Dilma começa a acordar

17/09/2012

Por Leandro Fortes no facebook

Quando Dilma Rousseff se vestiu para ir à festa de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, logo depois de assumir a Presidência, em 2011, eu fui um dos poucos a reagir publicamente na imprensa. Mesmo entre os blogueiros progressistas, lembro apenas de outra voz dissonante a reclamar da atitude servil da presidenta, a da historiadora Conceição Oliveira, do blog “Maria Frô”. De resto, o gesto foi forçosamente saudado como um ato de estadista, de representação formal do governo e do Estado brasileiro junto a uma “instituição” nacional, no caso, o conservador diário instalado na rua Barão de Limeira, na capital paulista. O mesmo diário que, meses antes, estampara uma ficha falsa de Dilma na primeira página, com o objetivo de demonizá-la como guerrilheira e assassina e, assim, eleger o candidato do jornal, José Serra, do PSDB.

Não é difícil compreender, contudo, o que pretendia Dilma ao aceitar fazer parte da noite de gala da família Frias. Terminada a Era Lula, a presidenta se viu na contingência de criar uma rede própria de relações na mídia, com quem imaginou ser possível firmar um acordo de civilidade. Lula, a seu tempo, também caiu nessa esparrela. Mas nem a experiência do governo anterior, nem as baixarias encampadas pela mídia na campanha de 2010, ao que parece, foram capazes de convencer Dilma da inutilidade desse movimento.

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Folha de S.Paulo mente ao publicar que Lula teve reunião com governadores durante a Rio+20

05/09/2012

Instituto Lula

Ao contrário do que publicou hoje o jornal “Folha de S.Paulo”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não teve nenhuma reunião com governadores durante a Rio+20.

O ex-presidente esteve no Rio de Janeiro nos dias 20 e 21 de junho de 2012, partindo no dia 22 pela manhã. Na época, por recomendação médica após um exame de biópsia na laringe, ele foi orientado a poupar sua voz.

A nota sobre isso pode ser lida aqui. Durante o evento, Lula teve encontros com os presidentes da França e de Cuba. Assistiu à abertura da conferência na quarta-feira, dia 20, e participou, junto com a presidenta Dilma Rousseff, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, de um jantar oferecido pela prefeitura do Rio de Janeiro para chefes de Estado africanos na quinta-feira, dia 21.

A agenda do ex-presidente na Rio+20 foi reduzida por razões médicas, mas nunca previu nenhuma reunião com governadores, como pode ser visto no comunicado do dia 15 de junho (clique aqui para ler). As atividades do ex-presidente e das autoridades presentes na Rio+20 foram acompanhadas pela imprensa e amplamente noticiadas na época.

Por isso, a Folha de S.Paulo mente ao publicar, meses depois, que Lula teve uma reunião com governadores durante a Rio+20.


Colunista da Folha diz que mídia foi “suporte político” de FHC

07/08/2012

Por Eduardo Guimarães no Blog da Cidadania

Apesar da convicção deste blog quanto ao combate que dá ao que considera um dos maiores problemas contemporâneos, o imperialismo da mídia que se abate sobre a humanidade e que tem como subprodutos injustiça, discriminação, racismo e até cumplicidade com o crime organizado, para os justos sempre sobra uma pontinha de dúvida quanto a maus juízos.

Nesse aspecto, entrevista que Janio de Freitas – decano do colunismo político brasileiro e colaborador da Folha de São Paulo – deu na segunda-feira ao programa Roda Viva serviu para me dirimir qualquer dúvida quanto ao que tem sido feito nesta página.

Não foi um “petralha” ou um “mensaleiro” que disse tudo o que será comentado a seguir, mas um dos jornalistas mais celebrados e respeitados do país sobretudo por sua isenção, a qual, segundo relatou no programa, fez com que fosse perdendo leitores ao longo de cada governo pelo qual o país passou após a redemocratização.

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Jornal ligado ao PSDB reconhece que não há provas do mensalão

29/07/2012

 

Por Eduardo Guimarães no Blog da Cidadania

 

Não pode passar despercebido um texto jornalístico que, por si só, antecipa o fim do julgamento do mensalão. Trata-se de editorial da Folha de São Paulo publicado em sua última edição dominical sob o título “À espera do mensalão”. A certa altura, o texto desmente tudo o que a mídia ligada ao PSDB vem afirmando há anos.

Esse veículo de comunicação que, depois da revista Veja, é o mais identificado com a oposição ao PT e ao governo Dilma, a dias do início do julgamento já reconhece que não há provas de que houve compra de parlamentares e uso de dinheiro público por ação da cúpula do partido.

