De volta ao passado

03/06/2012

 

Por Mino Carta na Carta Capital

“Mino Carta é um chato, se pudesse reescreveria os Evangelhos. Inimigo do regime, Geisel o detestava, mas não tinha rabo preso.” De um depoimento de João Baptista Figueiredo, gravado em 1988 durante um churrasco amigo e divulgado após a morte do último ditador da casta fardada.

No final de 1969, esta capa foi o maior desafio de Veja à ditadura, mas já a da primeira edição dera problemas

É do conhecimento até do mundo mineral que nunca escrevi uma única, escassa linha para louvar os torturadores da ditadura, estivessem eles a serviço da Operação Bandeirantes ou do DOI-Codi. Ou no Rio, na Barão de Mesquita. E nunca suspeitei que a esta altura da minha longa carreira jornalística me colheria a traçar as linhas acima. Meu desempenho é conhecido, meus comportamentos também. Mesmo assim, há quem se abale a inventar histórias a meu respeito. Alguém que, obviamente, fica abaixo do mundo mineral.

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Mídia oculta negócios de Serra e Kassab com esquema Cachoeira

06/05/2012

Por Eduardo Guimarães no Blog da Cidadania

Esta matéria precisa ser lida não apenas pelos parlamentares membros da CPI do Cachoeira, mas por toda a classe política, sobretudo por aqueles políticos que estão do lado oposto ao que estão os grandes meios de comunicação, o lado governista.

De sexta-feira para cá, falei ao telefone com dois políticos governistas de grande expressão. Ambos, sem combinarem nada entre si, relataram-me que enxergam risco concreto de parte dos governistas na CPI se unir à oposição para aliviar a barra da mídia nas investigações.

Um político governista que integra a CPI (como suplente) e que pode agir nesse sentido é o senador Delcídio Amaral (PT-MS), outro é o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Ambos trabalham, junto à oposição, para blindar a mídia.

Mas não são apenas os membros governistas da CPI que deveriam atentar para este texto, mas toda a classe política, pois político algum pode ter certeza de que estará sempre do lado que a mídia apóia.

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Opinião pública, o que é?

27/04/2012

Por Mino Carta na Carta Capital

Confusões. O Estadão acredita que seu sonho de vê-los brigar é verdade. Foto: Pedro Ladeira/Frame/Ag. O Globo

Pergunto aos meus reflexivos botões qual seria no Brasil o significado de opinião pública. Logo garantem que não se chama Merval Pereira, ou Dora Kramer, ou Miriam Leitão. Etc. etc. São inúmeros os jornalistas nativos que falam em nome dela, a qual, no entanto, não deixa de ser misteriosa entidade, ou nem tão misteriosa, segundo os botões.

A questão se reveste de extraordinária complexidade. Até que ponto é pública a opinião de quem lê os editorialões, ou confia nas elucubrações de Veja? Digo, algo representativo do pensamento médio da nação em peso? Ocorre-me recordar Edmar Bacha, quando definia o País -como Belíndia, pouco de Bélgica, muito de Índia. À época, houve quem louvasse a inteligência do economista. Ao revisitá-la hoje, sinto a definição equivocada.

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Abafando a cachoeira

12/04/2012

Por Fernando Brito no Tijolaço

Desde ontem, a grande imprensa começou a tornar evidente aquela “Operação Abafa”sobre o caso Demóstenes-Cachoeira.

Primeiro, o Estadão, com áudios  absolutamente vazios de supostas conversas entre o deputado Protógenes Queiroz e o agente “Dadá”, que -ao que parece – arapongava para meio mundo. Protógenes, um delegado de polícia, não tem nenhum diálogo comprometedor com o agente e, se teve, nada melhor que esclarecer isso numa CPI. Aliás, é estranho que seis telefonemas vazios de Protógenes a alguém que, oficialmente, pertencia à um órgâo de investigação sejam notícia e não o sejam os 200 telefonemas entre o próprio Cachoeira e o editor da revista veja, Policarpo Júnior, numa parceria “pelo bem do Brasil” que já durava oito anos.

Mas hoje O Globo deixa mais claro o jogo, servindo-se de uma declaração do presidente do PT, Rui Falcão, que liga o caso Cachoeira a possíveis montagens contra o Governo Lula feitas com a ajuda da conexão Cachoeira-Veja, que parece continua a ser um tabu para a mídia.

Logo, em nome do esclarecimento do dito “mensalão”, abafe-se a Cachoeira…

A democracia não pode conviver com a divulgação seletiva de irregularidades. É preciso que o inacreditável poder de um bicheiro sobre a mais altas figuras da política e da imprensa não fique sendo demonstrado aos pedaços, contra aqueles a que “interessa” desmoralizar, mas encobrindo as figuras que o conservadorismo e a mídia tem no seu altar.

Corrupção não é assunto que requeira “segredo de justiça” em sua apuração, salvo em ocasiões especialíssimas, no curso de investigações. E são a mídia e a Polícia Federal, apenas, quem está escolhendo o que deve ser divulgado, a conta-gotas.

O povo brasileiro e a própria credibilidade da democracia brasileira exigem que tudo venha à tona.

