Mitt Romney, o retorno da serpente

05/08/2012

Gilson Caroni Filho no site Carta Maior

Ao comparar a agenda de seu adversário, Henrique Capriles, com a de Romney, dizendo que “ambos representam a elite insensivelmente egoísta e capitalista”, o presidente venezuelano Hugo Chávez captou com precisão o significado das eleições presidenciais nos Estados Unidos. Se Obama jamais desconsiderou a correlação de forças internas que limitam as possibilidades de uma reversão da política externa norte-americana, o candidato republicano encarna a continuação de um receituário que, surgido sob a liderança de Ronald Reagan, foi levado às últimas consequências nos dois mandatos de George W. Bush.

Diferente do conservadorismo clássico, em seu radicalismo e recrutamento, esse movimento recebeu o nome de “Nova Direita”. O que foi uma ideia embrionária depois do trauma indochinês, do escândalo de Watergate, da derrota no Irã e da queda de Somoza, se transformou em uma ideologia majoritária calcada na subida de Reagan ao poder e suficientemente consolidada no imaginário de expressiva parcela da opinião pública estadunidense. O que está em jogo nas eleições de novembro vai bem além de “um encontro da democracia com as urnas”. Trata-se de um acontecimento significativo demais para ser ignorado pelas forças progressistas da América Latina.

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FHC ouviu o galo cantar; achou que era um tucano

14/07/2012

Por Saul Leblon no site Carta Maior

Fernando Henrique Cardoso recebeu um prêmio da Biblioteca do Congresso dos EUA, cuja primeira edição agraciou a tradição dos intelectuais arrependidos da esquerda. O polonês Leszek Kolakowski inaugurou a fila do ‘Pluge’ em 2003 depois de concluir uma baldeação do marxismo ortodoxo à rejeição radical da obra de Marx, classificada por ele como a ‘maior ilusão do século XX”. No caso de FHC, o prêmio de U$ 1 milhão brindou os desdobramentos políticos de suas reflexões sobre a dependência. No entender dos curadores, elas teriam demonstrado como os países periféricos ‘podem fazer escolhas inteligentes e estratégicas’ (leia-se dentro dos marcos dos livres mercados) mesmo estando em desvantagens em relação às nações industrializadas”.

O tucano não decepcionou. Na entrevista após embolsar o galardão falou grosso. E acusou Lula de ser responsável pelas agruras atuais da indústria nativa (perda de competitividade e de peso no PIB), ao interromper as reformas liberalizantes. Isso mesmo, aquelas das quais seu governo foi um instrumento e cuja correspondência no plano internacional, como se verifica, legou-nos um mundo de fastígio e virtudes sociais. O diagnóstico do sociólogo, como se sabe, vem ancorado em atilada visão macroeconômica.

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Onde há democracia no mundo?

17/06/2012

Por Emir Sader no site Carta Maior

No auge da guerra fria, os EUA impunham intervenções militares onde consideravam que a “democracia” estava em perigo. Tinham primeiro que caracterizar o governo como ditatorial ou que haveria um risco de um golpe que liquidaria a democracia. No Brasil foi assim, como as manchetes da imprensa o comprovam.

Depois da guerra fria as coisas ficaram mais complexas para os EUA. Se consideram que o selo democrático é conquistado conforme os critérios liberais – eleições periódicas, pluralidade partidária, separação dos poderes, imprensa livre (“livre” quer dizer privada), em vários países surgiram e se consolidaram governos que obedecem a esses critérios, mas que desenvolvem políticas que contrariam os interesses norteamericanos.

Uma nova moda surgiu com a visão de Fareed Zakaria (ex-editor do Newswek, atualmente na Time) jornalista nascido na India, naturalizado norteamericano, com a ideia de que há governos que cumprem com os rituais do liberalismo, mas que nao seriam democráticos, porque não incentivam o capitalismo, que seria o habitat natural da democracia. Entre esses governos estariam os da Venezuela, do Irä, da Bolivia, do Equador, entre outros.

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Conversações na Casa Branca

10/04/2012

por  Mauro Santayana no JB e no Conversa Afiada

A primeira referência séria de um líder norte-americano sobre o Brasil foi de Thomas Jefferson. Em maio de 1787 – quando era embaixador em Paris, dois anos antes da reunião dos Estados Gerais e da descoberta da conspiração de Vila Rica – Jefferson se encontrou, em Nimes, no sul da França, com José Joaquim da Maia, que lhe falou sobre a possível independência do Brasil e das relações que poderiam estabelecer-se entre as duas nações, que ocupavam posição predominante no sul e no norte do hemisfério ocidental.

