Mercados festejam o funeral da Grécia

10/03/2012

Por Saulo Leblon no site Carta Maior

Mercados e bolsas festejam o acordo fechado nesta 5ª feira entre a Grécia e os bancos credores, que concederam ao país um desconto médio de 50%, em troca de garantias e reformas que asseguram o pagamento do passivo restante.

Há razões para a banca comemorar: a adesão dos bancos ao desconto de 50% representa, no fundo, o oposto do que transparece e se alardeia. Trata-se de uma gigantesca transfusão, talvez a mais radical desde o Tratado de Versalhes, do sangue de um povo a credores pantagruélicos e interesses assemelhados. Uma derrota superlativa da democracia grega, que marcará a história do país por décadas; e provavelmente destruirá seu sistema representativo, marcado por traição nacional maiúscula.

As eleições parlamentares de abril agora podem funcionar como a espoleta dessa bancarrota. O processo consumado nesta 5ª feira compromete a vida da atual geração, a dos seus filhos e a dos netos que um dia eles terão. Em troca de um desconto sobre uma dívida impagável — contraída num intercurso entre governos irresponsáveis e banqueiros cúmplices– o Estado grego assinou uma espécie de testamento à favor dos mercados. Em seguida, consumou o suicídio político da democracia. A partir de agora, e por prazo indeterminado, a Grécia rende-se ao papel de protetorado das finanças internacionais. Um protetorado a ser alardeado como paradigma de bom comportamento.

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Guido tinha razão

06/02/2012

Carta Capital por Delfim Neto

O Ministro da Fazenda esteve muito à frente de seus colegas das Finanças no G-20, quando alertou para os riscos de uma guerra cambial. Foto: Louisa Gouliamaki/AFP

A crise financeira europeia não terminou, obviamente, mas nas duas últimas semanas a temperatura baixou e um pouco de racionalidade passou a frequentar os encontros de aturdidos líderes dos governos, aparentemente convencidos de que os custos do desmonte da Zona do Euro (políticos, econômicos e sociais) seriam incomensuravelmente maiores do que os da manutenção do sistema.

No setor financeiro, a mudança de clima deu-se a partir da entrada de Mario Draghi no comando do Banco Central Europeu, fazendo-o assumir seu verdadeiro papel como “emprestador de última instância”, o que afastou aquela expectativa imediata de uma crise bancária de grandes proporções na Eurolândia.

Pelo andar da carruagem, o hábil “Super Mario” usou o timing correto e os recursos adequados para conter a ofensiva do terror e dar um pouco de tranquilidade aos mercados. Os bancos europeus sentem-se mais encorajados com a atitude firme de um BCE que exibe mais musculatura, de forma que a probabilidade de uma crise dramática acontecer agora e destruir a Zona do Euro diminuiu.

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Não há crise no Judiciário. Há democracia e lei

29/01/2012

Blog Tijolaço por Fernando Brito

A manifestação do presidente da Associação dos Magistrados, secundado por outros desembargadores, presidentes e ex-presidentes de Tribunais de Justiça, afirmando que  os acusados no chamado “mensalão” estão por trás das críticas ao comportamento de alguns integrantes do Judiciário é um desrespeito à própria ideia de independência e altivez que merece a Justiça.

Narra o “Estadão”: “O Supremo está emparedado por pessoas que querem abalar os alicerces do Judiciário”,brada Henrique Nélson Calandra, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)”.

Excelência, com a vênia que lhe pede um leigoisso parece ser uma acusação, e a acusações, se bem me recordo, carecem de um mínimo de provas, se estão na esfera pública.

Do contrário, são apenas política.

E no campo da política, a discussão é livre.

Politicamente, o pronunciamento do presidente da AMB, feito num evento público, é de uma total irresponsabilidade:

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Enquanto o mundo treme, o Brasil sorri

18/11/2011

Brasil247

 

Enquanto o mundo treme, o Brasil sorriFoto: Divulgação

NO MESMO DIA EM QUE UMA MULTIDÃO TENTA, OUTRA VEZ, OCUPAR WALL STREET, EM PROTESTO CONTRA A CRISE FINANCEIRA, BRASIL TEM NOTA DE RISCO ELEVADA PELA AGÊNCIA STANDARD & POOR´S; ECONOMIA BRASILEIRA SE CONSOLIDA COMO MODELO DE SUPERAÇÃO

Por Agência Estado

247 – O Brasil descolou. A agência de classificação de risco Standard & Poor’s Ratings Services informou nesta quinta-feira 17 que elevou a classificação de risco soberano de longo prazo do Brasil de BBB- para BBB. A agência também reafirmou os ratings de curto prazo para país de A-3 para moeda estrangeira e A-2 para amoeda local. A perspectiva do país é estável. Com os avanços , o Brasil mantém o chamado “grau de investimento”, conquistado em abril de 2008.

