O poder do controle remoto

31/07/2010

Eason Nascimento

É do conhecimento até do reino mineral diria o jornalista  Mino Carta, que a velha mídia de propriedade das famílias: Frias, grupo Folha de São Paulo, Mesquita, Estadão, Marinho, Rede Globo, além do Grupo Abril, revista Veja, combatem insistentemente o governo Lula e por conseguinte atacam a candidatura Dilma.

O termo PIG (Partido da Imprensa Golpista), criado pelo deputado pernambucano Fernando Ferro,  disseminado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim caracterizando  os principais e maiores veículos de comunicação do país,  já se incorporou a linguagem utilizada pelos jornalistas independentes.

Como afirmou Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais e executiva do grupo Folha de São Paulo, a mídia tomou as rédeas do processo de apoio ao candidato demotucano pois os partidos políticos da  oposição se encontram fragilizados e sem discurso.

Diariamente a grande imprensa se esmera na repercussão e na divulgação de factóides criados exclusivamente para gerar fatos políticos que sirvam de tribuna para tentar descontruir a candidatura petista.

Embora com um alcance restrito pois é alcançada apenas pelos assinantes, a Globo News tem feito sua parte.

Os avanços do governo Lula, principal cabo eleitoral de Dilma, são questionados e relegados a um patamar inferior que não condiz com a percepção da esmagadora maioria da população brasileira que aprova o governo e seu mandatário, com índices incontestáveis.

Paralelamente os esforços se voltam para dar mais visibilidade ao candidato da oposição, escondendo eventuais dificuldades e obstáculos à sua eleição.

Uma rede de apresentadores, repórteres e comentaristas políticos se revezam nesta tarefa. Espaço Aberto, com Alexandre Garcia ou com Miriam Leitão. Painel, com William Vaack ou  Entre Aspas, com Monica Waldvogen, além do Jornal das 10, apresentado por André Trigueiro e complementado “pelas ánalises” dos comentaristas Merval Pereira, Cristiana Lobo, Carlos Sardenber e Carlos Monfort dão o tom da participação da emissora na campanha.

Os convidados são escolhidos pelo conhecimento antecipado de suas convicções, excetuando-se pequenos deslizes, que já deixaram seus apresentadores em situação no mínimo desconfortável.

A participação do ex-superintendente da Receita Federal, Everardo Maciel sobre a atuação de Lina Vieira à frente daquela autarquia ou a abordagem feita pelo físico Luiz Pinguelli Rosa  sobre o programa nuclear iraniano e sobre o acordo mediado por Brasil e Turquia, foram exemplos a não serem repetidos e que certamente não escaparam da reprovação do diretor de Jornalismo, Ali Kamel.

Para o assinante que discorda do pensamento da emissora, a solução pode estar no  cancelamento da assinatura, ou uma atitude mais simples pode ser empregada:  o uso do poder do controle remoto.


Temer: “Sérgio não é de guerra”

31/07/2010

Tijolaço – Brizola Neto

Sérgio Guerra é como a personagem Ofélia, do antigo programa humorístico “Balança mas não cai”, que botava o marido Fernandinho nos maiores apuros ao falar barbaridades, sempre seguidas pelo bordão “só abro a boca quando tenho certeza”.

O presidente do PSDB chamou o Bolsa Família de programa eleitoral, disse à Veja que se eleitos os tucanos acabariam com o PAC, contou para Roberto Jefferson que Álvaro Dias seria o vice de Serra, tentou contornar a mentira do Serra de que teria criado o FAT, enfim, tantas declarações “acertadas” que Lula o classificou com propriedade.

Depois de ter errado o vice e ver o estrago que o Da Costa anda fazendo, Guerra resolveu partir para o ataque contra Michel Temer, o vice de Dilma, chamando-o de “um guarda-roupa que ninguém quer nem faz questão”, como contou a coluna Radar Político, do Estadão.

Temer, que estava quieto no seu canto sem procurar aparecer como o vice de Serra, nem se abalou e destruiu o adversário com apenas uma declaração: “Coitadinho do Sérgio. Ele não é de guerra. Foi obrigado a fazer essas declarações.

