Drogas matam. Mas matam quem?

16/01/2012

Blog do Sakamoto

Não é exatamente a pobreza que gera a violência do tráfico. Este se beneficia de um ambiente em que a população foi esquecida pelo governo e pela sociedade, no qual os serviços públicos são precários, o acesso à Justiça é difícil e as forças de segurança agem muitas vezes como aqueles a quem deveriam combater. O tráfico, para ser violento, depende da desorganização local e da ausência de ações do poder público.

Drogas matam. Mas os óbitos por overdose ou em decorrência de crimes cometidos sob a influência de entorpecentes ilegais são a minoria dos casos. Registros policiais mostram que há mais homicídios relacionados ao consumo excessivo de álcool – que é uma droga permitida e vendida na TV – do que a qualquer outra. A forma como o tráfico se organizou é a principal razão dessa guerra, cujas baixas normalmente são homens, jovens, pobres, moradores de comunidades carentes, envolvidos direta ou indiretamente nesse contexto. Em outras palavras, na maioria das vezes, matam-se entre si.

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Muralha policial em Higienópolis para preservar silêncio de FHC

12/01/2012

Sem Fronteiras por Wálter Fanganiello Maierovitch

FHC, morador em Higienópolis.

FHC, morador em Higienópolis.

No ano passado, o ex-presidente Fenando Henrique Cardoso, que nos dois mandatos presidenciais se submeteu à política norte-americana de guerra às drogas (war on drugs) de seu guru, o então presidente Bill Clinton, virou casaca, trocou bandeira.

FHC, em busca de um palanque internacional para concorrer com o então presidente Lula, reuniu antigos presidentes e dirigentes fracassados por adesão à guerra às drogas e submissão aos EUA para deitar sabedoria quanto às novas políticas sobre o fenômeno representado pelas drogas ilícitas no planeta.

Assim, FHC subiu ao palanque adrede preparado e vestiu panos de líder progressista, a encampar, como próprio, antigos posicionamentos antiproibicionistas. Até foi preparado um documentário, do tipo laudatório para exibição em cinemas, que não se tornou campeão de bilheteria.

Dentre a turma dos “vira-casaca”, que usam a desculpa do “nós reconhecemos que erramos e agora vamos mudar”, destacam-se:

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Alckmin devia ir ao Rio aprender a enfrentar a tragédia do crack

12/01/2012

Blog da Cidadania por Eduardo Guimarães

Nos últimos dias, o país assistiu a “aulas” do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Mas não foram as aulas de democracia que ele anunciou que gostaria de dar aos alunos da USP que resistiram à entrada de uma polícia militarizada na Cidade Universitária. Foram aulas de como não lidar com a Segurança Pública.

Na segunda-feira, o país assistiu ao “preparo” da Polícia que o governo paulista colocou na USP. Se aquele policial que saca a arma e esbofeteia por qualquer coisa representa o padrão dos policiais que estariam “policiando” a universidade, os alunos têm muita razão ao reclamar.

Mas a grande aula de incompetência, insensibilidade, preconceito e irresponsabilidade que o governador de São Paulo acaba de dar pôde ser vista na desastrada operação policial na Cracolândia paulistana.

Parece ocioso detalhar os defeitos da operação, mas incluem a criação de um grave problema de Segurança em regiões que não o tinham na dimensão que agora têm e a constatação de que seu único objetivo foi o que tem sido ventilado pela imprensa, o de mostrar serviço sem saber como.

A reação negativa dos paulistanos à ação policial na Cracolândia vem sendo tão intensa que a imprensa amiga do governador do Estado de São Paulo apressou-se em dizer que ele “Não sabia” de operação daquele porte.

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PM na USP, Cracolândia e as saudades da ditadura

10/01/2012


Blog do Sakamoto

Um estudante foi agredido por um policial militar, nesta segunda (9), no campus do Butantã da Universidade de São Paulo. O rapaz não quis mostrar a documentação estudantil e o policial chegou a sacar seu revólver, o que não deveria ser a abordagem padrão de um funcionário público treinado para lidar com pessoas e situações-limite. Enquanto isso, na Cracolândia, surgem denúncias de tortura contra dependentes químicos, medicados com balas de borracha e tratados contra o vício com bombas de efeito moral.

