Sobre meninos e lobos

23/05/2012

Por Matheus Pichonelli na Carta Capital

Corre na internet um vídeo produzido pela TV Bandeirantes da Bahia em que uma repórter bonita e bem humorada entrevista um jovem acusado de estupro. Chega a ser educativo – ao menos para quem achava que, a essa altura do campeonato, era impossível superar as pirotecnias de programas com o Latininho, o chupa-cabra, os testes ao vivo de DNA, a banheira do Gugu e as sessões de descarrego.

E o que a Xuxa e o jovem açoitado na Bahia têm em comum? Nada, a não ser a exposição diante de uma multidão sangrenta e incapaz de lidar com seus próprios crimes de maneira honesta. Foto: Alexandre Hamada Possi/Flickr

O mais completo tratado das relações de poder não chegaria tão longe: o jovem, cuja pobreza pode ser exposta pela sequência de dentes quebrados, está algemado diante das câmeras. Como advogado de banqueiro não defende desdentado, ninguém intercederá por ele nas páginas de jornais ou tribunas do Congresso pelo direito de não ser exposto nem antes nem depois do julgamento. Azar o dele, sorte da repórter – que usou o microfone e o canal direto com a direção do programa para chicotear o sujeito que se acreditava alforriado. Abaixo da tela a produção destaca o “chororô”, com direito a intervenções de efeitos sonoros (o choro de um bebê) a ofuscar a fala do suspeito. Acuado e com um hematoma no rosto, o jovem passa a dar a lista de familiares que poderiam testemunhar em seu favor. Às lágrimas, jura que jamais “estrupou” alguém.

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PT: ruim com ele, pior sem ele

13/03/2012
Por Eduardo Guimarães no Blog da Cidadania

Editar um blog de abrangência nacional que recebe comentários de pessoas dos quatro cantos do país, de todas as idades e classes sociais, ensinou-me mais sobre o Brasil e a natureza humana do que toda a minha experiência de vida anterior à criação deste espaço. Ontem, porém, ensinou-me uma lição vital e que preciso dividir com todos.

O Blog da Cidadania chegou ao seu sétimo ano de existência. Nesse período, quase meio milhão de comentários de leitores. Interagi com essas pessoas, confraternizei, briguei, dividi momentos duros de minha própria vida – como quando minha filha caçula esteve às portas da morte, entre o final de 2009 e o começo de 2011 –, mas nunca lera comentário tão emblemático da natureza da elite brasileira quanto o que um leitor postou aqui no último domingo.

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Jovem rico erra. “Menor” pobre comete crime

05/12/2011

Blog do Sakamoto

Os repetidos casos de violência gerados por jovens da classe média alta brasileira e a forma aviltante com a qual têm sido tratados adolescentes pobres no processo de ocupação policial de comunidades no Rio de Janeiro me deixam duplamente incomodado. Primeiro, é claro, pelo fato em si. Segundo, pela forma como a sociedade se comporta diante disso.

Sabemos que é mais fácil uma pessoa que roubou um xampu, um litro de leite ou meia dúzia de coxinhas ir amargar uma temporada no xilindró – como mostram diversos casos que já trouxe aqui – do que um empresário que corrompeu ou um político que foi corrompido passarem uma temporada fora de circulação.

Não que o princípio da insignificância (que pode ser aplicado quando o caso não representa riscos à sociedade e não tenha causado lesão ou ofensa grave) não seja conhecido pelo Judiciário. Insiginificante mesmo é quem não tem um bom advogado, muito menos sangue azul ou imunidade política.

Tempos atrás, a seguinte notícia veio a público:

“A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos, teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco jovens moradores de condomínios de classe média da Barra da Tijuca, na madrugada de sábado. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça. Presos por policiais da 16ª DP (Barra), três dos rapazes (…) confessaram o crime e serão levados para a Polinter. Como justificativa para o que fizeram alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta.”

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Após insinuação sobre Dilma, PT pedirá a cassação de Bolsonaro

27/11/2011

Do Correio do Brasil

Por Redação, com Vermelho.org.br

Bolsonaro

O Deputado Jair Bolsonaro (foto) diz que não teme o pedido de cassação do PT em relação às ofensas que o deputado fez a presidenta Dilma Rousseff

O PT anunciou que pedirá a cassação do mandato do deputado federal Jair Bolsonaro(PP-RJ) na próxima terça-feira. Em mais uma declaração homofóbica, o parlamentar faz insinuações sobre a opção sexual da presidente Dilma Rousseff. Nesta quinta-feira o deputado usou a tribuna da Câmara Federal como palanque para sua campanha preconceituosa.

Ao comentar a intenção do Ministério da Educação (MEC) em incluir o combate à homofobia nos currículos escolares, ele disparou contra Dilma. “Se gosta de homossexual, assume. Se o teu negócio é amor com homossexual, assuma”.

