Buffet farto, orquestra afinada e pista vazia

31/08/2012

 

Por Saul Leblon no site Carta Maior

Há certo gosto de decepção no ar. O conservadorismo que durante meses, anos, cultivou o julgamento do chamado mensalão como uma espécie de terceiro turno sanitário, capaz de redimir revezes acumulados desde 2002 no ambiente hostil do voto, de repente percebe-se algo solitário na festa feita para arrebanhar multidões.

Como assim se os melhores buffets da praça foram contratados; a orquestra ensaiou cinco anos a fio e o repertório foi escolhido a dedo?

Por que então a pista está vazia?

Pouca dúvida pode haver, estamos diante de um evento de coordenação profissional.

O timing político coincide exatamente com o calendário eleitoral de 2012; a similitude e a precedência comprovadas do PSDB na mesma e disseminada prática de caixa 2 de campanha –nem por isso virtuosa–, e que ora distingue e demoniza o PT nas manchetes e sentenças, foi enterrada no silêncio obsequioso da mídia.

Celebridades togadas não sonegam seu caudaloso verbo à tarefa de singularizar o que é idêntico.Tudo caminha dentro do figurino previsto, costurado com o afinco das superproduções, o que falta então?

Apenas o essencial: a alegria do povo.

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Decisão judicial revive escândalo do Banestado e respinga em Serra

31/08/2012

 

Correio do Brasil

A Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça e o Departamento Internacional da Advocacia-Geral da União confirmaram, na manhã desta quinta-feira, uma decisão judicial na Corte Distrital de Nova Iorque que  garante a repatriação de valores depositados em conta bancária usada para o envio ilegal de recursos para o exterior no caso Banestado. O valor a ser restituído ao Brasil é de U$ 1,080 milhão (cerca de R$ 2,2 milhões). As investigações tiveram origem no escândalo do Banestado, ainda em 2003, no qual estavam envolvidos políticos tucanos e do DEM, entre eles o candidato a prefeito de São Paulo José Serra e o ex-senador Jorge Bornhausen (antigo PFL).

Em 2005, os recursos foram bloqueados nos Estados Unidos em decorrência de um pedido de cooperação jurídica internacional feito pelo governo brasileiro. Em 2010, o bloqueio caiu e a quantia foi transferida para o governo dos EUA, que ajuizou ação judicial – denominada interpleader action – a fim de determinar a quem caberia o montante. O pedido foi apresentado pelo Brasil no decorrer desta ação. O livro Privataria Tucana, que acabou se tornando um best seller, do jornalista Amaury Jr., traz detalhes sobre o caso.

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Memória do paulistano afunda Serra

30/08/2012

Por Ricardo Kotscho no Balaio do Kotscho

jose serra Memória do paulistano afunda Serra

Dizem que brasileiro não tem memória, mas não parece ser esse o caso dos eleitores paulistanos. É justamente por não ter esquecido a falta de palavra de José Serra, ao abandonar o cargo de prefeito para o qual foi eleito em 2004, apenas 15 meses depois da posse, deixando  Gilberto Kassab em seu lugar, que a cada pesquisa o candidato tucano mais se afunda nas pesquisas e vê subir os seus índices de rejeição.

Sempre sonhando com postos mais altos, Serra achou muito pouco ser prefeito de São Paulo e agora colhe os resultados do seu desprezo pela cidade. Só isso pode explicar os números da pesquisa Datafolha divulgada na noite desta quarta-feira, que foi arrasadora para o eterno candidato do PSDB e da mídia grande.

russomanno Memória do paulistano afunda Serra

Na primeira semana de programas eleitorais na televisão, Serra caiu mais 5 pontos, batendo em 22%, agora 9 pontos atrás do líder Celso Russomanno, do PRB, que manteve os mesmos 31% da pesquisa anterior.

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Entrada de Marta na campanha de Haddad pode ser a última bóia de salvação de Serra

29/08/2012

 Blog do Mello

A campanha de Serra vem se desintegrando sozinha, desde que o tucano se lançou candidato à prefeitura de São Paulo. A única coisa que cresce é a rejeição a seu nome, não só pelo desgaste do material, mas também porque o paulistano sabe que ele é o culpado de Kassab estar à frente da prefeitura.

As pesquisas mostram que a administração Kassab é reprovada (ruim/péssima) por 43% dos paulistanos e 80% deles querem mudança. E que eles sabem que Kassab é Serra e Serra é Kassab.

Informações recentes do tracking das duas campanhas (PT e PSDB) já colocam Serra com em torno de 20% de votos, mostrando uma queda vertiginosa rumo ao fundo do poço.

A campanha de Haddad na TV é avassaladora. Mostra em imagem, som e edição primorosos uma candidatura dinâmica, arrojada, disposta a trabalhar. Uma candidatura com tesão.

Já Serra parece cansado, com um sorriso falso colado à boca, repetindo a mesma ladainha da Mooca, o mesmo trololó, um ranço de passado.
Campanha política é uma guerra de pautas. Não há dúvida de que a campanha de Haddad está impondo a sua, o que coloca a campanha de Serra na defensiva, no contra-ataque.

