‘Violência do Estado é o ingrediente central da onda de assassinatos em SP’

15/07/2012

A criminalização da pobreza, o descaso com o sistema prisional, a conivência com a corrupção policial e o incentivo à violência da Polícia Militar são os pilares da política de extermínio que o Governo do Estado de São Paulo reproduz há décadas, avalia o advogado Rodolfo de Almeida Valente, assessor jurídico da Pastoral Carcerária. Leia e entrevista exclusiva.

Ana Paula Salviatti e Isabel Harari no site Carta Maior

Carta MaiorHá relação entre a onda de violência por que passa a cidade de São Paulo e a crescente população carcerária?
Rodolfo de Almeida Valente – São Paulo detém um terço da população prisional do Brasil, com cerca de 190 mil pessoas presas. São aproximadamente 450 pessoas presas por cem mil habitantes, o que coloca São Paulo como o nono estado que mais encarcera no mundo. Aqui, uma a cada 171 pessoas adultas está presa. Apenas nesse ano, temos média próxima a 3.000 pessoas presas a mais por mês no sistema prisional paulista. Essa população crescente é amontoada em um sistema prisional cada vez mais superlotado e degradante, onde campeiam as mais diversas violações de direitos. Nesse cenário, pode-se afirmar que a população carcerária está literalmente acuada. É preciso notar que as pessoas que povoam o sistema prisional são aquelas mesmas pessoas historicamente alijadas do exercício de direitos básicos nesse estado. São jovens, pobres e negras, geralmente oriundas das regiões periféricas. O sistema prisional está claramente voltado não ao combate da criminalidade, mas à neutralização daquelas pessoas que não interessam ao sistema de cidadania de consumo e de acumulação de riqueza capitaneado pelos poucos de sempre. Não apenas são neutralizadas, como também já são alvo de interesse da iniciativa privada, ávida por receber dinheiro público pela administração de presídios e, principalmente, por auferir grandes lucros com a exploração de mão-de-obra disciplinada e barata. Essa é a lógica material do sistema, apesar do discurso falacioso de combate à criminalidade e de ressocialização. Obviamente, essa manifesta política de encarceramento em massa dos pobres acaba por multiplicar sentimentos de revolta, de segregação e, por conseqüência, reproduz continuamente uma sociedade crescentemente desigual e violenta.

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O almoço frio

29/02/2012

Por Marco Aurélio Mello no Blog DoLaDoDeLa

O flagrante foi feito pelo fotógrafo Moacyr Leite Júnior e estampou a capa do Jornal Folha de São Paulo de domingo, às vésperas das eleições de 2008. O ex-governador Geraldo Alckmin almoçava sozinho num pequeno restaurante da Liberdade, região central de São Paulo.

Era o triste desfecho da campanha à prefeitura de São Paulo que teve a favoritíssima Marta Suplicy, com tudo para se eleger, mas que subiu no salto, cometeu erros primários e não soube compreender as reais possibilidades de seu principal adversário, o prefeito Gilberto Kassab, herdeiro político de José Serra.

Aquele almoço foi um prato frio, díficil de Alckmin engolir. Mais um prato servido por um dos caciques do seu próprio partido, Serra. A vingança demorara dois anos e fora tramada nos mínimos detalhes, depois que Serra teve que engolir a candidatura de Alckmin à presidência, em 2006.

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Dois tucanos não se bicam

22/02/2012


Qualquer acordo que Kassab fizer com Serra em relação às eleições de 2014 irá pelo ralo em caso de derrota em São Paulo. Dificilmente Alckmin considerará pagar essa conta – por absoluta desobrigação de ser leal a Serra ou a Kassab, e também por uma vocação bastante aproximada à de Serra ao rancor. Dois tucanos bicudos não se bicam.

Por Maria Inês Nassif no site Carta Maior

Embora a história recente aponte que sim, não existe nenhuma normalidade no fato de o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), optar por fechar uma aliança com o ex-prefeito, ex-governador e ex-candidato a presidente da República tucano José Serra. Ao contrário, essa decisão, do ponto de vista político, é um ponto fora da curva.

Em primeiro lugar, porque simplesmente contraria a tática de sobrevivência do recém-criado Partido Social Democrata (PSD). Inicialmente imaginado por Kassab como um “plano B” para Serra, que havia deixado muitas sequelas no PSDB no período eleitoral do ano passado e praticamente inviabilizado um acordo futuro com o DEM, o novo partido acabou instrumentalizado pelos integrantes do ex-PFL que tentavam um caminho menos humilhante de adesão ao governo petista.

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Alckmin e a mídia mentem sem parar sobre o Pinheirinho

24/01/2012

Blog da Cidadania por Eduardo Guimarães

É de revolver o estômago a torrente de mentiras e distorções com que o governador Geraldo Alckmin e a mídia que o protege esbofeteiam a sociedade. Mentem para o tucano se eximir de suas responsabilidades. Mentem descaradamente, compulsivamente.

