Crise do PSDB vai além do palanque de Serra

11/09/2012

Por Saul Leblon no site Carta Maior

São preocupantes mas não surpreendentes para o PSDB as notícias que chegam das periferias de São Paulo. Reportagem do jornal Valor desta segunda-feira sinaliza que candidatos do partido à vereança já abandonam a candidatura Serra. A sangria nas franjas da pobreza onde o tucano nunca foi popular  não chega  a espantar. Mas agrava uma anemia de fundo,  essa sim de consequências aflitivas para o tucanato.

O declínio que ela sinaliza extrapola em muito o fiasco insinuado no pleito municipal. Chega a ser irônico que Serra  tenha sido capturado pelo destino para protagonizar  esse momento de desmanche  do partido. O ex-governador  sempre fez questão de se diferenciar  de seus pares  por uma suposta opção  ‘desenvolvimentista’ – ‘ de boca’, corrigiria Maria da Conceição Tavares, que o conhece bem.

A decana dos economistas brasileiros tinha razão. Se o desenvolvimentismo de Serra fosse mais que ornamental  esse seria o  momento de exercer uma liderança mudancista  no PSDB. O fato de se agarrar pateticamente à tecla do ‘mensalão’, e ao ‘apoio de FHC’  no horário eleitoral, diz mais sobre o esgotamento político desse personagem do que  o salve-se quem puder de correligionários nas periferias conflagradas, de resto imiscíveis com o seu higienismo social.

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FHC ouviu o galo cantar; achou que era um tucano

14/07/2012

Por Saul Leblon no site Carta Maior

Fernando Henrique Cardoso recebeu um prêmio da Biblioteca do Congresso dos EUA, cuja primeira edição agraciou a tradição dos intelectuais arrependidos da esquerda. O polonês Leszek Kolakowski inaugurou a fila do ‘Pluge’ em 2003 depois de concluir uma baldeação do marxismo ortodoxo à rejeição radical da obra de Marx, classificada por ele como a ‘maior ilusão do século XX”. No caso de FHC, o prêmio de U$ 1 milhão brindou os desdobramentos políticos de suas reflexões sobre a dependência. No entender dos curadores, elas teriam demonstrado como os países periféricos ‘podem fazer escolhas inteligentes e estratégicas’ (leia-se dentro dos marcos dos livres mercados) mesmo estando em desvantagens em relação às nações industrializadas”.

O tucano não decepcionou. Na entrevista após embolsar o galardão falou grosso. E acusou Lula de ser responsável pelas agruras atuais da indústria nativa (perda de competitividade e de peso no PIB), ao interromper as reformas liberalizantes. Isso mesmo, aquelas das quais seu governo foi um instrumento e cuja correspondência no plano internacional, como se verifica, legou-nos um mundo de fastígio e virtudes sociais. O diagnóstico do sociólogo, como se sabe, vem ancorado em atilada visão macroeconômica.

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Crise exige mais ousadia do governo

06/07/2012

 Por Altamiro Borges no Blog do Miro

 Não dá para dizer que o governo Dilma Rousseff está inerte diante dos efeitos da grave crise econômica mundial. Ele também não tem adotado o clássico e destrutivo receituário neoliberal, com privatizações, demissões no setor público e contrarreformas regressivas. Mesmo assim, as medidas adotadas até agora pela equipe econômica não conseguiram reverter a tendência de queda do crescimento do país. O próprio governo já admite que o PIB deverá crescer apenas 2% neste ano – uma taxa bastante tímida.
 
 
Recuo de 4,3% na produção industrial
 
No início do ano, o ministro Guido Mantega chegou a projetar um crescimento de 4%, após o baque do “pibinho” de 2,7% no ano anterior. Logo depois, a meta foi rebaixada para 3,5% e 2,5%. Agora já se fala, nos bastidores, num crescimento de 2% ou menos. Os dados recentes da indústria parecem confirmar a baixa expectativa. A produção industrial recuou 4,3% em maio, na comparação com o mesmo mês de 2011. A presidenta Dilma ainda garante que “vamos virar esse jogo”, mas os sinais não são animadores.

Dilma: o que fazer com a banca na crise?

