CPI ou não CPI? A cada escolha o seu preço

18/04/2012

Por Saul Leblon no site Carta Maior

A mídia demotucana destacou batalhões para escarafunchar possíveis vínculos entre a construtora Delta (mostrada como uma espécie de caixa de compensação do esquema Cachoeira), obras do PAC e eventuais doações a políticos e campanhas do PT. A investigação é legítima. Mas a ênfase exclusiva denuncia a intenção do dispositivo midiático conservador. Trata-se de acuar o governo Dilma com uma barragem de denúncias, suspeição e incerteza e, ao mesmo tempo, produzir um efeito atordoante na opinião pública.

O bombardeio diário, articulado e complementar tece a narrativa de um folhetim. Manejado por autores experientes na arte de ocultar e confundir o público, desta vez persegue um objetivo hercúleo: ofuscar o consórcio de carne e osso que liga o esquema Cachoeira à oposição mas, sobretudo, eclipsar a preciosa singularidade deste caso –o papel explícito do braço midiático como lubrificante na engrenagem criminosa; mediador sem o qual a ação dos interesses que fazem faz gato e sapato da democracia brasileira não vingaria.

A contundência da autodefesa estampada nos jornais empresta veracidade a rumores. Além da revista Veja e da editora Abril, entaladas até o pescoço nas águas da cachoeira, conforme evidências vazadas das escutas policiais, circulam nas redações outros nomes de prestígio do jornalismo que estariam engolfados até o nariz na lama revolvida pela PF. Interessaria a esses supostos personagens –e ao círculo endogâmico que tombaria ao seu redor– a operação de guerra em curso para cauterizar todos os elos e ramificações fatais do caso. Assim está sendo feito.

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