A letra miúda do caos

03/07/2012

Por Saul Leblon no site Carta Maior 

 

No último fim de semana, Atlanta, nos EUA, registrou a maior temperatura de sua história: 41 graus Celsius. A onda de calor foi sucedida de tempestades; vendavais com força equivalente a de um tufão também fizeram 13 vítimas em Washington, na sexta-feira, provocando destruição residencial e falencia no fornecimento de energia. A capital dos EUA está praticamente paralisada desde então, espremida entre o caos e ondas de calor, as mais elevadas dos últimos 135 anos.

No centro e no sul da Espanha os termômetros atingem  cerca de 40 graus: recorde histórico para o verão. Enormes extensões de bosques ardem no pior incêndio em duas décadas, que já consumiu cerca de 50 mil hectares na região da Valencia, em meio à seca infernal.  As mais intensas chuvas de monções em uma década mataram dezenas de pessoas na Índia. Milhares de aves morrem de fome na costa peruana, por conta da escassez de cardumes decorrente do aquecimento anormal das águas do Pacífico, sinal de ocorrência do El Niño, fenômeno cíclico de efeitos magnificados num planeta cada vez mais vulnerável.

As notícias em letra miúda se sucedem. Só alcançam as manchetes quando a escala da engrenagem em curso se explicita em catástrofes épicas — logo esquecidas na inquietante sucessão de registros de pé de página. A letargia permite que as cúpulas globais não incluam o risco ambiental na agenda de urgências impostas pela maior crise do capitalismo desde os anos 30.

Do mesmo modo, o a-historicismo engajado dos verdes se permite discutir o ‘futuro que queremos’, como aconteceu na Rio+20,  sem assumir que a supremacia financeira atual não cabe nesse futuro. Ou melhor, representa a principal ameaça a ele.

Em escala local, a esquizofrenia atinge a agenda das campanhas municipais. Em São Paulo, a convergência entre crise climática e desordem urbana descortina um futuro de equilíbrio equivalente ao espetáculo de um cão chupando manga. Manga de 1.500 km2 de insensatez e concreto. O tema, porém, tem merecido no debate eleitoral a mesma prioridade que os corredores de transporte coletivo e a permeabilidade do solo nas marginais do Tietê desfrutaram no condomínio administrativo Serra/Kassab: zero.

Oremos.


Mídia oculta negócios de Serra e Kassab com esquema Cachoeira

06/05/2012

Por Eduardo Guimarães no Blog da Cidadania

Esta matéria precisa ser lida não apenas pelos parlamentares membros da CPI do Cachoeira, mas por toda a classe política, sobretudo por aqueles políticos que estão do lado oposto ao que estão os grandes meios de comunicação, o lado governista.

De sexta-feira para cá, falei ao telefone com dois políticos governistas de grande expressão. Ambos, sem combinarem nada entre si, relataram-me que enxergam risco concreto de parte dos governistas na CPI se unir à oposição para aliviar a barra da mídia nas investigações.

Um político governista que integra a CPI (como suplente) e que pode agir nesse sentido é o senador Delcídio Amaral (PT-MS), outro é o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Ambos trabalham, junto à oposição, para blindar a mídia.

Mas não são apenas os membros governistas da CPI que deveriam atentar para este texto, mas toda a classe política, pois político algum pode ter certeza de que estará sempre do lado que a mídia apóia.

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Inflação e PIB: 4,5%. Selic: 8%. Dilma como cabo eleitoral

08/04/2012

Conversa Afiada


A Urubóloga agora trata de Verde, Direitos Humanos e, neste domingo, no Globo, das Malvinas.

Deve ser o início do Outono, quando os urubus migram – sabe-se lá para onde.

O PiG (*) está desnorteado, a ponto de o Estadão, salvo pelos bancos de sonora falência, ficar contra a queda dos juros.

