Policarpo & Gurgel: ruídos na sinfonia dos contentes

21/11/2012

Por Saul Leblon no site Carta Maior

O indiciamento do diretor de Veja em Brasília, Policarpo Jr., e o pedido de investigação contra o procurador-geral,  Roberto Gurgel, incluídos no relatório da CPI do Cachoeira, forçam a tampa de um bueiro capaz de revelar detritos omitidos na narrativa conservadora da Ação Penal 470. As linhas de passagem entre um caso e outro foram represadas na pauta da conveniência. Os processos são distintos, mas os personagens se repetem.

A sucursal de Veja em Brasília adicionou ao moderno arsenal da Editora Abril a subcontratação de serviços na modalidade just in time à quadrilha Cachoeira (leia reportagem de Najla Passos, nesta pág).
Trata-se de um exemplo de coerência de quem não poupa tinta e papel no elogio às reformas e ferramentas do repertório neoliberal.

O downsinzing é uma delas. Veste de inglês o velho ‘facão’ ao enxugar equipes, subcontratando  serviços de  terceiros com reconhecida competência no ramo.
Policarpo Jr. notabilizou-se na fusão entre teoria e prática.

Estabeleceu-se entre os dois chefes de equipe, o da quadrilha –condenado a cinco anos em regime semi-aberto, mas já livre; e o de Veja, protegido pelos pares de prática e fé,  uma sinergia de interesse assumidos em operações casadas.
O ex-araponga do SNI, o ubíquo Dadá, braço direito de Cachoeira, gerava ‘provas’ capazes de emprestar aromas de veracidade  às pautas demandadas por Apolinário.  Na recíproca,  o esquema Cachoeira era brindado nas páginas da semanal com acepipes de interesse do bicheiro.

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STF dividido valoriza o voto de Peluso

16/08/2012

Por Ricardo Kotscho no Balaio do Kotscho

cezar peluzo abr STF dividido valoriza o voto de Peluso

Por que é tão importante o voto do ministro Cezar Peluso, que se aposenta no final do mês, em meio ao julgamento do processo do mensalão?

O voto de Puluso está valorizado pelo simples e bom motivo de que o STF parece rachado ao meio depois de quase 50 horas de julgamento, e um voto pode definir a condenação ou a absolvição dos 37 réus que restaram.

E o voto de Cezar Peluso, segundo toda a grande mídia, é dado mais do que certo pela condenação, se possível à pena máxima, dos principais acusados.

A divisão do tribunal fica mais evidente a cada intervenção dos ministros, como aconteceu nesta quarta-feira, durante a  discussão das preliminares do voto do relator Joaquim Barbosa, outro que também deve pedir a condenação de pelo menos boa parte dos réus.

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Elites do Brasil enriqueceram com paraísos fiscais, diz relatório

23/07/2012

 

Correio do Brasil

Um estudo inédito, que, pela primeira vez, chegou a valores depositados nas chamadas contas offshore sobre as quais as autoridades tributárias dos países não têm como cobrar impostos, mostra que os super-ricos brasileiros somaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão) em paraísos fiscais. Trata-se da quarta maior quantia do mundo depositada nesta modalidade de conta bancária.

Paraíso fiscal

O documento The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network, cruzou dados do Banco de Compensações Internacionais, do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e de governos nacionais para chegar a valores considerados pelo autor.

O relatório destaca o impacto sobre as economias dos 139 países mais desenvolvidos da movimentação de dinheiro enviado a paraísos fiscais. Henry estima que, desde os anos 1970 até 2010, os cidadãos mais ricos desses 139 países aumentaram de US$ $ 7,3 trilhões para US$ 9,3 trilhões a “riqueza offshore não registrada” para fins de tributação.

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Por que a “ética” pregada para Toffoli não vale para Gilmar?

19/07/2012

Por Eduardo Guimarães no Blog da Cidadania 

 

Vem aí mais um “campeão de audiência” da mídia, a intimidação do juiz do Supremo Tribunal Federal José Antônio Dias Toffoli. A artilharia prevista pretende fazê-lo desistir de decisão que, segundo a mesma mídia, teria dito a amigos que já tomou. Qual seja, a de participar do julgamento do mensalão, “espetáculo” midiático que vai ao ar no próximo dia 2. Assistamos, assim, ao trailer dessa nova novela política que alguns insistem em chamar de “jornalismo opinativo”.

A tática é muito simples: em vez de dizer que acha que Toffoli não deveria deliberar sobre o destino dos 38 acusados de integrarem um suposto esquema de compra de votos de parlamentares pelo governo Lula, a mídia coloca resposta dele a pergunta que ninguém, além de ela mesma, fez. Detalhe: entre os acusados de terem sido pagos para votar a favor do governo na Câmara dos Deputados, estão lideranças do partido desse governo naquela Casa (!?).