Mas eu não quero entrar nesse nível mais baixo da campanha. A Dilma e eu estávamos ontem em Natal no encontro da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) para debater o avanço científico do País. Eles deveriam fazer a mesma coisa.”

Guerra podia ter ido dormir sem essa e vai passar a noite em claro pensando qual a próxima declaração que irá fazer.

Mas só quando tiver certeza, viu Sérgio?


Pimentel vai à Justiça contra Serra

30/07/2010

NOTA À IMPRENSA

Repudio com veemência as declarações do candidato à presidência, José Serra, concedidas à imprensa ontem, 22, as quais fazem referências ao meu nome como articulador de uma operação inexistente e a qual repilo com a convicção dos meus 40 anos de trajetória política.

Lamento que a oposição encontre discurso eleitoral apenas em acusações infundadas e ilações morais contra membros do PT. Há dias, o candidato da oposição tem demonstrado desequilíbrio ao disparar insinuações caluniosas e ultrapassar os limites da responsabilidade de quem se declara um homem público experiente e preocupado com as questões maiores do Brasil.

As declarações são falsas e caluniosas, compatíveis apenas com o desespero dos que não se conformam com o fato de que o Brasil mudou para melhor nos últimos oito anos, e vai continuar mudando com a vitória da nossa candidata nas eleições.

As mentiras, as injúrias e as calúnias são armas de quem não quer, ou não tem preparo, para o debate democrático de idéias e de propostas. Não desceremos a este nível. Afirmo que tomarei as providências judiciais cabíveis a fim de resguardar a minha honra e a minha história de militância e de luta pelos direitos democráticos neste País.

Fernando Pimentel


O Jornalismo Pró-Serra / A campanha em MG

30/07/2010

Carta Maior

A Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico da Bolívia – país que Serra acusa de fazer corpo mole em relação ao comércio ilegal de drogas– prendeu uma quadrilha de bolivianos e colombianos com 240 quilos de cocaína.

Entre os detidos pelas autoridades bolivianas encontra-se um religioso indígena que participou da cerimônia de posse de Evo Morales.

Manchete do Globo.com : ‘ Líder espiritual de Evo Morales preso com droga’. A fraude do Globo termina com um convite aos leitores: ‘Comente’.

Carta Maior acredita que o convite deve ser aceito pelos que prezam a isenção jornalística e rejeitam o cafajestismo ideológico como recurso de campanha política.

Ele fala como a UDN, mente como Carlos Lacerda e pode terminar isolado como Cristiano Machado

Cristiano Machado impôs a sua candidatura ao PSD nas eleições presidenciais de 1950 e foi abandonado pelo próprio partido, que acabou apoiando Getúlio Vargas.

Seu nome inspirou o termo “cristianização” para designar o candidato ‘escondido’ pelos companheiros de sigla, que temem o contágio tóxico que sua impopularidade nas próprias candidaturas.

Até a semana passada a maior parte do material de campanha de Aécio Neves, candidato ao Senado por MG, e o de Anastásia, seu candidato ao governo do Estado, ainda omitia a imagem de Serra em santinhos e adesivos.

O alto comando serrista busca desesperadamente formas de fazer com que a campanha demotucana encontre motor próprio em MG. Aspas para o Globo de 29-07: ‘. O candidato a presidente pelo PSDB, José Serra, terá uma estrutura independente em Minas Gerais para impulsionar sua campanha no Estado.

Além de um comitê exclusivo, contará com até 40 subcomitês distribuídos por todo o território do segundo maior colégio eleitoral do país. A estratégia foi montada para fazer frente a algumas dificuldades.