Porque a JK de Saias botou R$ 45 bi do BNDES a juros reduzidos, e levou o BB e a Caixa a fazer um corte profundo nas taxas, para obrigar os bancos privados a se coçar.

E o Farol de Alexandria e seu Planejador-Mor prometeram ao FMI vender a Caixa, o Banco do Brasil, e, na gestão de Francisco Gros, transformar o BNDES numa sucursal do Morgan Stanley.

(A Urubóloga sabe disso …)

Na entrevista que concedeu a este ansioso blogueiro, o Ministro Guido Mantega previu que o PIB este ano ficará acima de 4%, porque as medidas que tomou conduzem a esse resultado.

A queda do IPCA e a política cautelosa do Banco Central – que a Urubóloga combateu com fúria Hayekiana – levam a uma taxa Selic perto de 8% este ano.

Assim, amigo navegante, quando se travar a eleição municipal, em outubro, a economia vai estar com fogo nas ventas, a se  preparar para as vendas do Natal.

PIB de 4,5%.

Inflação de 4,5%.

E Selic de 8%.

Outro dia, na festa de lançamento da nova programação da Record, quando este ansioso blogueiro conversou com o Montenegro do Globope e soube que a populariade da Dilma é um foguete, conversou também com o prefeito Kassab.

E perguntou quem ganharia a eleição em São Paulo.

Kassab respondeu que era muito difícil prever, porque os três candidatos não tinham uma história de campanha para prefeito, portanto, são “imprevisíveis”.

Aí, o ansioso blogueiro lembrou: mas, prefeito, tem o Cerra que já foi candidato a tudo.

Ah, é verdade, ele se lembrou: o Cerra é a exceção.

Aí, o ansioso blogueiro contou que tinha acabado de conversar com o Montenegro, na roda ao lado, e mencionou a popularidade do tipo “foguete”.

O prefeito Kassab admitiu que, na hora da eleição, quando a popularidade da Dilma e o Nunca Dantes com voz aparecerem na campanha de São Paulo, vão fazer um estrago.

E rapidamente acrescentou: nós (do PSD) temos votado sempre com ela !

Bye-bye Cerra forever !

Paulo Henrique Amorim


Serra apoia Dilma contra Aécio, diz Kassab ao PT

02/03/2012

Saiu na Folha

FÁBIO BRANDT
DE BRASÍLIA

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, revelou nesta quinta-feira (1) uma conversa constrangedora para o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD). O diálogo, segundo o petista, ocorreu no primeiro semestre de 2011, quando Kassab ainda não tinha escolhido apoiar o rival do PT, José Serra (PSDB), na eleição municipal de 2012.

Leia a transcrição da entrevista de Rui Falcão à Folha e ao UOL
Veja galeria de fotos da entrevista de Rui Falcão

Na ocasião, afirmou Falcão, Kassab declarou: “Para a [presidente] Dilma, a melhor coisa que poderia acontecer é o Serra prefeito de São Paulo. Porque se tiver Dilma e Aécio [Neves, do PSDB], Serra é Dilma [na disputa presidencial de 2014]”.

Rui Falcão falou sobre o assunto no “Poder e Política – Entrevista”, programa do UOL e daFolha conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues no estúdio do Grupo Folha em Brasília.

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Está difícil para todo mundo em São Paulo

01/03/2012

Uma derrota em São Paulo pode levar o PSDB a uma longa agonia terminal. A campanha não será um passeio para ninguém. Se insistir no preconceito e no moralismo, como em 2010, Serra pode conduzir a disputa para o esgoto. Ao mesmo tempo, o PT começa a batalha acuado entre a confusão e a defensiva.

Por Gilberto Maringoni, na Carta Maior

Não é nada fácil a vida dos candidatos a prefeito de São Paulo.

José Serra não tinha outro caminho a não ser entrar na disputa. Aliás, o PSDB não tinha outro caminho na não ser ter Serra como candidato. Aliás, O PSDB nacional não tinha outro caminho a não ser chamar Serra para o ringue paulistano.