– Eu acho que ele feriu o decoro parlamentar. Ele incita ódio aos homossexuais e não segue os ritos do Parlamento. Portanto, nós vamos representá-lo no Conselho de Ética e vamos pedir a cassação dele na próxima terça-feira, informou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), líder do PT na Câmara.

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Bolsonaro e o decoro parlamentar

25/11/2011

Carta Maior 

Não se iluda o deputado pelo Rio de Janeiro. Se houver uma vontade política da maioria da Câmara dos Deputados, o seu mandato poderá vir a ser cassado por falta de decoro parlamentar. O conceito de decoro é político. O julgamento político não se submete aos ritos jurídicos comuns.

Mauro Santayana

Os debates parlamentares são, normalmente, incontroláveis. Desde que há parlamentos, as discussões conduzem a insultos e impropérios. Mas nem sempre os mais audaciosos na virulência, ou no mau gosto de seus argumentos, conseguem ser bem sucedidos na política. A ironia inteligente, a lógica no argumento e a paciência didática na defesa de uma idéia, ou de uma posição em assuntos pontuais, são sempre mais eficientes no confronto parlamentar.

O deputado Jair Bolsonaro, quer isso nos agrade ou não, representa uma parcela ponderável do eleitorado do Rio de Janeiro, constituída de militares saudosistas do regime ditatorial, de obstinados lacerdistas, de neoconservadores. Sua presença no Parlamento é assim legítima, de acordo com os ritos da democracia representativa. Ele é protegido, pelo que disser na tribuna, pela imunidade parlamentar. Sendo assim, nada pode impedir seus excessos verbais – a não ser uma ação política. O julgamento político, pelo parlamento, não está sujeito a regras jurídicas. Ele depende da vontade da maioria dos representantes do povo, sobretudo quando se trata de verificar se o acusado ofendeu ou não o decoro parlamentar.

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O boquirroto Bolsonaro

24/11/2011

Blog do Nassif

Do Yahoo Notícias

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) voltou a causar polêmica.

Ao criticar as políticas pró-homossexuais do governo, ele questionou a sexualidade da presidenta da República, Dilma Rousseff, nesta quinta-feira (24). “Dilma Rousseff, pare de mentir! osta de homossexual, assuma! Se o seu negócio é amor com homossexual, assuma, mas não deixe que essa covardia entre nas escolas do primeiro grau!”, esbravejou na tribuna, ao falar do kit anti-homofobia (campanha desenvolvida pelo MEC para combater o preconceito contra homossexuais nas escolas).

Em seguida, o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) reprovou a postura do colega. “O que nós ouvimos aqui hoje foi um discurso que, se entendi direito, faltou com o decoro parlamentar ao fazer insinuações a respeito da própria presidente da República, quando acho que a opção sexual de qualquer ser humano, deputado, é uma questão de foro íntimo”.

Em entrevista ao “Terra Magazine”, Bolsonaro negou ter questionado a sexualidade de Dilma e culpou a “língua portuguesa” pela interpretação da frase. “No meu discurso de hoje, perguntei se ela estava mentindo e pedi que ela explicasse sua relação com os homossexuais. A nossa língua portuguesa permite um montão de interpretação.

Eu não chamei a Dilma de homossexual. Eu posso até pensar o quiser contra ela, mas não vou desqualificar o nível da importância do que está sendo tratado aqui”, disse.

Jair Bolsonaro questiona sexualidade da presidenta Dilma Rousseff


A hipocrisia de Luana Piovani

23/11/2011

Brasil247

O PLANO DE SAÚDE QUE LULA TEM, EXTENSIVO À MARISA LETÍCIA, DÁ DIREITO AO TRATAMENTO QUE VEM RECEBENDO NO SÍRIO-LIBANÊS, EM SÃO PAULO. E EU PEGO ESSE ASSUNTO POR OUTRO PONTO, CHAMADO LUANA PIOVANI.

O plano de saúde que Lula tem, extensivo à Marisa Letícia, dá direito ao tratamento que vem recebendo no Sírio-Libanês, em São Paulo.

Se não fosse assim, direitos concedidos a ex-presidentes incluem cuidados totais com saúde (estima-se em R$ 38 mil a primeira rodada de exames e o tratamento de 90 dias poderá alcançar R$ 600 mil).

Câmara Federal e Senado também mantêm planos específicos com o Sírio-Libanês, abrangendo deputados e senadores, mais seus familiares.

A Câmara paga R$ 1,1 milhão e o Senado, outros R$ 2 milhões. Mais: no ano que vem, o Sírio deverá estar inaugurando uma unidade avançada em Brasília, de menor tamanho, mas com toda tecnologia existente no hospital de São Paulo.