Se Carlos Cachoeira tem ligações com a investigação sobre o “mensalão”, que elas apareçam. Se tem ligação com as denúncias que, onda após onda, a Veja apresentava, servindo-se de escutas e filmagens providenciadas pelo bicheiro, que se apure. Existem pessoasdo esquema Cachoeira que o afirmam expressamente.

O que não se pode é fazer da divulgação parcial e seletiva de gravações, escolhendo os personagens e os contextos “que interessam”, uma “verdade” conveniente, que determina quem deve ser execrado e quem  deve ser preservado.

Do contrário, seria melhor que se desistisse de uma CPI e se deixasse o próprio STM – Supremo Tribunal da Mídia, a mais alta corte política do Brasil – decidisse – como decide há anos – quem deve ser impiedosamente decapitado e quem vai, como fez Demóstenes Torres durante muitos anos, posar de paladino da moralidade, embora enterrado até o pescoço no pântano das cumplicidades escusas.


Folha e Estadão omitem explicações do ministro

13/01/2012

O Cafezinho por Miguel do Rosário

Vou reiterar pela enésima vez: não boto a mão no fogo por nenhum político brasileiro. Não sou nenhum cínico, como Noblat, mas não quero ser um ingênuo. E até acho que é saudável, nas atuais circunstâncias, em que o governo possui esmagadora maioria no Congresso, termos uma imprensa visceralmente de oposição, porque isso permite a existência de um constante embate político. Atrapalha às vezes o andamento administrativo, visto que ministros são obrigados a interromper seu trabalho para responder questionamentos nem sempre pertinentes, mas oxigena a democracia.

No médio e longo prazo, como a história recente já provou, essa realidade permite à situação exercitar-se e desenvolver-se politicamente. Cada crise ministerial corresponde a uma mini-eleição, em virtude dos duros embates que promove. Com isso, a centro-esquerda se mantém esbelta, ativa e musculosa, enquanto os caciques da direita, mimados pela imprensa, que os blinda com ferocidade, permanecem obesos, preguiçosos e fracos.

O que me incomoda realmente é ver a imprensa omitir informações, uma das táticas de manipulação da notícia mais odientas. Por exemplo, ontem o ministro Fernando Bezerra foi ao Congresso se explicar. O presidente do Senado, José Sarney, deu a primeira palavra à oposição, e permitiu um revezamento entre governo e oposição durante as primeiras horas, mesmo esta última sendo absolutamente minoritária.

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As relações ambíguas do governo com a mídia

11/12/2011


Gilberto Maringoni*, especial para o Viomundo

Enquanto seus apoiadores acusam a mídia de ser golpista, governo prestigia e destina farta publicidade aos grandes meios de comunicação. Uma única edição de Veja teria recebido cerca de R$ 1,5 milhão em anúncios oficiais. É preciso regular e democratizar as comunicações. Mas também é necessário deixar mais claro os interesses de cada setor nessa disputa.

No espaço de pouco menos de dois meses, dois ministros do governo Dilma foram fulminados por denúncias de atividades obscuras. Os demitidos foram os titulares do Esporte, Orlando Silva, e do Trabalho, Carlos Lupi. Os ataques partiram da grande imprensa, mais exatamente da revista Veja e dos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Logo as matérias ganhariam o espaço avassalador das telas de TV, com destaque para o Jornal Nacional, da Rede Globo. No mesmo período, mas dois membros do primeiro escalão entraram na linha de tiro da mídia. São eles Mario Negromonte (Cidades) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento).

Aliados do governo tentaram desqualificar não apenas as denúncias, mas os veiculos que as difundem. Volta o debate de que estaríamos diante de uma mídia golpista, que não se conforma com a mudança de rumos operada no país desde 2003, que quer inviabilizar o governo etc. etc. Em parte têm razão.

A grande imprensa, por sua vez viciou-se em acusar todos os que discordam de seus métodos de clamarem pela volta da censura. Há muita fumaça e pouco fogo nisso tudo, mas faz parte do show. Disputa política é assim mesmo.

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Como esconder a boa notícia

02/11/2011

Observatório da Imprensa 

Por Luciano Martins Costa 

Os jornais amanheceram na quarta-feira, 2 de novembro, dia dedicado a homenagear os mortos, com o relato de um verdadeiro velório. O sistema econômico global range sob o peso das crises sucessivas e o leitor é atirado de um lado para outro, entre a esperança e o pessimismo, como o navegante sob tempestade.

Deste lado do Atlântico, as águas ainda se agitam pouco, mas a imprensa destaca sinais de desconforto. Quando o ex-presidente Lula da Silva declarou, há três anos, que a crise financeira de 2008 chegaria ao Brasil “como uma marolinha”, os jornais fizeram manchetes com o catastrofismo de seus opositores. Os fatos lhe deram razão até aqui e o tsunami não chegou às nossas praias.

Mas, no mundo globalizado e interdependente, impossível prever quanto os tremores nos países desenvolvidos vão afetar as economias periféricas e emergentes.

Sonho e pesadelo

As edições de quarta-feira (2/11) dos jornais brasileiros trazem alguns dados que mostram certos efeitos negativos da crise européia sobre a economia brasileira. Mas é preciso cuidado na leitura.

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