A decisão foi tomada após descontentamento com o ritmo da campanha no Estado, onde o ex-governador Aécio Neves, que recusou-se a ocupar a vaga de vice na chapa de Serra, é a principal liderança do PSDB…’


Uma noite em 67

29/07/2010

Eason Nascimento

Edu Lobo e Maria Medalha defendiam Ponteio. Chico Buarque, Roda Viva. Gilberto Gil, Domingo no Parque. Caetano Veloso, Alegria, Alegria e Roberto Carlos, Maria, Carnaval e Cinzas. Sérgio Ricardo coberto pelas vaias da platéia, destrói seu violão e joga o que restou para o público.

Nos bastidores, Caetano dá entrevista tentando explicar o que é pop, ou o por quê da referência à Coca-Cola e a Brigitte Bardot na música que inscreveu. Era o final do Festival da Record, evento que mudou definitivamente os rumos da MPB sob a forte influência do rock e da guitarra elétrica. O Brasil vivia sob a ditadura militar, ás vésperas do endurecimento do regime ocorrido em 1968.

Baseado no que restou dos arquivos da TV Record, destruídos que foram por incêndios ocorridos na sede da emissora, a Vídeo Filmes e a Record Entretenimento trazem  estes fatos de volta no documentário Uma Noite em 67, com estréia prevista para o próximo dia 30.

Para os mais jovens a oportunidade de entender o caldeirão musical característico daquele período, responsável pela chegada do tropicalismo. Para a minha geração, a lembrança da chamada época de ouro da música brasileira.


Brasil chega a PIB per capita de US$ 10 mil em 2010. E agora?

29/07/2010

Klinger Portella, iG São Paulo

Economia ultrapassa média da renda per capita mundial e pode chegar até US$ 20 mil até o fim desta década

Demorou cinco séculos, mas a economia brasileira está próxima de alcançar a marca de US$ 10 mil de renda per capita, segundo projeções de economistas e dados oficiais tabulados pelo iG. Com a expectativa de apresentar o maior crescimento das últimas duas décadas e meia, o Brasil deve se colocar acima da média mundial do PIB per capita – resultado da divisão entre as riquezas produzidas por um país e sua população.

Ao atingir o novo padrão de renda, uma classe média emergente começa a mudar o perfil da economia brasileira, com o setor de serviços ocupando mais espaço, em detrimento da indústria, segundo dizem economistas. Essa mudança estrutural deve acelerar o ritmo de expansão econômica, a exemplo do que aconteceu com países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão, décadas atrás.

Estimativas da LCA Consultores mostram que, em 2020, o PIB per capita deve dobrar, atingindo a casa dos US$ 22,7 mil. Os Estados Unidos, que bateram os US$ 10 mil per capita em 1978, dobraram a renda exatamente dez anos mais tarde, enquanto o Japão precisou de apenas quatro anos para o PIB per capita saltar de US$ 10,8 mil em 1984 para US$ 23,9 mil em 1988.


A urgente auditoria no Datafraude

29/07/2010

Por Altamiro Borges

O instituto de pesquisas Datafolha, controlado pela famíglia Frias – que também é dona do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL – está na berlinda. Ninguém agüenta mais as suas manipulações. O deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ) já está propondo uma auditoria. “O Datafolha perdeu qualquer compromisso com a ciência estatística e passou a funcionar com uma arrogância que não se sustenta ao menor dos exames que se faça dos resultados que apresenta nas pesquisas”, argumenta o parlamentar.

Numa decisão que abre brechas para fustigar o Grupo Folha, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceitou, nesta semana, o pedido do minúsculo PRTB (Partido Renovador Trabalhista) para ter acesso aos dados da sua última pesquisa, divulgada no sábado. O partido terá direito a conhecer o sistema interno de controle do Datafolha, com a “verificação e fiscalização da coleta de dados, incluindo as identificações dos entrevistadores, para conferir e confrontar os dados do instituto”.

Forte odor de manipulação

A última pesquisa Datafolha, que mostrou José Serra um ponto a frente de Dilma Rousseff, foi uma provocação! É certo que, desta vez, o instituto demotucano diminuiu a distância – a “boca do jacaré”, no jargão dos pesquisadores –, curvando-se ao “empate técnico”. Mesmo assim, o resultado não convenceu ninguém. É sabido que a famíglia Frias apóia o demotucano, mas ela poderia ser um pouco mais cautelosa – sob o risco de afundar o seu lucrativo negócio.