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jn poupa Cerra e ataca Dilma

28/08/2012

Conversa Afiada

O PiG (*) investiga, julga e condena.

Do depoimento do Pagot – clique aqui para ler “Pagot e Paulo Preto”, uma temeridade, o jornal nacional desta terça-feira extraiu o que acertava no centro do Governo Dilma – e poupou Cerra.
O jornal nacional omitiu a referência ao Paulo Preto, cujo depoimento na CPI do Robert(o) Civita ameaça ser trepidante.
E chamou a atenção para o fato de um tesoureiro do PT procurar Pagot para conseguir dinheiro – legal – com empreiteiros para a campanha de Dilma à Presidência.
As doações foram legais.
Mas, isso não é coisa que se faça, não é isso, amigo navegante ?
Ainda que tenha sido tudo Caixa Um.
Caixa Dois é o tema subjacente ao julgamento o mensalão (por enquanto, o petista).
Não é isso o que está em jogo, aqui.
O que está em jogo é que o jornal nacional não perde o alvo: a Dilma.
Ou melhor, o alvo e, foi e será qualquer presidente trabalhista, no Brasil ou no mundo.
Seja lá o que for, o jornal nacional poupará a cambaleante oposição e subirá a rampa para destituir Dilma.
Não adianta a Presidente construir uma imagem de eficiente gestora de recursos públicos, de reputação inatacável e atender às demandas do eleitor que a consagra em pesquisas de avaliação.
Nada disso importa.
Jango foi deposto no auge da popularidade.
O Gushiken não roubou e foi parar no mensalão.
O Humberto Costa não pecou e foi parar no escândalo dos sangue-sugas.
(E as ambulâncias super-faturadas continuam a rolar em São Paulo.)
Não interessa o que se fez ou não se fez.
O PiG (*) investiga, julga e condena.
Como no Paraguai.
Que não tem Ley de Medios.
Em tempo: se o PIG condenar o Dirceu, no dia seguinte sobe a rampa do Palácio.
Paulo Henrique Amorim


Fala FHC: O que seria do Brasil em mãos tucanas?

28/08/2012

Por Saul Leblon no site Carta Maior

Um grande banco de São Paulo reuniu nesta 3ª feira três vigas chamuscadas do incêndio neoliberal que ainda arde no planeta: Clinton, Blair e FHC. Que um banco tenha promovido um megaevento com esses personagens  a essa altura do rescaldo diz o  bastante sobre a natureza do setor e da ingenuidade dos que acreditam em cooptar o seu ‘empenho’ na travessia para um novo modelo de desenvolvimento. Passemos.

As verdades  às vezes escapam das bocas mais inesperadas. Clinton e Blair jogaram a toalha no sarau anacrônico do dinheiro com seus porta-vozes. Coube ao ex-presidente norte-americano sintetizar um reconhecimento explícito: ‘Olhando de fora, o Brasil está muito bem. Se tivesse que apostar num país, seria o Brasil’.  Isso, repita-se, vindo de um ex-presidente gringo que consolidou a marcha da insensatez  financeira em 1999, com a revogação  da lei de Glass-Steagall.

Promulgada por Roosevelt, em junho de 1933, apenas três meses depois da Lei de Emergência Bancária, destinava-se a enquadrar o dinheiro sem lei, cujas estripulias conduziram o mundo à Depressão de 29.  A legislação revogada por Clinton submetia os bancos ao rígido poder regulador do Estado. Legitimado pela crise, Roosevelt  rebaixou os banqueiros  à condição de concessionários de um serviço sagrado de interesse público: o fornecimento de crédito e o financiamento da produção.

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Notícias de agosto: de Vargas ao Mensalão

27/08/2012

 

Por Saul Leblon no site Carta Maior

 

Há 58 anos, naquele 24 de agosto de 1954, quando Getúlio Vargas cometeu o suicídio político mais inteligente da história, um único veículo de informação pode circular pacificamente na cidade do Rio de Janeiro, então a capital de uma República em transe: o jornal Última Hora, de Samuel Wainer.

Os demais conheceram a fúria da multidão que trouxe a dor para a rua e extravazou um ressentimento que guardava no fundo do peito. E dele talvez nem tivesse consciência, até aquele momento.

Consternado com a notícia do suicídio que ecoava pelas rádios, o povo carioca perseguiu e escorraçou porta-vozes da oposição virulenta ao Presidente. A experiência da tragédia abalou o cimento da resignação cotidiana e a multidão elegeu seu alvo: cercou e depredou a sede da rádio Globo que saiu do ar.

A radiofonia concentrava então um poder e abrangência equivalentes ou superiores aos da televisão nos dias atuais. A emissora do jovem udenista Roberto Marinho cumpria o mesmo papel de âncora do diretório midiático que hoje desempenha o Jornal Nacional da mesma cepa.

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