Disk Fonte: o jornalismo papagaio de repetição

29/08/2011


Blog do Sakamoto

Quando publiquei a primeira versão do “Disk Fonte: o jornalismo papagaio de repetição” não imaginei que ele acabaria sendo usado até em faculdades de jornalismo. Portanto, a pedidos, eu e os dois colegas que organizamos as listas iniciais fizemos uma atualização e trazemos novamente as fontes que todos amamos e, por isso, usamos ad nauseam.

Não existe imparcialidade jornalística. Qualquer estudante de jornalismo aprende isso nas primeiras aulas. Quando você escolhe um entrevistado e não outro está fazendo uma opção, racional ou não, por isso a importância de ouvir a maior diversidade de fontes possível sobre determinado tema. Fazer uma análise ou uma crítica tomando partido não é o problema, desde que não se engane o leitor, fazendo-o acreditar que aquilo é imparcial.

Infelizmente, muitos veículos ou jornalistas que se dizem imparciais, optam sistematicamente por determinadas fontes, sabendo como será a análise de determinado fato. Parece até que procuram o especialista para que legitime um ponto de vista. Ou têm preguiça de ir além e fugir da agenda da redação, refrescando suas matérias com análises diferentes. Dois amigos, grandes jornalistas com anos de estrada, ajudaram a fazer uma lista exemplar do que estou falando.

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O silêncio dos indecentes

29/08/2011


Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães

Ao constatar o silêncio sepulcral que se derramou sobre a grande mídia neste fim de semana, logo após a denúncia que a revista Veja fez contra o ex-ministro José Dirceu e a que este fez contra a revista, fiquei imaginando quantos jornalistas sérios existem nesses grandes veículos que podem estar tendo a decência de se indignar com seus patrões por estarem impedindo que façam seu trabalho.

Para quem chegou agora ao noticiário político e não sabe sobre o que se refere esse caso, ou para você que, aí no futuro, está lendo o que escrevi no passado, explico que o ex-ministro José Dirceu, no fim de agosto de 2011, denunciou em seu blog que a revista Veja mandou um repórter tentar invadir seu apartamento em um hotel de Brasília pouco antes de publicar matéria com a “revelação” de que se reunia, ali, com correligionários políticos.

Na matéria, a revista Veja fez suposições sobre as razões que levaram aqueles políticos a se reunirem no hotel Naoum, em Brasília, baseando-se na premissa inverídica de que por Dirceu estar sendo processado pelo Supremo Tribunal Federal pelo “escândalo do mensalão” e por ter tido cassado seu direito de disputar eleições estaria impedido, de alguma forma, de fazer articulações políticas. As suposições, surpreendentemente, são tratadas como fatos pela matéria da Veja.

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José Reinaldo: Miriam Leitão faz tremer a ossada do Barão

29/08/2011

José Reinaldo, no sítio vermelho.org.

A mídia brasileira vendida aos monopólios e em absoluto conluio com os agressores imperialistas dos Estados Unidos e União Europeia, que através da Otan estão massacrando o povo líbio, está em ruidosa campanha para “provar” que o Brasil tomou uma posição “decepcionante” ao não reconhecer o Conselho Nacional de Transição da Líbia, acompanhando a posição tomada em maio pelos Estados Unidos e a União Europeia.

Com a evolução dos acontecimentos dos últimos dias, a campanha passou a ser para que o Brasil reconheça logo o “novo governo” do país norte-africano.

Para isso, mobilizou todo o seu arsenal propagandístico, entrevistou professores de relações internacionais, alguns dos quais, para sua decepção concordaram com a prudência do governo brasileiro. A CBN redistribuiu tarefas e por dois dias livrou o distinto público das diatribes de Miriam Leitão, “analista” sobre política macro-econômica. O que resultou num desastre, pois ao promover a jornalista a comentarista de política externa, fez remexer a ossada do Barão.

Para repetir o mantra de que o Brasil já devia ter reconhecido o “novo” governo da Líbia, porque os Estados Unidos e a União Europeia já o fizeram antes, a moça desancou a instituição fundada pelo velho Rio Branco. “O Brasil tem uma posição completamente equivocada quanto à Líbia e a Síria. Errou cem por cento do tempo”, sentenciou, confundindo o distinto público, que por um átimo foi levado a pensar que escutava uma catedrática do Department of State ou do Foreign Office. Pois com tanta sapiência, não creio que a moça quisesse passar por uma professora do Instituto Rio Branco ou da Fundação Alexandre de Gusmão.

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Veja é a CIA ou a KGB do jornalismo?

29/08/2011


Do Blog Tijolaço, de Bizola Neto


Li o o que saiu na internet da matéria da Veja sobre o ex-ministro José Dirceu. Afora a o ódio político da revista, não há nenhum fato que  possa ser configurado como algum ato ilícito. E, como não é servidor público, não caberia  – mesmo que fosse verdade – saber se lhe pagaram uma diária de hotel. Conversar com deputados, senadores ou ministros é direito de qualquer um, inclusive de Dirceu.

Agora, não é direito de ninguém obter, de maneira clandestina, as imagens de um circuito privado de TV de um hotel, feito para a segurança dos hóspedes e visitantes e não para ser cedido a ninguém para bisbilhotar quem entra e sai.

