 401K/Flickr

Duas negativas para entrarmos numa proposta de como o Brasil poderia sair dos atuais níveis precários de investimento (menos de 19% do PIB) para taxas mais altas no tempo; mas, pelo menos, e com urgência, para algo ao redor de 23% ou 24% do PIB, os quais, imagino, lastreariam uma taxa sustentável de crescimento acima dos críticos 5 % necessários para cobrir os ganhos de produtividade, e incorporar os ainda cerca de um milhão e meio de jovens que, por ano, chegam ao mercado de trabalho procurando seu ansiado primeiro emprego.

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“Cortes” da Petrobras ficaram só no sonho da mídia

09/06/2011

Do Blog Tijolaço, de Brizola Neto

 Há um mês atrás, aqui, comentei como a imprensa “festejava” a notícia que ela própria criara de que a Petrobras iria fazer pesados cortes em seus planos de investimentos no país. O Globo chegava a falar em uma redução de US$ 35 bilhões, ou 13,5% do previsto para ser aplicado até 2015.

De lá para cá, os fatos se encarregaram de mostrar que esse corte era apenas o desejo mórbido do pessoal da “roda presa”, que torce para que o Brasil não extraia o petróleo do pré-sal de forma soberana e acabe por comprar lá fora – a la Agnelli – os equipamentos de que precisa.

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A oportunidade de um recomeço

08/06/2011

Do Boletim Carta Maior

Também publicado no Blog da Dilma

Ao afastar Antonio Palocci, a Presidenta Dilma Rousseff ganha espaço para uma reordenação política que corrija as lacunas de um ciclo inicial em que a principal agenda do seu governo era negativa: conter o crescimento para conter a inflação e a apreciação cambial. A inflação já reverteu a curva ascendente.

A instabilidade cambial não cede sem baixar os juros que atraem capitais especulativos, mesmo com algum controle sobre os fluxos externos. Um bom recomeço seria interromper a nova alta da Selic que está sendo discutida na reunião do BC iniciada na terça-feira. O país vive um momento privilegiado de retomada dos investimentos nas áreas da infraestrutura, energia e construção civil.

Nenhuma economia do mundo rivaliza com o leque de obras públicas em marcha no Brasil nesse momento, que inclui a construção –simultânea– de 3 hidrelétricas, 3 ferrovias e 5 refinarias, ademais de investimentos superiores a US$ 220 bilhões da Petrobrás na exploração do pré-sal, apenas no período 2011- 2015.

A expansão da capacidade produtiva, conforme mostrou o IBGE no 1º trimestre, cresce 50% acima da expansão do consumo. O horizonte econômico, portanto, esboça uma espiral virtuosa em que o fôlego da oferta corre à frente do ímpeto da demanda. Esfarela-se a chantagem ortodoxa do descontrole inflacionário. O economista Amir Khair advertiu em recente artigo em Carta Maior que não se deve esperar da recuperação dos países ricos, sobretudo da economia norte-americana que patina em desordem financeira, dívidas insolúveis e retração do consumo, qualquer incentivo ao nosso desenvolvimento.

O mercado interno, sinaliza Khair,deve ser o grande fiador da travessia brasileira nessa longa convalescência da crise mundial. Sufocá-lo com novas altas dos juros é transpor para a lógica economica a sangria imobilizante que se decidiu evitar na esfera política, com a mudança na Casa Civil. 


Investimentos bombam o Rio. Só perde para Minas

23/03/2011


Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim


…..de 2014, em São Paulo 

 

Saiu no Brasil Econômico, pág. 4:

“Rio recebe R$ 100 bilhões em aportes privados – ou US$ 60 bi”

São investimentos produtivos anunciados entre 2007  e 201, “provando que o Estado volta a ser atrativo”

“Só este ano, mais de R4 3,5 bilhões foram divulgados por empresas”

“Primeiro foi a descoberta do petróleo do pré-sal, em 2007. Em maio de 2009, a confirmação de que o Rio seria uma das sedes da Copa. E a vitória na disputa pelas Olimpíadas de 2016.”