O forte odor de manipulação se espalhou por vários motivos. Já na pesquisa anterior, o Datafolha foi o único que manteve larga margem de dianteira para o seu candidato, enquanto os outros três (Vox Populi, Sensus e até o Ibope) apontaram vantagem para Dilma Rousseff. Agora, ele recuou abruptamente, mas ainda deu a liderança ao seu candidato. Poucos dias antes, o Vox Populi tinha apontado exatamente o inverso, com Dilma oito pontos à frente. O que explica tanta diferença?

O estranho filtro do telefone

Diplomático, Marcos Coimbra, do Vox Populi, afirma que ela se deve às distintas metodologias aplicadas. No seu instituto, as pesquisas abarcam todo o universo de eleitores. Já no Datafolha, há um filtro: são aceitas apenas as entrevistas dos que declaram possuir telefone, fixo ou celular. O motivo seria a checagem de campo. Além disso, o Vox Populi vai à casa dos entrevistados; o Datafolha ouve as pessoas na rua, o que seria mais ágil e barato – e mais suscetível à distorção.

Ainda segundo Marcos Coimbra, do universo pesquisado pelo Vox Populi, 30% não têm telefone nem fixo nem celular. Feito o corte para o universo dos que têm telefone, os resultados dos dois institutos seriam quase iguais – diferença de um ponto apenas. Quando entram os sem-telefones, Dilma Rousseff dispara e aí aparece a diferença. “Isto explicaria a diferença, o que compromete mais uma vez a reputação técnica do instituto [Datafolha]”, denuncia o blogueiro Luis Nassif

Distorções nas áreas selecionadas

Pesquisa tendo como base a posse de telefones já é estranha. Pior ainda é quando se observam as áreas definidas para a coleta dos dados. Nesta última, o Datafolha voltou a dar mais peso para as regiões Sul e Sudeste, onde os demotucanos ainda mantém certa influência sobre o eleitorado da “classe média”. Ele inclusive aumentou as amostras em oito estados. Estes concentraram 9.750 entrevistas, do total de 10.730. Ou seja, sobraram para 19 estados apenas 980 entrevistas. Como efeito da amostragem distorcida, o resultado fica totalmente viciado, favorecendo José Serra.

No caso da última pesquisa, o Datafolha ainda “inovou” ao juntar as coletas estaduais e nacional. As discrepâncias são enormes. Apesar de Dilma aparecer com larga vantagem em várias estados, na enquete nacional ela ainda fica atrás de Serra. Esta opção, além das motivações políticas para favorecer o seu candidato, tem razões comerciais. O Datafolha garfou mais grana. A pesquisa nacional custou R$ 194 mil. Somado às pesquisas estaduais, o valor total ficou em R$ 776.258.

Influência nefasta das pesquisas

Diante destes e outros fatos escabrosos – como a absurda diferença entre a pesquisa espontânea e a estimulada do Datafolha (na segunda, Dilma aparece um ponto abaixo; já na espontânea, mais consistente, ela está cinco pontos à frente) –, não resta dúvida que é urgente promover rigorosa auditoria no instituto do Grupo Folha. Mesmo na fase de pré-campanha na rádio e televisão, as pesquisas jogam importante papel. Elas consolidam os palanques estaduais, garantem os recursos financeiros e já influência na subjetividade do eleitor. Qualquer manipulação é crime eleitoral!

No mês passado, o Movimento dos Sem Mídia (MSM), encabeçado pelo blogueiro Eduardo Guimarães, ingressou na justiça solicitando rigorosa investigação dos quatro institutos. Caso a “caixa preta” do Datafolha seja aberta, “vai voar tucano para todo lado”, brinca o jornalista Paulo Henrique Amorim. Talvez até o instituto da famíglia Frias seja obrigado a mudar de nome para limpar a imagem. Algumas singelas sugestões: Datafalha, Datafraude ou DataSerra!