Os Últimos 18 Anos e os Próximos

30/09/2012

Os primeiros 18 anos da Carta Capital foram marcados, na política brasileira, por uma decepção e uma grata surpresa. Ambas tão intensas que, muito provavelmente, continuarão a marcar os próximos 18.

A decepção veio de havermos experimentado a melhor opção que as elites tradicionais tinham a oferecer ao País e de a experiência ter sido considerada quase consensualmente frustrante. A boa surpresa foi o desempenho de uma pessoa do povo como presidente da República.

Quando Fernando Henrique Cardoso venceu a eleição de 1994, encerrava-se o ciclo dramático do retorno à democracia. Nos dez anos anteriores, havíamos passado por uma combinação particularmente negativa de crises e desafios: economia estagnada, hiperinflação e as tensões provocadas pelo esforço de construir uma ordem democrática depois de longa ditadura.

Como se não bastassem os problemas inevitáveis, ainda tivemos que lidar com infortúnios imprevisíveis.

A de 1994 não foi uma eleição para ser disputada, pois seu resultado estava encomendado  de véspera. Ninguém conseguiria bater um candidato apresentado como autor do mágico plano econômico lançado meses antes. Os eleitores foram às urnas maravilhados com o homem que, a golpes de genialidade, acabara de derrotar a inflação.

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Crise do PSDB vai além do palanque de Serra

11/09/2012

Por Saul Leblon no site Carta Maior

São preocupantes mas não surpreendentes para o PSDB as notícias que chegam das periferias de São Paulo. Reportagem do jornal Valor desta segunda-feira sinaliza que candidatos do partido à vereança já abandonam a candidatura Serra. A sangria nas franjas da pobreza onde o tucano nunca foi popular  não chega  a espantar. Mas agrava uma anemia de fundo,  essa sim de consequências aflitivas para o tucanato.

O declínio que ela sinaliza extrapola em muito o fiasco insinuado no pleito municipal. Chega a ser irônico que Serra  tenha sido capturado pelo destino para protagonizar  esse momento de desmanche  do partido. O ex-governador  sempre fez questão de se diferenciar  de seus pares  por uma suposta opção  ‘desenvolvimentista’ – ‘ de boca’, corrigiria Maria da Conceição Tavares, que o conhece bem.

A decana dos economistas brasileiros tinha razão. Se o desenvolvimentismo de Serra fosse mais que ornamental  esse seria o  momento de exercer uma liderança mudancista  no PSDB. O fato de se agarrar pateticamente à tecla do ‘mensalão’, e ao ‘apoio de FHC’  no horário eleitoral, diz mais sobre o esgotamento político desse personagem do que  o salve-se quem puder de correligionários nas periferias conflagradas, de resto imiscíveis com o seu higienismo social.

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Decisão judicial revive escândalo do Banestado e respinga em Serra

31/08/2012

 

Correio do Brasil

A Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça e o Departamento Internacional da Advocacia-Geral da União confirmaram, na manhã desta quinta-feira, uma decisão judicial na Corte Distrital de Nova Iorque que  garante a repatriação de valores depositados em conta bancária usada para o envio ilegal de recursos para o exterior no caso Banestado. O valor a ser restituído ao Brasil é de U$ 1,080 milhão (cerca de R$ 2,2 milhões). As investigações tiveram origem no escândalo do Banestado, ainda em 2003, no qual estavam envolvidos políticos tucanos e do DEM, entre eles o candidato a prefeito de São Paulo José Serra e o ex-senador Jorge Bornhausen (antigo PFL).

Em 2005, os recursos foram bloqueados nos Estados Unidos em decorrência de um pedido de cooperação jurídica internacional feito pelo governo brasileiro. Em 2010, o bloqueio caiu e a quantia foi transferida para o governo dos EUA, que ajuizou ação judicial – denominada interpleader action – a fim de determinar a quem caberia o montante. O pedido foi apresentado pelo Brasil no decorrer desta ação. O livro Privataria Tucana, que acabou se tornando um best seller, do jornalista Amaury Jr., traz detalhes sobre o caso.

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Entrada de Marta na campanha de Haddad pode ser a última bóia de salvação de Serra

29/08/2012

 Blog do Mello

A campanha de Serra vem se desintegrando sozinha, desde que o tucano se lançou candidato à prefeitura de São Paulo. A única coisa que cresce é a rejeição a seu nome, não só pelo desgaste do material, mas também porque o paulistano sabe que ele é o culpado de Kassab estar à frente da prefeitura.

As pesquisas mostram que a administração Kassab é reprovada (ruim/péssima) por 43% dos paulistanos e 80% deles querem mudança. E que eles sabem que Kassab é Serra e Serra é Kassab.

Informações recentes do tracking das duas campanhas (PT e PSDB) já colocam Serra com em torno de 20% de votos, mostrando uma queda vertiginosa rumo ao fundo do poço.

A campanha de Haddad na TV é avassaladora. Mostra em imagem, som e edição primorosos uma candidatura dinâmica, arrojada, disposta a trabalhar. Uma candidatura com tesão.

Já Serra parece cansado, com um sorriso falso colado à boca, repetindo a mesma ladainha da Mooca, o mesmo trololó, um ranço de passado.
Campanha política é uma guerra de pautas. Não há dúvida de que a campanha de Haddad está impondo a sua, o que coloca a campanha de Serra na defensiva, no contra-ataque.