Supondo-se, claro, que sejam imagens do circuito privado do hotel, não de alguma câmera secreta instalada por um “araponga” a serviço da revista.

De uma forma ou outra, espionagem e violação. Tal como fez o jornal de Murdoch com telefones na Inglaterra, a Veja  “grampeou” um corredor de hotel.

Um empresa – a Editora Abril – que usa estes métodos, que mais pode fazer com a vida privada – e até a íntima – de pessoas conhecidas, na política ou em outras áreas?

Seja qual for a razão ou motivo, salvo uma investigação policial fundamentada e devidamente acompanhada pelo Ministério Público e pelo Judiciário, pessoas podem ser colocadas sob este nível de vigilância.

Ou a revista se acha a CIA  ou a KGB do jornalismo?

Não, sei, mas que é caso de polícia, é.


Chile vive segundo dia da greve geral de trabalhadores

28/08/2011

Agência Carta Maior

A quinta greve nacional desde o retorno da democracia em 1990 reflete que há algo que resiste à mudança no Chile: a direita que criou o atual modelo econômico, político e social instaurado com a ajuda do ditador Augusto Pinochet nos 17 anos que durou sua ditadura. Mobilização reúne trabalhadores e estudantes: os dois atores que mais perderam com a sociedade de mercado instalada pela direita, aprofundada pelos governos da Concertação entre 1990 e 2010 e radicalizada pelo atual governo. A reportagem é de Christian Palma, direto de Santiago do Chile.

Christian Palma – Correspondente da Carta Maior em Santiago (@chripalma)

A quinta greve nacional desde o retorno da democracia em 1990 reflete que há algo que resiste à mudança no Chile: a direita que criou o atual modelo econômico, político e social instaurado com a ajuda do ditador Augusto Pinochet nos 17 anos que durou sua ditadura.

Na noite de terça-feira, 23 de agosto, na véspera dos dois dias da greve convocada pela Central Unitária de Trabalhadores (CUT), a principal organização sindical do país, que representa cerca de um milhão de trabalhadores, começou a primeira grande manifestação cidadã de rechaço ao governo e ao modelo vigente com um novo e massivo “panelaço”, onde milhões de pessoas saíram de seus lares com suas panelas para protestar simbolicamente – do mesmo modo como faziam contra Pinochet – contra a precariedade dos mais pobres devido ao neoliberalismo extremo chileno.

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A censura já não existe, mas a tentação continua

28/08/2011

O fato de não terem sido produzidas muitas obras durante a Ditadura Militar brasileira, ou argentina, ou uruguaia, ou, ou…parece dizer exclamativamente o quanto deixamos de pensar durante esses períodos. E o quanto o pensamento obscurantista persistiu em muitos corações e mentes.

Carta Maior – Enio Squeff

“O pior da censura – concluía um intelectual, no princípio da redemocratização brasileira – é que ela se alimenta de si mesma, censurando-se”. De fato, enquanto alguns poucos jornais deixavam claro que estavam sendo coibidos – “O Estado de S.Paulo” a publicar receitas culinárias e o “Jornal da Tarde” a editar poesias – ambos nas suas respectivas primeiras páginas e no lugar das notícias – as outras publicações foram, terminantemente proibidas de se dizerem censuradas.

Para a Ditadura Militar, tudo tinha de correr conforme a mentira maior – de que viveríamos numa democracia. O corolário disso, contudo, foi a constatação feita por José Saramago logo após a “Revolução dos Cravos”, que restituiu a democracia a Portugal, depois de mais de trinta anos da ditadura salazarista. Era uma inverdade que as gavetas continham romances, ensaios e poesias a despeito da ditadura. Em tempos de ditadura, os cérebros funcionam a meia-boca: ninguém produz obras de arte na expectativa de não poder dizer sequer que a censura existe . No Brasil foram necessário mais de dez anos, desde o fim da Ditadura, para que, por fim, recomeçasse uma produção artística interrompida, principalmente durante o período governamental do general Garrastazu Medici.

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Lições da luta contra a corrupção

27/08/2011

Época – Paulo Moreira Leite

Em décadas de profissão, tive um papel importante em algumas denúncias de corrupção. Fiz reportagens sobre Fernando Collor, sobre o PMDB já nos tempos de Orestes Quercia, no PSDB das privatizações de telefonia e também no  PT. Se você for procurar as primeiras reportagens sobre desvio de recursos de prefeituras petistas no início dos anos 90 irá encontrar minha assinaturas em algumas delas. Aprendi algumas verdades neste processo.

A mais importante é que não podemos pensar a corrupção como um aspecto externo de nosso sistema político. Ela está em seu interior, é parte do ar que nossos políticos — de todos os partidos — respiram. Não há político sem tesoureiro, não há tesoureiro sem caixa 2 e não há caixa 2 sem dinheiro sujo  — seja fruto de sonegação fiscal, de pagamento de propina, da troca de favores prestados e assim por diante.

Outra lição importante é que boa parte das denúncias de corrupção tenta apresentar a luta política por idéias e interesses mais amplos como uma simples encenação sem sentido e sem impacto na economia e na vida da sociedade. Não é assim. Esta visão procura despolitizar a política.

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