A natureza desconhece parcerias, acordos e promessas

08/05/2011

Eason Nascimento


As enchentes, que destruíram no ano passado várias cidades da zona da mata em Pernambuco e Alagoas, estão de volta. Não se passaram 12 meses da última tragédia e este filme de terror retorna às telas, com o mesmo cenário, mesmo enredo e os mesmos atores. Cidades como Barreiros, distante 110 km da capital pernambucana, que tiveram suas casas, estabelecimentos comerciais e prédios públicos, totalmente destruídos em 2010, e que estavam em processo de recuperação às custas de muito sacrifício e humilhação de seus moradores, novamente passam por situação semelhante. O pouco que a população tinha conseguido recuperar, se foi outra vez.

As medidas anunciadas e até iniciadas pelo poder público, não foram realizadas a tempo de se evitar nova catástrofe. Os conjuntos habitacionais não concluídos, obrigaram os moradores a tentar refazer suas vidas, nos mesmos e perigosos locais de antes. Afinal, pobre não reside em área de risco por opção, mas por falta dela. Com o excesso de chuvas, o cenário atual não difere dos anteriores, com milhares de desabrigados e desalojados, sem condições dignas de sobrevivência, mais uma vez, a mercê da solidariedade daqueles que podem e tem ajudado.

Somente agora, o governo do estado conseguiu aprovar uma parceria com o governo federal para a construção de cinco novas barragens na Bacia do Rio Una, visando controlar a vazão deste rio, que abrange vários municípios da Zona da Mata Sul. Pelo acordo, o governo federal e o estadual, juntos, investirão R$ 650 milhões nas obras e nas desapropriações necessárias. A previsão é de que duas barragens estejam concluídas dentro de um ano e as demais até o final de 2013.

Se os prazos não forem cumpridos, o sofrimento não dará trégua e o tormento se fará constante na vida dos que ali tentam sobreviver. Para os governantes, as tristes cenas de 2010 não serviram de lição e nada garante que as de 2011 servirão. A natureza segue seu curso, e mantém seu ritmo, desconhecendo parcerias, acordos e promessas.


Corte de verbas de Serra para o Tietê aumenta risco de enchentes em SP, diz PT

20/01/2011

Rede Brasil Atual

Estudo da bancada do partido na Assembleia Legislativa mostra que gestão do ex-governador pode ser a principal causa dos transtornos pela chuva na cidade

Por: Fábio M. Michel e João Peres

Publicado em 19/01/2011, 16:10

Última atualização às 18:54

São Paulo – A principal causa das enchentes que deixaram vários bairros da zona leste de São Paulo alagados por várias semanas consecutivas em 2010 pode ter sido negligência por parte do governo de José Serra (PSDB). Esta é a conclusão de um estudo da liderança do PT na Assembleia Legislativa paulista (Alesp), que mostra que o então governador do estado promoveu um drástico corte de verbas para o desassoreamento do Rio Tietê, apesar de o orçamento do estado prever recursos para as obras.

Segundo o estudo, entre 2007 e 2010 o Orçamento previa um investimento de R$ 320 milhões em serviços e obras no Alto Tietê, mas apenas R$ 280 milhões foram liquidados. Apesar do ritmo rápido de execução na reta final do governo, no ano passado, as obras de infraestrutura de saneamento e combate às enchentes receberam R$ 47 milhões a menos que o previsto ao longo dos quatro anos. Em 2009 foram reservados R$ 188 milhões para a limpeza da chamada calha do rio Tietê – o que retira a grande quantidade de terra, areia, pedras e lixo do leito do rio, garantindo a manutenção da profundidade do curso d’água. No entanto, apenas R$ 44 milhões foram efetivamente aplicados nos trabalhos.

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Chove acima da média. Mas que média é essa?

19/01/2011

Blog do Sakamoto

Prestem atenção nessas duas frases que aparecem com frequência na mídia:

– Especialistas afirmam que, nas duas primeiras semanas de janeiro, já choveu mais do que a média do mês nos últimos anos.

– Aqui, no Carnaval de Olinda, a festa não tem hora para acabar.