Jefferson enviou seu relatório, bem divulgado pelos historiadores brasileiros, ao futuro Secretário de Estado, John Jay. O documento não tratava somente do Brasil, mas, também, do México e do Peru. No caso brasileiro, além de relatar o que lhe dissera José Joaquim da Maia sobre as riquezas brasileiras, a situação estratégica do Brasil e a possibilidade de uma insurreição vitoriosa – se os brasileiros tivessem armas e alguma assistência militar  que estavam dispostos a pagar, conforme seu interlocutor – Jefferson prevê vantagens comerciais para o seu país.

A personalidade de Joaquim José da Maia não é muito conhecida. Não se tem notícia de outra presença sua na História, além do encontro com Jefferson. No ano seguinte, ainda muito jovem, ele morreria.  Mas o fato levanta a hipótese de que a conjuração mineira já se encontrava em andamento, e tinha presença entre os estudantes brasileiros de Montpellier – a maioria deles das Minas. Coube a Domingos Vidal Barbosa, como registram os Autos da Devassa da Inconfidência, levar a informação da posição de Jefferson aos inconfidentes.

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Serra anda nas baladas com Aécio?

02/03/2012

Por Altamiro Borges no seu Blog do Miro

Em entrevista ontem à noite ao jornalista Boris Casoy, o tucano José Serra disse que “o Brasil chama Estados Unidos do Brasil”. Sorridente e afável, o âncora da TV Bandeirantes corrigiu: “É República Federativa do Brasil”. Será que o eterno candidato saiu com seu rival Aécio Neves para uma balada? Será que ele está muito tenso com as bicadas no ninho tucano? Não tem bafômetro nas emissoras de tevê?


Dilma sobre gestos à esquerda: ‘Fico estarrecida com pergunta’

02/02/2012

Em viagem a Cuba, Dilma Rousseff mostra surpresa ao ser questionada sobre coincidência de duas recentes agendas com público de esquerda – a outra foi a ida ao Fórum Social. Diz achar ‘interessante’ modo como mídia analisa atos dela e ter ficado ‘estarrecida’ com esse tipo de pergunta. Em março, Dilma deve retribuir visita de Barack Obama com viagem aos EUA.

Carta Maior – André Barrocal

Havana – A presidenta Dilma Rousseff teve nesta terça-feira (31) a chance de definir-se como de “esquerda” e de fazê-lo num lugar símbolo do ideal socialista na América Latina. Em vez disso, reagiu com surpresa ao ser questionada, em entrevista em Cuba, sobre recentes sinais políticos que emitiu nos últimos dias, incluindo a visita oficial à ilha de Fidel Castro.

Presidenta, a senhora começou o ano indo ao Fórum Social e agora vem a Cuba, são gestos políticos mais à esquerda. Por que a senhora fez isso? 

“Eu acho interessante a forma como a mídia analisa meus atos… Posso te dizer uma coisa? Eu fico estarrecida com esse tipo de pergunta, estarrecida. Porque… significa que no ano passado eu fui à União Européia, recebi os Estados Unidos (…), fui no G20, fui pra Argentina… Como é que a gente interpretaria o ano passado?”

No roteiro internacional 2012 de Dilma, aberto com a visita a Cuba, está previsto também que ela viaje aos Estados Unidos, provavelmente em março, em retribuição a uma visita feita pelo presidente Barack Obama ao Brasil no ano passado.

Dilma já esteve nos EUA, como presidenta, mas foi para abrir a Assembléia Geral das Nações Unidas no ano passado.


A luta contra o ventre da barbárie capitalista

16/11/2011

Agência Carta Maior

Com o arsenal nuclear existente, uma escalada militar global terá consequências imprevisíveis. Mais uma vez o mercado se aproxima do ventre que pariu a Besta. Os primeiros dias de novembro acenam para um perigoso redesenho do cenário internacional.

Gilson Caroni Filho

Liga Árabe suspende a Síria; Israel, com o apoio dos EUA, se prepara para atacar o Irã; consórcio franco-alemão toma o poder na Grécia e ameaça soberania italiana; corporações midiáticas censuram repressão policial aos movimentos sociais nos EUA. Com o arsenal nuclear existente, uma escalada militar global terá consequências imprevisíveis. Mais uma vez o mercado se aproxima do ventre que pariu a Besta. Os primeiros dias de novembro acenam para um perigoso redesenho do cenário internacional.

O roteiro, de tão açodado, não deixa qualquer espaço para dúvidas quanto aos reais interesses que movem as marionetes do teatro macabro. O relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) contendo acusações contra o governo do Irã foi divulgado um dia antes de a imprensa inglesa anunciar que o governo de Benjamin Netanyahu planeja uma ampla ofensiva contra as instalações iranianas. Estados Unidos e União Européia prontamente defenderam a adoção de medidas adicionais. São muitas as variáveis em jogo, mas há dados conjunturais que não podemos ignorar.

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