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Os bandidos e a política

15/07/2012

A criminalidade se exerce em todos os setores da sociedade, e um de seus objetivos é o controle ilegítimo das instituições do estado. A elas podem chegar, mediante a compra de votos e outros recursos, ou controlando alguns políticos mediante o suborno, a corrupção.

Por Mauro Santayana no site Carta Maior

Em um de seus melhores ensaios sobre Política e Criminalidade (Politik und Verbrechen), o pensador contemporâneo Hans Magnus Enzensberger, conta que Al Capone, em 1930, chegara a seu apogeu, sem que fosse incomodado pelas instituições do Estado. Ao contrário, eram notórias suas relações com os políticos, com a polícia e com os jornalistas, e todos cultivavam o seu poder e se nutriam de seu dinheiro.

Era um mito ou, como melhor explica Enzensberger, um paramito, criação dos tempos modernos, que não passam de uma miragem dos tempos realmente heróicos, nos quais os mitos nasceram. Os turistas pagavam para, de ônibus, percorrer os bairros em que a quadrilha de Scarface exercia, de fato, o poder de estado, sob o olhar indiferente dos moradores e de seus asseclas – da mesma forma que os visitantes, com a permissão dos narcotraficantes de hoje, passeiam pelas favelas cariocas.
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‘Violência do Estado é o ingrediente central da onda de assassinatos em SP’

15/07/2012

A criminalização da pobreza, o descaso com o sistema prisional, a conivência com a corrupção policial e o incentivo à violência da Polícia Militar são os pilares da política de extermínio que o Governo do Estado de São Paulo reproduz há décadas, avalia o advogado Rodolfo de Almeida Valente, assessor jurídico da Pastoral Carcerária. Leia e entrevista exclusiva.

Ana Paula Salviatti e Isabel Harari no site Carta Maior

Carta MaiorHá relação entre a onda de violência por que passa a cidade de São Paulo e a crescente população carcerária?
Rodolfo de Almeida Valente – São Paulo detém um terço da população prisional do Brasil, com cerca de 190 mil pessoas presas. São aproximadamente 450 pessoas presas por cem mil habitantes, o que coloca São Paulo como o nono estado que mais encarcera no mundo. Aqui, uma a cada 171 pessoas adultas está presa. Apenas nesse ano, temos média próxima a 3.000 pessoas presas a mais por mês no sistema prisional paulista. Essa população crescente é amontoada em um sistema prisional cada vez mais superlotado e degradante, onde campeiam as mais diversas violações de direitos. Nesse cenário, pode-se afirmar que a população carcerária está literalmente acuada. É preciso notar que as pessoas que povoam o sistema prisional são aquelas mesmas pessoas historicamente alijadas do exercício de direitos básicos nesse estado. São jovens, pobres e negras, geralmente oriundas das regiões periféricas. O sistema prisional está claramente voltado não ao combate da criminalidade, mas à neutralização daquelas pessoas que não interessam ao sistema de cidadania de consumo e de acumulação de riqueza capitaneado pelos poucos de sempre. Não apenas são neutralizadas, como também já são alvo de interesse da iniciativa privada, ávida por receber dinheiro público pela administração de presídios e, principalmente, por auferir grandes lucros com a exploração de mão-de-obra disciplinada e barata. Essa é a lógica material do sistema, apesar do discurso falacioso de combate à criminalidade e de ressocialização. Obviamente, essa manifesta política de encarceramento em massa dos pobres acaba por multiplicar sentimentos de revolta, de segregação e, por conseqüência, reproduz continuamente uma sociedade crescentemente desigual e violenta.

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Prisão de Juquinha causa alvoroço na CPMI do Cachoeira

06/07/2012

 

Do Correio do Brasil

Juquinha

José Francisco das Neves, o Juquinha, preso por suspeita de fraude e corrupção

 O cumprimento de mandados de prisão por parte da Polícia Federal, nesta quinta-feira, deixou autoridades e parlamentares em alerta. José Francisco das Neves, o Juquinha, como é conhecido o ex-presidente da Valec Engenharia, sua mulher e dois filhos foram detidos por suspeita de fraude, corrupção e formação de quadrilha. A Valec, empresa ligada ao Ministério dos Transportes, é responsável por projetos gigantescos, como a Ferrovia Norte-Sul, do Maranhão a Goiás, e o trem-bala.

Juquinha foi nomeado pelo presidente Lula e demitido na gestão Dilma, na época da demissão do ex-ministro Alfredo Nascimento. Na operação, além das prisões, foram lacradas três mansões no condomínio Alphaville, em Goiânia, avaliadas em R$ 10 milhões. O patrimônio de Juquinha, no entanto, engloba uma fortuna na qual estão incluídas as maiores fazendas do Estado de Goiás, contas bancárias e veículos.

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