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Mensalão: tucano não é mais réu primário

08/08/2012

Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada

 

A fúria Golpista para condenar Dirceu (e Lula e Dilma) terá um efeito saudável, além da absolvição de Dilma, Lula e Dirceu.
(Nunca é demais insistir que o mensalão não passa de uma tentativa de Golpe para rever o resultado das eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2010. Se Caixa Dois desse cadeia, o Congresso Nacional seria um deserto.)
O melhor da Cruzada ensandecida do PiG (*) será um fato político irrecorrível.
Os tucanos perderam a inocência.
Não são mais réus primários.
Por mais que a “opinião pública” ignore os crimes do PSDB, de Cerra e FHC – os que o Miro enumerou -, torna-se inevitável uma certa  isonomia.
A imagem completa do elefante, como sugeriu o Safatle, que não se deixa contaminar pela companhia, ao lado, na página dois da Folha (**)
A opinião pública e a Magistratura serão induzidas à isonomia.
A Magistratura tem um déficit de legitimidade que só essa isonomia poderá corrigir.
O Daniel Dantas pode ser poupado no mensalão tucano de Minas ?
O Cavendish é corrupto em Goiás e um santinho do pau oco na marginal (sic) de São Paulo ?
A ponte aérea Goiânia-Guarulhos leva à conversão, à virtude ?
A hipocrisia – como demonstrou a Carta Maior – dos mensaleiros, sonegadores e Dantas ficou mais difícil de se sustentar.
O Zezinho 30, por exemplo.
Sua carreira foi tisnada 25 anos atrás por Flavio Bierrembach, quando ainda servia ao “imaculado” Governo Montoro, em São Paulo.
De que vive o Cerra ?
Da aposentadoria na Unicamp ?
Dos proventos da Câmara, do Senado ?
Quem paga os jantares no Café Bouloud em Nova Iorque ?
As viagens de taxi aéreo ao Acre ?
A filha ? O genro ? O Mr Big ?
Essa inimputabilidade foi longe demais.
A hipocrisia – dele e do PiG – se desconstruiu na própria Cruzada merválica pelo pescoço do Dirceu (e  do Lula e da Dilma).
Como é que a “opinião pública” e a Magistratura podem ser mobilizadas durante sete anos para tratar de um mensalão que não se prova, e ficar calada diante da Privataria Tucana, a maior Privataria de uma Privataria latino-americana ?
Os tucanos perderam a virgindade na ânsia de matar o Dirceu (e o Lula e a Dilma).


A blogofobia de José Serra

31/07/2012

 

Por Leandro Fortes

A blogosfera e as redes sociais são o calcanhar de Aquiles de José Serra, e não é de agora. Na campanha eleitoral de 2010, o tucano experimentou, pela primeira vez, o gosto amargo da quebra da hegemonia da mídia que o apóia – toda a velha mídia, incluindo os jornalões, as Organizações Globo e afins. O marco zero desse processo foi a desconstrução imediata, online, da farsa da bolinha de papel na careca do tucano, naquele mesmo ano, talvez a ação mais vexatória da relação imprensa/política desde a edição do debate Collor x Lula, em 1989, pela TV Globo. Aliás, não houvesse a internet, o que restaria do episódio do “atentado” ao candidato tucano seria a versão risível e jornalisticamente degradante do ataque do rolo de fita crepe montado às pressas pelo Jornal Nacional, à custa da inesquecível performance do perito Ricardo Molina.

A repercussão desse desmonte midiático na rede mundial de computadores acendeu o sinal amarelo nas campanhas de marketing do PSDB, mas não o suficiente para se bolar uma solução competente nas hostes tucanas. Desmascarado em 2010, Serra reagiu mal, chamou os blogueiros que lhe faziam oposição de “sujos”, o que, como tudo o mais na internet, virou motivo de piada e gerou um efeito reverso. Ser “sujo” passou a ser um mérito na blogosfera em contraposição aos blogueiros “limpinhos” instalados nos conglomerados de mídia, a replicar como papagaios o discurso e as diatribes dos patrões, todos, aliás, alinhados à campanha de Serra.

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PHA aponta desespero de Serra

24/07/2012

Brasil 247

247 – Promete render a polêmica aberta pelo PSDB, que ameaça entrar com representação contra a União por patrocinar os chamados “blogs sujos”, por supostamente fazerem parte da “tropa nazista” do PT na internet. Um dos alvos é o Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, que, em seu blog, reagiu, apontando desespero do candidato tucano. Leia:

Primeiro, foi a Folha, que ficou muito incomodada com o sucesso do Conversa Afiada.

Depois, foi o Gilmar, o ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo, aquele que aparece no grampo sem audio e depois o Demostenes diz ao Carlinhos: “O Gilmar mandou subir” .
Gilmar correu o risco de tomar um processo no Supremo por tentar restringir a liberdade de expressão e a liberdade de comerciar .

Gilmar é aquele a quem o Cerra se refere como ” meu presidente !” .

Agora é o Cerra que quer saber quem anuncia nos blogs ” sujos”, agora chamados de ” nazistas”.

A Dra Sandra Cureau também achou que, com isso, ia fechar a Carta Capital.

Depois, com o mesmo arcabuz, tentou fechar o Conversa Afiada e perdeu na Justiça.

Não adianta.

Cerra se encaminha para o fim da linha.