O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil?

09/11/2011

por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira o início de um projeto de automatização da cobrança de pedágio nas estradas estaduais. Com o chamado “Ponto a Ponto”, as estradas terão tarifas por quilômetro rodado a partir de fevereiro. Segundo o governador Geraldo Alckmin (PDSB), a primeira estrada a ter o modelo implantado será a SP-075 (rodovia Santos Dumont), no trecho entre Itu e Campinas.

A medida havia sido anunciada em julho pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).

Alguns tucanos desinformados, ou agindo de má-fé, comentam na rede que a idéia é de gênio do governador Alckmin. Não é não.

Primeiro, o governador tucano deveria explicar um detalhe, incluído na coluna de Renata Lo Prete (da Folha): “A tentativa de produzir justiça tarifária, o sistema “free flow” fará com que mais usuários paguem para trafegar”. A expectativa já constava no aviso da Artesp, de julho. A tal “justiça” na cobrança virá acompanhada por mais pagadores, incluindo quem percorre pequenos trechos atualmente livres de tarifas.

Em segundo lugar, Alckmin copiou o que é feito há anos nos Estados Unidos e na Europa, mas com uma diferença essencial. Por lá, o pagamento da tarifa ocorre geralmente fora do eixo da rodovia. As cancelas estão instaladas nas entradas e saídas, de forma que o usuário pague exatamente o número de quilômetros que ele utilizou da rodovia privatizada.

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Apertado ou atrasado. Governador, tem uma terceira opção?

19/09/2011

 

Blog do Sakamoto, por Leonardo Sakamoto

Não sei se o governador Geraldo Alckmin acredita nisso mesmo, é um gozador ou só está mal assessorado na área de comunicação. Mas alguém deveria dar um toque que certas declarações não pegam bem. De acordo com o UOL Notícias, após viagem inaugural em um novo trecho da linha 4-amarela do metrô de São Paulo, nesta quinta (15), ele afirmou que, entre viajar em vagões cheios e ficar preso no trânsito, a população escolhe a opção número 1. “As pessoas preferem ir um pouco mais apertadas para chegar em casa mais cedo.”

Fiquei esperando o “Há! Peguei vocês!” logo na sequência. Mas não veio.

O crescimento da malha metroviária de São Paulo não deveria vir acompanhada de um aumento suficiente de trens para abastecer a rede? Sim, mais isso é só um detalhe que passa despercebido em datas festivas na Paulicéia, com grande concentração de políticos e Aspones, como a inauguração de estações de metrô. Pode parecer que não, mas a população não gosta desses maniqueísmos. O do governador foi sutil, mas teve o mesmo DNA de “ou você aceita este leite em pó carunchado na merenda escolar e se dê por satisfeito ou vai tomar água da pia e ficar quieto!”.

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E se Bin Laden derrubasse o Conjunto Nacional ?

03/05/2011
 
Do Blog Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim

Este ansioso blogueiro está impressionado com a reação de amigos navegantes à ação americana que matou Osama Bin Laden.

Primeiro, de ceticismo: não, Bin Laden não morreu.

Cadê o corpo ?

Como se o Obama ousasse desafiar os americanos, o  mundo e o Partido Republicano com o anúncio de uma patranha.

Ou de indignação: foi um ato imperial.

Até o reparador de iniquidades, Stanley Burburinho, regiamente pago colaborador deste ansioso blog, pareceu cético e revoltado.

No universo do twitter, então, a descrença é generalizada.

Percebe-se até a velada esperança de que os adeptos de Bin Laden derramem sangue pelo mundo, num ato de vingança e reparação.

Neste sentido, a Folha (*), hoje, na primeira página, é exemplar: “Morte de Bin Laden desencadeia (sic !) medo de onda global (sic !) de atentados”.

Bom Retiro, Higienópolis, cuidado !

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JN : O helicóptero lhe basta

27/04/2011

Eason Nascimento

Mazelas, dessas que o poder público tem obrigação de combater, de coibir e atenuar, não é difícil de ser encontrada em nenhuma região do país. A princípio, o norte e o nordeste, tidos como mais carentes, possuem serviços públicos tais como : saneamento, educação, saúde, transporte e segurança, em qualidade inferior à região sul e sudeste, via de regra.

Mesmo assim, em cidades com maior índice de desenvolvimento econômico e social, e portanto com um volume maior de recursos colocados à disposição de seus governantes, encontramos os mesmos problemas, mesmo que seja gigantesco o contingente populacional o que por si só exige das autoridades uma atuação bem mais eficaz. São Paulo se encaixa bem nesta visão, e para tanto trago a reflexão, pequenos exemplos  nas áreas de transporte, segurança e saúde pública.

O metrô, para começarmos pelo transporte, recebe nos horários de pico, 11 usuários por metro quadrado, quando a média mundial não passa de 6. Com este indicador, se vislumbra facilmente o grau de sofrimento a que são submetidos os que se utilizam diariamente deste meio de locomoção, na sua grande maioria, trabalhadores que na luta pela sobrevivência, precisam chegar ao local de trabalho e retornar às suas residências.

Com os ônibus e trens de superfície, que completam o sistema, a situação não difere. Talvez, ou melhor, com certeza, os ônibus tenham situação agravada, pois além do excesso de passageiros ainda enfrentam o lento e caótico trânsito paulista, sem precisar lembrar dos dias de chuva, período em que a capital paulista costuma se transformar na sucursal do inferno.

No que tange à segurança pública, a situação não é nada animadora. Assombrosa violência tem se intensificado na área mais famosa da cidade, a avenida paulista, onde tentativas de agressões e até mesmo assassinato, são registradas por ali. Relembro que passado as eleições 2010, se registrou um vergonhoso incremento nos casos de homofobia, onde a intolerância de uma minoria chocou o país.

Apesar da área da Paulista ser atendida por três distritos policiais (o 4.ºDP, na Consolação; o 5.º DP, na Liberdade e o 78º DP, nos Jardins), o numero de roubos na área destes distritos entre os três primeiros meses chegou a 888 e o de furtos à 2.717, segundo dados do próprio governo paulista. Apesar de ser a área mais vigiada da cidade, entre janeiro e março de 2011, 100 casos de furtos foram registrados no local. No ano anterior este numero não ultrapassou os 47.

Na semana que passou, o Complexo Hospitalar Paulista, em Cerqueira César, região central da capital, foi fechado, por causa de uma dívida de R$ 2 milhões em alugueis do imóvel onde funcionava. As 38 pessoas internadas, tiveram de ser transferidas para outras unidades ao longo do dia e para tanto até  veículos do serviço funerário da Prefeitura Municipal foram utilizados. Portadores de anemia profunda causada por câncer, ou pacientes em estado de coma, foram os que mais sofreram  com a súbita necessidade de deslocamento.

O metrô a transformar cidadãos em sardinhas, a segurança pública a transmitir medo e insegurança e a saúde com exemplos de descaso, fazem com que a Globo, se quiser mostrar as mazelas do país no JN, dispense o avião. O  helicóptero lhe basta.

Fontes : Blog Os amigos do presidente Lula e Estadão