(Bem que o PiG (*) tentou devolver a Olimpíada para Madrid – segunda colocada. Especialmente a Globo. Pouco depois do anúncio, traficantes derrubaram um helicóptero da Polícia – foram todos capturados – e a Globo considerou que o Rio não prestava para a Olimpíada.)

(Talvez a Globo é que não preste para ser a sede da Olimpíada.)

Outro fator de atração de investimentos, segundo o jornal, foi “a retomada de favelas controladas pelo crime, com as Unidades Policiais Pacificadoras” (as UPPs, que o Cerra não quis fazer em São Paulo).

O Brasil Econômico obteve os dados com o Ministério do Desenvolvimento.

No período, o Estado que recebeu mais investimentos foi Minas: US$ 80 bi.

Um dos novos investidores no Rio é a Nestlé, que vai fazer uma fábrica de R$ 300 milhões em Três Rios, no interior.

Boa parte dos investimentos foi induzida não só pelo pré-sal, mas pelo Comperj, o complexo refinaria-indústria petroquímica, da Petrobrás, o maior conjunto de empreendimentos industriais em curso, no país.

Fica em Itaboraí, entre os portos de Itaboraí e Rio de Janeiro.

Clique aqui para ler “Petrobrás investe R$ 93 bi com 65% de conteúdo nacional”.

Apenas no ano de 2010, os três estados que mais receberam investimentos de empresas privadas foram, pela ordem, Pará, Rio e Minas.

NavalhaO amigo navegante deve ter percebido que há por trás disso tudo uma estratégia de desconcentração econômica, com o dedo do Nunca Dantes.

O Nunca Dantes espalhou o progresso pelo país afora.

Do Oiapoque ao Chuí.

Veja o que acontece, por exemplo, em Pernambuco, em Suape: “uma revolução, que demonstra que Eduardo Campos dá de 10 a 0 em Cerra”.

A JK de saias acabou de inaugurar em Uberaba, Minas,  uma fábrica de um complexo que tornará o Brasil exportador de fertilizantes.

Prorrogou por 50 anos a licença da Zona Franca de Manaus e estendeu as facilidades a todos os estados do Norte o Brasil.

A mobilidade que o Nunca Dantes engendrou não foi só vertical, de baixo para cima no losango da distribuição da renda – clique aqui para ler “A Classe C compra o futuro”.

Foi também na horizontal.

Um dia, os paulistas descobrem e mandam os tucanos passear !


Paulo Henrique Amorim

 


Luz para todos?

25/01/2011

Carta Capital – Delfim Netto

Os argumentos de quem condena o aproveitamento da energia dos rios amazônicos ignoram as reais mudanças que as hidrelétricas produzem, seja a preservação do meio ambiente, seja o bem-estar da população nas regiões beneficiadas. Por Delfim Netto. Foto: ABr

O Brasil é, seguramente, levando-se em conta as economias que alcançaram um nível importante de desenvolvimento, o País que tem a matriz energética mais “limpa” do planeta. Alcançamos um nível de utilização de 40% de energia renovável, enquanto nos demais países “civilizados” a oferta dessa energia não atinge, em média, 10% do consumo.

Talvez muitos brasileiros não se deem conta da importância disso e, mais ainda, da necessidade de continuarmos investindo de maneira correta para ampliar a oferta de energia limpa que vai sustentar o crescimento nos próximos anos.

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Lula redesenhou o mapa do Brasil

25/01/2011

Conversa Afiada

O ansioso blogueiro foi a Suape dar um abraço em Lula 

Este Conversa Afiada se permite dizer há muito tempo que, desde Vargas, nenhum outro Presidente viu o mapa do Brasil inteiro, diante de si, como Lula.

Lula acelerou dois movimentos de mobilidade: vertical, com a ascensão social; e na horizontal, com a integração do País, economicamente.

E o Farol de Alexandria continua a achar, na sua secundária perspectiva, que a Dilma e o Lula não tem estratégia – clique aqui para ver como Nassif disseca a subalternidade do pensamento do Farol de Alexandria.

JK levou o Brasil para São Paulo.

Lula levou o Brasil para o Brasil, inteiro.