Não é apenas ele, pessoa física, que faz do embate em outubro próximo a última chance de continuar na ribalta. A crise que mina o PSDB e a parcela da direita brasileira que decidiu ficar na oposição só pode ser estancada com uma vitória em São Paulo. Se o partido perder a maior prefeitura do país, não é Serra que ficará sem palanque em 2014. É o tucanato e seus aliados que serão espremidos entre 12 anos de gestão petista no plano nacional e uma administração municipal que receberá toda a atenção federal possível.

Tirando o PT, o PCdoB, o PSOL e o PSTU – partidos que têm forte presença nos movimentos sociais – nenhuma agremiação brasileira sobrevive fora do Estado. Uma derrota dos tucanos nessa situação pode depená-los em uma lenta agonia terminal.

Por isso não apenas a vitória é decisiva, como a campanha de Serra representará a nacionalização da batalha paulistana. É o terreno mais favorável a ele, pois tirará de cena a gestão Kassab, muito mal avaliada pela população.

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O almoço frio

29/02/2012

Por Marco Aurélio Mello no Blog DoLaDoDeLa

O flagrante foi feito pelo fotógrafo Moacyr Leite Júnior e estampou a capa do Jornal Folha de São Paulo de domingo, às vésperas das eleições de 2008. O ex-governador Geraldo Alckmin almoçava sozinho num pequeno restaurante da Liberdade, região central de São Paulo.

Era o triste desfecho da campanha à prefeitura de São Paulo que teve a favoritíssima Marta Suplicy, com tudo para se eleger, mas que subiu no salto, cometeu erros primários e não soube compreender as reais possibilidades de seu principal adversário, o prefeito Gilberto Kassab, herdeiro político de José Serra.

Aquele almoço foi um prato frio, díficil de Alckmin engolir. Mais um prato servido por um dos caciques do seu próprio partido, Serra. A vingança demorara dois anos e fora tramada nos mínimos detalhes, depois que Serra teve que engolir a candidatura de Alckmin à presidência, em 2006.

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Serra não é o dono da bola

28/02/2012


A adesão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) à candidatura de José Serra (PSDB) é apenas o começo do jogo. O tucano tem que enfrentar uma alta rejeição, inventar um discurso que não seja o udenista e convencer o eleitor que não vai vencer e dar o seu mandato para o vice.

Por Maria Inês Nassif no site Carta Maior

Ao contrário do que diz o senso comum, de que não existe páreo para José Serra nas eleições de outubro, o fato é que a candidatura do tucano está longe de ser um passeio. A aliança com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), serve para não rachar o eleitorado conservador – e era isso que o PT queria quando negociava com o prefeito a adesão à candidatura de Fernando Haddad. O PSD, todavia, não agrega voto não conservador. PSDB e PSD bebem do mesmo copo. A opção de Kassab não divide, mas também não acrescenta.

Era tentadora para o PT a adesão de Kassab à candidatura petista de Fernando Haddad. Pelos cálculos do partido, ela poderia balançar a hegemonia tucana na capital, mantida pela alimentação do conservadorismo de uma classe média facilmente influenciável por um discurso de caráter udenista – que colou no PT a imagem da desonestidade, pelo menos em redutos conservadores -, e que tem uma certa aversão a mudanças. Rachar o eleitorado conservador e agregar a ele o voto não conservador aumentariam, em muito, as chances de vitória do PT. A ausência do apoio do PSD, todavia, não definem a derrota do PT antes mesmo que se inicie, de fato, o processo eleitoral. Votos conservadores do PSDB, somados aos votos conservadores do PSD, podem manter o status quo dos dois grupos junto à direita paulistana, mas não bastam para arregimentar o eleitorado de centro que, em polarizações recentes, tem se inclinado favoravelmente a candidaturas tucanas (ou antipetistas).

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