O que há de comum entre elas? Bem, não muito além do fato de que são figurinhas que se repetem com impressionante regularidade. Para o repórter que transmite a folia pernambucana, a frase, quase um mantra da alegria, é indolor. Já a outra carrega, em seu bojo, duas tristezas: a consequência do aguaceiro em si e a responsabilização da natureza por algo que a ação humana poderia certamente minimizar. Se choveu mais do que deveria, fica a impressão de que não daria para fazer nada, não é? Bem, isso se, há muitos anos, já não fosse típico a realidade de chuvas atípicas em certas regiões do país.

Uma ironia que circula em redações nesses dias aquáticos é que, se todo o ano chove mais do que a média, alguém esqueceu de corrigir a média.

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O drama é de todos. A responsabilidade também.

19/01/2011

Eason Nascimento

O excesso de chuvas sempre tem causado no Brasil muita  destruição e morte.  A história registra a ocorrência de verdadeiros desastres ambientais no nosso território nos últimos anos. Os números diferem mas o sofrimento e a dor são os mesmos. No estado do Rio de Janeiro, em 1966 foram mais de 100 mortes. Em 1988, 350 perderam a vida. Em 1996 mais de 200 morreram na capital carioca.

Santa Catarina também passou pelo mesmo dilema e mais de 200 perderam a vida e 100 mil pessoas ficaram ilhadas em 2008. Dez cidades foram atingidas sendo Blumenau a que mais sofreu.

No ano passado foi a vez do nordeste.  As chuvas fizeram transbordar os principais rios  na Zona da Mata em Pernambuco e em Alagoas, gerando milhares de desabrigados. Até hoje se percebe claramente os sinais da devastação, em Palmares, Barreiros, Água Preta e Cortês, dentre outras cidades atingidas, que enfrentam a dura tarefa da reconstrução. A vida perdida infelizmente não é passível de ser reconstruída.

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R$ 11 bi para os deslizamentos

17/01/2011

Carta Capital – Paulo Daniel

De acordo com o Ministério das Cidades, na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), os investimentos para prevenir deslizamentos de encostas e inundações provocados por fortes chuvas no País somarão R$ 11 bilhões.

Entre as medidas previstas, a contenção de encostas em áreas de risco e as obras de drenagem para evitar enchentes e inundações são algumas das ações que devem ser priorizadas para receber recursos.

Desse total, R$ 1 bilhão está reservado para elaboração de planos municipais e projetos básicos para contenção de encostas. Na primeira seleção da 2ª fase do programa foram contempladas 385 obras de contenção em 41 municípios.

A segunda etapa do programa Minha Casa Minha Vida, que está incluso no PAC 2, também destina aproximadamente R$ 170 milhões para remoção de famílias que habitam áreas de risco, como encostas de morros, ou que tenham sido desabrigadas por desastres naturais.

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O drama da região serrana do Rio é de todos nós

17/01/2011

Carta Maior

É inadiável a definição e a implementação de políticas públicas que garantam o ordenamento urbano, com respeito às pessoas, ao meio ambiente, à coletividade, à vida. Claro que é trabalho para resultados a longo prazo. Mas é questão de sobrevivência humana.

Sulamita Esteliam

Difícil manter a racionalidade diante da tragédia que atingiu a região serrana do Rio de Janeiro. As imagens são dilacerantes. A extensão do drama humano supera nossa capacidade de raciocínio. Impossível não se emocionar. Em particular ante a grandeza da gente brasileira, traduzida em solidariedade com as vítimas. E ao poder de resignação daqueles que escapam. Perderam tudo, mas estão vivos.

Muitos tiveram a família inteira levada pelas águas ou soterradas nos escombros do que um dia foi um lar. Ainda assim, mantêm aceso o espírito que dá sentido à vida: é preciso recomeçar.

De onde vem tamanha força? Talvez da fé. E quem somos nós, pretensos observadores, paladinos da consciência política, para duvidar? Sim, eles serão capazes e, talvez, seja extamente isso, a fé – que seja em si próprio – que alimente a mística do “brasileiro, profissão esperança”.

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Boff: O preço de não escutar a natureza

16/01/2011

Vi O Mundo – por Leonardo Boff

O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre  imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam  frequentemente deslizamentos fatais.

Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.

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