Televisões, rádios, jornais e revistas tentam transformar em criminosos os trabalhadores do Pinheirinho e suas famílias noticiando atos de vandalismo que poderiam ocorrer em qualquer comunidade submetida ao choque que sofreram.

Experimentem desalojar moradores dos Jardins paulistanos e verão quantos saqueadores e ladrões aparecerão. Mas como a população do Pinheirinho é pobre e quase sempre negra, noticiam ações isoladas como se fossem coletivas.

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Vadda a bordo, Serra Schettino!

19/01/2012

Blog Tijolaço por Fernando Brito

 

Deu no Estadão:
Serra comunica ao PSDB que está fora da disputa à Prefeitura de São Paulo

Depois de meses de pressão para que entrasse na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o ex-governador José Serra (PSDB) reuniu o seu grupo de aliados mais próximos e informou em tom solene que não será candidato na eleição municipal deste ano.

Embora, em se tratando do que Serra diz, a única verdade que se pode afirmar conter no que fala é a de que é falsa cada palavra, talvez se possa comparar sua atitude com a do capitão italiano do Costa Concórdia, o transatlântico naufragado nas costas da Itália.

Não importa que Alckmin e Aécio esfreguem as mãos diante da possibilidade de que ele, candidato, perca e afunde. A nau tucana aderna em São Paulo, seu porto seguro, Kassab procura desesperadamente um colete salva-vidas petista, reina a confusão a bordo do Tucanic.

E o capitão do Tucanic, embora estropiado depois de ter apanhado de um “poste” – não é, Montenegro? – diz que vai descer à terra para apreciar o naufrágio sem molhar os pés. Entrega a Alckmin o supremo comando e diz: “carregue seu candidato”.

Infelizmente, Fernando Henrique Cardoso não tem a estatura moral daquele capitão da guarda costeira italiana e não pode dar um grito: Vadda a bordo, catzo!

Alckmin, reinando sobre os destroços, dirá que que os salvados do naufrágio são só seus.

E a elite paulista, tão orgulhosa e soberba com os pobres, irá negociar os despojos com Minas, numa antítese de Borba Gato e Raposo Tavares.

Parte dela, é claro, porque a São Paulo que sabe ler no seu brasão o latim “non ducor, duco”, o “não sou conduzido,conduzo”, não se afogará como o tucanato. Mesmo que seja num cruzeiro de luxo.


O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil?

09/11/2011

por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira o início de um projeto de automatização da cobrança de pedágio nas estradas estaduais. Com o chamado “Ponto a Ponto”, as estradas terão tarifas por quilômetro rodado a partir de fevereiro. Segundo o governador Geraldo Alckmin (PDSB), a primeira estrada a ter o modelo implantado será a SP-075 (rodovia Santos Dumont), no trecho entre Itu e Campinas.

A medida havia sido anunciada em julho pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).

Alguns tucanos desinformados, ou agindo de má-fé, comentam na rede que a idéia é de gênio do governador Alckmin. Não é não.

Primeiro, o governador tucano deveria explicar um detalhe, incluído na coluna de Renata Lo Prete (da Folha): “A tentativa de produzir justiça tarifária, o sistema “free flow” fará com que mais usuários paguem para trafegar”. A expectativa já constava no aviso da Artesp, de julho. A tal “justiça” na cobrança virá acompanhada por mais pagadores, incluindo quem percorre pequenos trechos atualmente livres de tarifas.

Em segundo lugar, Alckmin copiou o que é feito há anos nos Estados Unidos e na Europa, mas com uma diferença essencial. Por lá, o pagamento da tarifa ocorre geralmente fora do eixo da rodovia. As cancelas estão instaladas nas entradas e saídas, de forma que o usuário pague exatamente o número de quilômetros que ele utilizou da rodovia privatizada.

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A agonia do PSDB em seu berço paulistano

25/10/2011

Do Balaio do Kotscho

O PSDB sempre foi um partido paulista e paulistano. Desde que foi criado como uma dissidência da ala anti-Quércia do PMDB, nos anos 1980, sairam de São Paulo todos os seus candidatos à presidência da República: Mario Covas, em 1989; FHC, em 1994 e 1998; José Serra, em 2002 e 2010, e Geraldo Alckmin, em 2006.

Agora, a menos de um ano das eleições municipais de 2012, o PSDB não consegue encontrar um candidato viável a prefeito em seu berço paulistano.

Alijados do poder federal desde 2002, divididos internamente, sem novas lideranças e sem um discurso capaz de emocionar a maioria do eleitorado, os tucanos vivem um tempo de agonia, sem qualquer perspectiva de sair do buraco tão cedo.

Já apareceram os nomes de vários possíveis candidatos, nenhum deles com densidade eleitoral para chegar ao segundo turno, discute-se se o partido fará prévias e quando isso deve acontecer, mas o fato é que no momento o PSDB está vendo ameaçada a sua hegemonia de duas décadas em terras paulistas.

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