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Fotos, símbolos e caricaturas

27/06/2012

Por Saul Leblon no site Carta Maior

É verdade que os símbolos tem um peso crucial na política, mas os símbolos não contam toda a verdade da política. Não raro ofuscam o discernimento num reducionismo que acaba por comprometer a força, o fôlego e a credibilidade da mensagem que se pretendia condensar. Muitos gostariam que a foto polêmica em que Lula e Haddad posam ao lado de Maluf simbolizasse a essência daquilo que o PT, Lula e Maluf representam para a história política brasileira. Uma gigantesca engrenagem foi posta a serviço dessa tese.

A pesquisa do DataFolha faz parte desse mutirão. Egos foram atiçados. Durante dois dias seguidos, após a divulgação da polêmica fotografia, martelou-se a sentença irrecorrível: a imagem era o ultra-som de uma degeneração incorrigível que destruía por dentro o principal partido progressista brasileiro e sua liderança máxima. Uma técnica usual na mídia consiste em blindar ‘denúncias’ contra qualquer arguição vitaminando-as através de uma implacável imersão da opinião pública em declarações reiterativas.

No caso da foto, o esforço anestesiante ganhou um reforço imediato de grande impacto: a deputada Luiza Erundina, ela mesma um símbolo de retidão e dignidade na política, reagiu à pressão do rolo compressor renunciando ao posto de vice na candidatura Haddad à prefeitura de São Paulo. Seu gesto e sucessivas declarações a uma mídia sequiosa foram incorporados à espiral condenatória dando-lhe um torque quase irrespondível durante as primeiras 48 horas pós ‘flagrante fotográfico’.

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Folha e Estadão omitem explicações do ministro

13/01/2012

O Cafezinho por Miguel do Rosário

Vou reiterar pela enésima vez: não boto a mão no fogo por nenhum político brasileiro. Não sou nenhum cínico, como Noblat, mas não quero ser um ingênuo. E até acho que é saudável, nas atuais circunstâncias, em que o governo possui esmagadora maioria no Congresso, termos uma imprensa visceralmente de oposição, porque isso permite a existência de um constante embate político. Atrapalha às vezes o andamento administrativo, visto que ministros são obrigados a interromper seu trabalho para responder questionamentos nem sempre pertinentes, mas oxigena a democracia.

No médio e longo prazo, como a história recente já provou, essa realidade permite à situação exercitar-se e desenvolver-se politicamente. Cada crise ministerial corresponde a uma mini-eleição, em virtude dos duros embates que promove. Com isso, a centro-esquerda se mantém esbelta, ativa e musculosa, enquanto os caciques da direita, mimados pela imprensa, que os blinda com ferocidade, permanecem obesos, preguiçosos e fracos.

O que me incomoda realmente é ver a imprensa omitir informações, uma das táticas de manipulação da notícia mais odientas. Por exemplo, ontem o ministro Fernando Bezerra foi ao Congresso se explicar. O presidente do Senado, José Sarney, deu a primeira palavra à oposição, e permitiu um revezamento entre governo e oposição durante as primeiras horas, mesmo esta última sendo absolutamente minoritária.

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Kim Jong-il e as gracinhas da Folha

28/12/2011

O falecimento do líder norte-coreano Kim Jong-il serviu para a Folha fazer gracinhas anticomunistas no seu editorial de hoje (28). Ela nunca fez piadinhas nas mortes dos generais carrascos do Brasil, que a famiglia Frias sempre apoiou – inclusive cedendo as suas peruas para transportar presos políticos à tortura. Na sua visão colonizada, ela também nunca fez ironias no falecimento de vários ditadores apoiados pelos EUA. Mesmo na cobertura de óbitos, a Folha é seletiva na sua linha editorial!

Neste caso, a Coréia do Norte é um prato cheio para a histeria anticomunista. É um país complexo, que já sofreu várias tentativas de invasão imperialista na sua história, que vive sob brutal bloqueio econômico e que há cinco décadas permanece em estado de guerra, totalmente militarizado – com milhares de soldados sul-coreanos e estadunidenses estacionados em sua fronteira. A base militar ianque instalada no país vizinho conta com mais de 30 mil soldados armados com mísseis balísticos nucleares.

Modelos e dogmas da famiglia Frias

Neste contexto bastante adverso, a Coréia de Norte ergueu um modelo político, econômico e social contraditório e carregado de limitações. Com suas ironias grotescas, o editorial da Folha tenta vender a imagem de que este modelo é seguido pelas esquerdas brasileiras, principalmente pelo PCdoB. Ao estigmatizar a Coréia do Norte em plena solenidade fúnebre, a famiglia Frias procura estigmatizar todas as forças anticapitalistas com o seu anticomunismo rastaqüera.

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