13/06/2012

Por Saul Leblon no site Carta Maior

“Além de termos a inflação sob controle, e as finanças públicas sob controle, temos ainda um consumo extremamente deprimido nas classes mais populares e não temos nível elevado de endividamento das famílias; (tampouco) existe ‘bolha’ no setor de construção civil. Qual é (então) a nossa diferença que explica – tecnicamente, não estou pedindo explicação política para isso – que os juros não se (coadunem) com a qualidade da nossa situação econômica?” O desabafo da Presidenta foi feito ontem, em Belo Horizonte, num dia de forte turbulência internacional, marcado pela incerteza crescente na economia européia, sem que as autoridades do euro esbocem qualquer medida contracíclica consistente para retomar o crescimento.

A prática ortodoxa de apenas socorrer bancos à beira do abismo, ainda que necessária, comprovou mais uma vez a sua insuficiência agora na Espanha. Setenta e duas horas depois do resgate de 100 bi de euros liberado por Bruxelas, para salvar banqueiros locais, os mercados intensificam a fuga de capitais de um país prostrado pela receita suicida de cortes fiscais drásticos em plena recessão.

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Dilma: “Eu vou fazer o que tem que ser feito”

13/05/2012

Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho

dilma abr Dilma: Eu vou fazer o que tem que ser feito

Banqueiros. Latifundiários. Militares. Quem mais teria coragem de enfrentar os interesses destas corporações em assuntos considerados intocáveis até outro dia, como queda de juros, reforma do Código Florestal e criação da Comissão da Verdade, verdadeiros tabus históricos?

Sem se preocupar com o que os outros vão pensar, a presidente Dilma Rousseff resolveu ir à luta em variadas frentes nas últimas semanas, comprando muitas brigas ao mesmo tempo. Vai ganhar todas? Só o tempo poderá dizer, mas ela não é de fugir da raia.

“Com a popularidade que esta mulher tem, até eu…”, poderia desdenhar algum representante dos 5% que não gostam do governo dela.

Não é bem assim, como ouviu na semana passada o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao fazer um comentário sobre a alta aprovação de Dilma nas pesquisas, durante reunião em que ela explicou aos empresários as mudanças nas regras da caderneta de poupança, outro tema delicado que ela resolveu encarar.

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Juros encabrestados

06/05/2012

Por Mauro Santayana no site Carta Maior

Mauro Santayana

Não há melhor definição da importância e da perversão dos bancos do que a de um comitê de intelectuais – entre eles editores de jornais – que se reuniu em março de 1829, na cidade de Filadélfia. Depois de uma semana de discussão, o comitê redigiu sua conclusão sobre o sistema financeiro, por unanimidade. O sumo do documento foi publicado por The Free Advocate em sua edição semanal de 9 a 16 de maio do mesmo ano:
“Que os bancos sejam úteis como instituições de depósito e transferências, nós podemos admitir prontamente, mas não podemos concordar que esses benefícios  sejam tão grandes como para compensar os males que produzem, ao criar artificial desigualdade de riquezas e, dessa forma, artificial desigualdade de poder. Se o atual sistema bancário e de papel moeda ampliar-se e perpetuar-se, os trabalhadores  devem abandonar todas as esperanças de adquirir qualquer propriedade”.

Do Comitê participavam dois economistas destacados e editores de jornais, William Gouge, da Philadelphia Gazette, e Condy Raguet, do Free Trade Advocate;  William Dune, velho jornalista jefersoniano; o filantropo Robert Vaux, Ruben Whitney, ex-diretor do Banco e os líderes sindicais William English e James Ronaldson. O encontro foi registrado por Arthur M. Schlesinger, Jr. em seu estudo clássico sobre o período, “The Age of Jackson”, publicado em 1945.

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O rumo do governo Dilma

03/05/2012

Por Luis Nassif no site da Carta Capital

Durante um ano o governo Dilma Rousseff foi cauteloso. Desarmou bombas deixadas pelo caminho, baixou a fervura das disputas com a mídia, deu reconhecimento devido ao principal referencial da oposição, Fernando Henrique Cardoso, e ousou pouco.

Passou a impressão de ter se curvado aos excessos da realpolitik, da cautela.

Mas apenas seguia uma estratégia pensada, gradativa, mas sem perder de vista o objetivo final.

Passado o primeiro ano, consolidada a gestão, com índices altos de popularidade, Dilma deu início à segunda fase, a da ousadia. E colocou para fora seu lado desenvolvimentista, avançando contra dogmas de mercado, falsos

O discurso de Dilma no 1º de maio é um divisor de águas, uma espécie de travessia de Rubicão, no qual pela primeira vez estão explicitados os objetivos maiores do governo.

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