A elevação da nota para a economia brasileira se dá num momento de recrudescimento da crise internacional. Em agosto deste ano, a S&P já havia elevado a perspectiva da nota soberana do País em moeda local de estável para positiva. Igualmente informou que os fatores macroeconômicos brasileiros garantem a estabilidade do País nos próximos anos. A nova elevação de nota, feita hoje, aumenta o potencial de atração de investimentos estrangeiros para o Brasil.


Do lado do povo

18/11/2011

LULA CARECA, FHC CABELUDO

ENTRE ELES, QUEM ENFRENTOU MELHOR O LEÃO DA CRISE INTERNACIONAL?

Na reportagem, mais de meia dúzia de vezes entrevistei Fernando Henrique Cardoso. Aqui, no dia de seus 80 anos, elogiei sua prática democrática – e me chamaram de fernandista…

Lula conheço desde Vila Euclides, no final dos anos 70, quando ele brincava com seus parceiros distribuindo beliscões nas partes baixas, comandando a massa como se fosse um igual que sabia, por isso mesmo, ser o líder. Escrevi ontem, em texto que virou manchete do 247, que, ao ficar careca, Lula criou um fato político capaz de mudar o curso da sucessão presidencial de 2014. Um leitor, ao menos, cravou que eu sou lulista…

Meu registro profissional no Ministério do Trabalho tem o número 15.077. Não sou nada do FH nem do Lula. Sou jornalista. Que procura falar com o maior número possível de fontes. Entre elas, esses dois personagens (Lula também me recebeu com exclusividade mais de uma vez).

Lembrando do que eles disseram a mim, do que se pode somar pelo posicionamento deles que leio ao longo dos anos pela imprensa, do que sabemos todos sobre o que pensam, de que modo agem, como conduziram o País, me ocorreu comparar como ambos enfrentaram a crise econômica externa. Como eles são diferentes!

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O golpismo da mão invisível da imprensa

15/11/2011

Correio do Brasil por Gilson Caroni Filho

O reino dos céus, de acordo com a tradição cristã, será dos homens de boa fé. A eles já pertencem, na sua íntegra, os conteúdos noticiosos do dispositivo midiático nativo. No momento em que a Comissão Européia prevê um forte freio na atividade econômica em 2012 e não descarta a hipótese de uma longa e profunda recessão, editoriais e os conhecidos representantes do jornalismo de mercado pregam como “medidas de cautela contra o contágio” a mesma agenda que quase nos levou ao colapso nos oito anos do consórcio demotucano.

Fingindo ignorar que se rompeu uma coisa que já estava rompida, homens e mulheres de “boa fé,” de prestigiosas redações, voltam a aplicar a estratégia do terrorismo econômico, na expectativa de gerar uma profecia que se auto-cumpre. Enquanto o Banco Central, acertadamente, revê medidas de restrição ao crédito, depois de ter iniciado a redução das taxas de juro em agosto, os oráculos da grande imprensa sonham em ver reinstalada a política fundamentalista que, de 1994 a 2002, implementou radical mecanismo de decadência auto-sustentada, marcada por crescentes dívidas e desemprego, e anemia da atividade econômica.

O Brasil ideal seria aquele com juros elevados, maior dificuldade de financiamento, menor mercado para exportações e a volta a negociações duras com bancos e organismos multilaterais. A nostalgia cega qualquer possibilidade de análise séria. Se a liberdade de imprensa é tanto mais ampla quanto maior for a responsabilidade ética dos que a fazem diariamente, podemos afirmar, ancorados em um razoável número de citações jornalísticas, que só a regulamentação da mídia pode salvar a esfera pública por ela ameaçada.

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Os reflexos da indignação

18/10/2011

Do JB

publicado também no Conversa Afiada de Paulo Henrique Amorim


por Mauro Santayana

A direita mundial se articula para depreciar as manifestações do último sábado. É certo que elas foram menos expressivas nos países emergentes e nos mais pobres. Até mesmo para pensar e agir, é preciso comer antes. A maioria dos povos africanos, acossados pela fome, pelas endemias e pelos genocídios periódicos,  não têm como sair às ruas.  Nos países emergentes, em que as receitas neoliberais são contestadas, o crescimento  econômico alimenta a esperança.

O caso brasileiro é exemplar:  em momento de expansão da economia,  o sistema financeiro está controlado pela supremacia do setor estatal, graças às instituições que escaparam da sanha privatizadora, como o BNDES,o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A luta contra a corrupção, que continua  atual e necessária, não conseguiu tampouco levar as multidões que vimos nas ruas, durante a campanha das diretas e no processo popular contra Collor, porque a cidadania teme a sua utilização contra a presidente Dilma Roussef. Há a percepção de  que ela se confronta com dificuldades  conhecidas e atua, dentro de seu limitado espaço de poder, para moralizar a administração e os costumes políticos e defender os interesses brasileiros no mundo.

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