Mais do que um país sem memória e sem Justiça, temos diante de nós um Brasil conivente com a violência como principal instrumento de ação policial. E uma coisa está diretamente relacionada a outra. Durante os anos de chumbo, o regime dos verde-oliva cometeram crimes contra a humanidade que a esvaziada Comissão da Verdade, criada pelo governo Dilma, deve agora remexer para reestabelecer o que realmente ocorreu naquele tempo. Vai ter algum efeito, mas não conseguirá ir a fundo, como deveria. E não foi organizada para punir e sim para resgatar os fatos. Punições que seriam didáticas para o país.

Não estou esquecendo que existe uma Lei da Anistia, que está em vigor, e que o Supremo Tribunal Federal (infelizmente) decidiu por mantê-la quando questionado pela Corte Interamericana dos Direitos Humanos. A discussão aqui não é legal, ou seja, não é um debate sobre a mudança da lei e sim sobre a percepção coletiva sobre a impunidade de um Estado que serve a si mesmo e a grupos sociais que o controlam.

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Não-carta ao ex-presidente FHC

09/11/2011

Carta Capital – Cynara Menezes

Caro ex-presidente e ex-professor da USP Fernando Henrique Cardoso:

Não lhe escrevo essa carta, na verdade não existe carta nenhuma, porque falar de maconha é um tema proibido em nosso país. Nos últimos anos, o senhor tem inclusive contribuído para trazer este debate à tona, ao propor publicamente a descriminalização da maconha em palestras e com o documentário “Quebrando o Tabu”. Mas nem mesmo o senhor, sendo idolatrado pela mídia do jeito que é, tem sido capaz de romper a hipocrisia que reina no Brasil em torno deste assunto. Até marcha pela descriminalização é proibida por aqui, como se a liberdade de expressão não valesse para a “erva maldita”.

O senhor deve ter assistido à tragédia da Polícia Militar invadindo a Universidade de São Paulo, onde estudou e ensinou. As cenas foram tristes para quem, como a sua geração, lutou pela democracia: soldados apontando fuzis na cara de estudantes desarmados. É verdade que eles haviam tomado a atitude extrema de invadir a reitoria da Universidade, mas veja só como tudo começou. Há duas semanas, policiais que estavam ali para defender a comunidade universitária de assaltos e estupros, abordaram três garotos que estavam fumando um mísero baseado no estacionamento da Faculdade de História e os levaram para a delegacia. Seguiram-se conflitos e protestos que culminaram na invasão da reitoria.

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Nordeste na rota do tráfico

12/10/2011

Redação da Carta Capital 

Antes da apreensão recorde de cocaína na região na última semana, estudo da ONU e mídia internacional alertavam para a escalada do problema. Foto: Governo dos EUA

Após a apreensão de 530 quilos de cocaína na sexta-feira 7 e sábado 8 no Porto de Suape, em Pernambuco, a Polícia Federal acionou a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) para colaborar com as investigações. A remessa, encontrada dentro de 3,5 mil sacos de gesso em cinco contêineres, é a maior interceptada na história do Nordeste do Brasil e a contagem ainda pode aumentar, pois outros 3,4 mil pacotes de gesso serão analisados.

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Cláudio Lembo: FHC se diz maconheiro há tempos, mas tem de dar exemplo

10/08/2011

Do Blog Os Amigos Do Presidente Lula

O ex-governador de São Paulo e secretário municipal de Negócios Jurídicos, Cláudio Lembo (sem partido), afirmou ao Terra, nesta terça-feira, que é contra a liberalização da maconha e não vê novidade no apoio do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, à liberalização da droga no País. “Ele se disse maconheiro quando da eleição do Jânio Quadros, portanto não há novidade nenhuma. Ele apenas está registrando no presente o que falou no passado. Eu sou contra a liberação da maconha. Eu sou contra porque acredito que seja perigoso. Perigoso porque é uma droga fraca, mas que pode levar a drogas mais pesadas. Vamos pensar com calma e não fazer bravatinhas de fim de vida, porque não é bom. Quem está no fim da vida tem de dar bom exemplo e acima de tudo ser sensato no que diz”, afirma.

Durante a entrevista ele afirmou ainda que a presidente Dilma Rousseff está agindo de maneira correta em relação aos escândalos envolvendo ministérios do governo e que, por se impor neste momento, terá problemas futuros para aprovar matérias de interesse do governo no Congresso.

“Ela está agindo certo e tem feito o possível para que haja um pouco de dignidade na política. Vai ter muito sacrifício. E tudo o que ela faz agora vai refletir no Congresso. Ela terá problemas no Congresso”, disse Lembo. Segundo ele, Dilma tem qualidades e o fato de ser mulher colabora para isso.