Marconi Perillo, após denúncias, diz que vai auditar licitações de Cachoeira

 

Da Redação do  Correio do Brasil

Em um diálogo captado pela Polícia Federal com base nos grampos autorizados pela Justiça, o empresário Carlinhos Cachoeira revela que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), é dono de um avião Cessna, que custou R$ 4 milhões, em sociedade com dois empresários. A informação, divulgada nesta sexta-feira, complica ainda mais a vida do político tucano.
 
Perillo agora diz que o governo vai apresentar um relatório sobre a auditoria em 30 dias. Caso sejam constatadas irregularidades, a Delta terá 15 dias para se defender. O governador negou, também, qualquer relação entre as doações recebidas na campanha com as empresas investigadas.
– As doações feitas foram todas oficiais e legais – afirmou.

Na lista de beneficiários das empresas investigadas pela PF consta a Produtos Alimentícios Orlândia S/A, que doou R$ 13 mil para o deputado federal Ruben Otoni (PT). O parlamentar aparece em um vídeo conversando com Cachoeira sobre doações de campanha.

 Essas transações envolveram outros empresários locais, vários com negócios com o governo de Goiás. Um mês depois da eleição, o tucano recebeu R$ 400 mil de Valterci de Melo, diretor do Laboratório Teuto. Com sede em Anápolis (GO), terra de Cachoeira, a indústria farmacêutica é uma das maiores empresas do Estado.

Melo abasteceu a conta da Brava Construções e Terraplanagem, ligada à organização criminosa, com R$ 55,6 mil, ao lado da Delta e da Alberto e Pantoja, outra empresa de fachada. Segundo a PF, a Delta foi responsável por 98% dos créditos da Brava, que movimentou R$ 13,2 milhões entre 2010 e 2011. Cadastrada em um endereço no Núcleo Bandeirantes, no Entorno do DF, a Brava nunca funcionou no local.

Perillo também recebeu R$ 450 mil da Belcar Veículos. A doação foi feita dez dias depois de o governador ganhar as eleições. Segundo o Portal da Transparência do governo de Goiás, a Belcar recebeu R$ 1,4 milhão em 2011. Em 2010, a concessionária de carros recebeu apenas R$ 1,1 mil.

A Belcar aparece em uma das planilhas da PF como destinatária de R$ 16,5 mil da Mapa Construtora, do irmão de Carlinhos Cachoeira, Paulo Roberto de Almeida Ramos, e irrigada com recursos da Pantoja.

Segundo a PF, a empresa de Paulo Roberto movimentou R$ 1,6 milhão em 2010 e 2011. A Mapa também transferiu dinheiro para a Kasa Motors (R$ 80 mil). A empresa doou R$ 40 mil para o candidato ao governo Vanderlan Vieira Cardoso (PR).

CPMI de Cachoeira será presidida pelo senador Vital do Rêgo

O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) aceitou nesta sexta-feira o pedido para comandar a CPI Mista (Comissão Parlamentar de Inquérito) que vai investigar as ligações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários. A CPI Mista foi instalada na quinta-feira pelo Congresso Nacional.

Pelo regimento, a presidência da comissão cabe a um senador do PMDB, e a relatoria, a um deputado do PT, que são as maiores bancadas de cada Casa. Os dois cargos são os mais importantes da CPI.

O nome de Vital já havia sido anunciado pelo líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, na noite desta quinta. Vital é corregedor do Senado e relator da Lei Geral da Copa na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

— Eu não tinha como recusar. O PMDB veio a mim e pediu a minha colaboração. E aí, eu não posso me furtar a aceitar esse pedido do meu partido, disse Vital.

A CPMI contará com 16 deputados e 16 senadores e será instalada na próxima semana, provavelmente na terça-feira. São 15 membros de partidos maiores e um de legendas menores que, pelo tamanho das bancadas, não teriam vaga na comissão.

A escolha deles será feita de acordo com a proporcionalidade dos partidos nas duas Casas. Por terem as maiores bancadas, cabe ao PMDB no Senado indicar o presidente e o PT na Câmara indicar o relator, mas escolha ainda não foi concluída pelo partido.

Cachoeira e Demóstenes

O senador Demóstenes Torres (GO) subiu à tribuna, em 6 de março deste ano, para dar explicações sobre as denúncias de sua proximidade com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, descoberta pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que terminou em fevereiro, com a prisão de Cachoeira e de outras 34 pessoas.

Demóstenes disse que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido critérios legais. Dez dias depois, o jornal Folha de S.Paulo publicava um relatório do Ministério Público Federal (MPF) que indicava que o grupo comandado por Cachoeira entregou telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, que admitiu ter recebido o aparelho.

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