O problema não é nem o valor do tratamento, eu pego esse assunto por outro ponto, chamado Luana Piovani. A atriz global, conhecida ultimamente mais pelos seus barracos e por suas declarações “polêmicas” do que pelo seu trabalho propriamente dito, disse que o ex-presidente deveria se tratar no SUS, já que ele elogia tanto o Sistema Único de Saúde.

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Preconceito: Para ‘velha’ classe média, ‘pobre’ com mais dinheiro só aumenta filas, diz pesquisa

19/11/2011

Blog Os Amigos Do Presidente Lula

Os brasileiros da classe média tradicional consideram que o aumento do consumo da população emergente resultou na piora de alguns serviços.
Segundo pesquisa do Instituto Data Popular, 48,4% desses consumidores acham que houve uma piora na qualidade dos serviços depois que a população emergente, que forma a nova classe média, passou a frequentar novos lugares.
Ainda de acordo com o estudo, 62,8% reclamam do aumento da fila nos cinemas.
A pesquisa mostra também que 55,3% dos consumidores consideram que as empresas deveriam oferecer produtos diferentes para ricos e para pobres. Segundo o estudo, 49,7% deles preferem frequentar ambientes com pessoas de mesmo nível social.
Para 16,5%, pessoas malvestidas deveriam ser barradas
Os dados do Data Popular mostram que, para 16,5% dos integrantes da classe média tradicional, pessoas malvestidas deveriam ser barradas em alguns estabelecimentos; 26,4% acham que a existência de estações de metrô aumenta a frequência de pessoas indesejáveis em determinadas regiões e, para 17,1%, todos os estabelecimentos deveriam ter elevadores separados.
Segundo o Data Popular, existe um certo desconhecimento da população de renda mais alta sobre a que classe pertence. De acordo com o estudo, 55% da população de classe AB acham que pertencem à classe média. Pesquisa publicada na Uol

Uma nação de Caco Antibes

09/11/2011

Por Matheus Pichonelli, na CartaCapital

A vida em rede é viciante. Nela, você consegue ter por perto boa parte dos amigos e até da família com uma simples rolagem na barra de contatos. As manifestações de apreço têm temperaturas adequadas para cada situação, diferentemente de sorrisos indecisos dos que sabem misturar, na vida real, afetos com dissimulação. Na internet, o compartilhamento de uma dica, um link, uma foto, um pensamento sobre a vida é, de longe, o maior sinal de prestígio dos tempos atuais – se não for pra tanto, basta apertar o botão de “curtir”, espécie de manifestação britânica de apreço ou camaradagem.

Uma frustração da vida moderna, porém, é não poder transferir os hábitos em rede para a vida concreta, que nem sempre cabe numa caixa de 140 caracteres. Porque seria bom, muito bom, poder denunciar conteúdo, bloquear, ignorar, trollar ou simplesmente eliminar da vida real os lastros de nazismo revigorado que povoam, sempre povoaram, e sempre povoarão as ruas, mesas de bares, jantares para convidados, happy hours, sermões e tudo o mais que, em nome da estupidez, reunir dois ou mais idiotas numa mesma conversa.

Faz pouco mais de uma semana que o Brasil soube que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está doente, submetido a um tratamento contra um câncer na laringe. Foi tempo suficiente para me levar a criar uma espécie de barreira sanitária nas minhas relações virtuais: por recomendação de uma amiga, limei da minha lista todos os amigos (sim, alguns eram chamados de “amigos” antes mesmo de Mark Elliot Zuckerberg ganhar seu primeiro “Pense Bem”) que usaram a rede para fazer chacota em cima da doença do ex-presidente.

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A euforia com a doença é pior do que um câncer

03/11/2011

Do Blog Os Amigos do Presidente Lula 

Equipes de TV em frente ao Sírio Libanês. Ex-presidente deixou o hospital nesta terça (1º) e seguirá com tratamento contra câncer na laringe. A revelação da grave doença do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva trouxe, infelizmente, bem mais do que uma onda de solidariedade. A ira, o rancor e até um inacreditável entusiasmo ultrapassaram todos os limites do bom senso, descortinando um ódio de classe que, descobriu-se, ainda continua exageradamente impregnado.

O líder da juventude do PSDB usou o Twitter para equiparar jocosamente a luta de Lula contra o câncer a suas disputas eleitorais, lembrando sintomaticamente de “duas derrotas para FHC”. A jornalista Lúcia Hipólito não se constrangeu ao atribuir, sem qualquer autoridade, a doença a um suposto alcoolismo do ex-presidente -que estaria pagando agora o preço por todas que tomou.

No Facebook, uma hipócrita campanha se alastrou pela classe média bem nutrida provocando Lula a se tratar em hospitais do SUS, que pouquíssimos deles frequentam, aliás. Com uma indisfarçável satisfação e a suprema ironia da desgraça, utilizaram a mais drástica das oportunidades para menosprezar a importância social do ex-presidente. Depois, é lógico, de terem comemorado a derrota do financiamento para a saúde pública.

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