Saiu no Valor de hoje, na pag. A3:

“Petróleo e ferrovias dinamizam portos do Norte e do Nordeste”

Trata-se de reportagem de André Borges que fala da crescente papel dos portos de Vila do Conde (Para), Itaqui (Maranhão), Pecem (Ceara) e Suape (Pernambuco) na movimentação da carga no País.

E como a expansão ferroviária e a Petrobras participam desse movimento de integração econômica irreversível.

Ainda este ano, a Ferrovia Norte-Sul, que São Paulo dinamitou no Governo Sarney, começa a licitar tráfego de cargas.

A FNS concluiu o trecho Norte e vai dinamizar Vila do Conde e Itaqui.

Vila do Conde, ainda, vai se beneficiar da recente inauguração das eclusas de Tucuruí.

Itaqui vai transportar grãos do Norte e se fortalecer com a refinaria Premium que a Petrobras constrói ali perto, para desespero dos “especialistas”.

A Ferrovia Trans-Nordestina vai cortar o Sertão, em 1.728 km.

Vai ligar o interior do Maranhão e do Piauí a Pecem, no Ceara, e a Suape, em Pernambuco.

Pecem terá que ajudar a outra Premium da Petrobras – para desespero dos “especialistas” – e dar conta da siderúrgica que a Vale constrói ali perto.

E daqui a pouco entra em funcionamento a termoelétrica do Eike Batista

Por fim, Suape, que ajuda a fazer uma revolução em Pernambuco – clique aqui para ler “Suape fez uma revolução em Pernambuco e Eduardo Campos dá de 10 a 0 em Cerra”. e “Bacelar: nunca vi o Nordeste melhor”.

Ali em Suape a Petrobras constrói a refinaria Abreu e Lima, que  vai produzir 230 mil barris/dia.

Daqui a pouco chega a fabrica da Fiat, que Minas perdeu para Pernambuco: um investimento de R$ 3 bilhões para produzir 200 mil carros por ano.

O estaleiro Atlântico Sul prevê expansão e a Petroquímica Suape se instalara.

A produção agrícola e mineral vai sair do interior do Maranhão e do Piauí, pegar a Trans-Nordestina e escolher: sai por Pecem ou por Suape ?

Tudo isso e’ resultado de um projeto que o Globo chama de “empacado “- o PAC do Lula e da Dilma.

(Não esquecer que o maior projeto industrial em curso no Brasil, hoje, é o complexo Comperj, no Rio, uma integração de refinaria com industria petroquímica, sob o impulso da Petrobras, que, um dia, foi Petrobrax.)

Os militares falavam em “integrar a Amazônia para não entregar “.

Era uma visão estreita, nacionalisteira, que só pensava na Chevron – Cerra e Roberto Campos é quem entendem de Chevron.

Não levava o brasileiro, o povão, para a mesa de negociação.

Lula pensou na frente, olhou com os olhos de Vargas.

Pensou em integrar na geografia e no bolso.

Espalhou o crescimento econômico e botou dinheiro e educação ao alcance do pobre.

O crescimento não fica mais restrito aos 20 milhões de brasileiros que vivem na Republica da Daslu.

Lula criou um País de 200 milhões.

Lula redesenhou a geografia econômica do Brasil.

Saravá!

Paulo Henrique Amorim


”Empresas têm obrigação de prover internet popular”

03/01/2011

Estadao.com

Orientação de Dilma, conta Bernardo, é negociar com o produtores nacionais venda de tablets por R$ 400 a R$ 500

Lu Aiko Otta e Karla Mendes – O Estado de S.Paulo

Ligadíssima em novas tecnologias, a presidente Dilma Rousseff quer massificar o acesso à internet. A oferta de serviços de banda larga a preços populares, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), é o que ela chama de “xodó 2.0”. O primeiro xodó é o programa Luz Para Todos.

Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE
Desafio. ‘É mais fácil fazer impeachment do presidente do que a cassação de concessão de rádio’

“Ela acha que isso poderá, num prazo razoavelmente curto, significar um aumento muito grande da produtividade do trabalho, melhor aproveitamento da estudantada na escola, melhor desempenho dos professores, as empresas serão altamente beneficiadas”, diz Paulo Bernardo, em entrevista ao Estado.

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