Um ano sem Lula:Lula e um canto de um herói

Do Blog Os Amigos Do Presidente Lula

 

Não são tantos os heróis assim, porque deixar um rastro profundo na alma de qualquer povo exige do pretendente, antes de tudo, que se torne o sal da terra. Ora, ser um daqueles caras que adubam o chão por onde passam é fazer o que tem que ser feito, quando tem de ser feito, independente das conseqüências, porque se assim não for “será jogado fora e pisado pelos homens.” Quem escreveu isso foi o apóstolo Mateus. “Cheguei à Presidência, disse Lula, para fazer as coisas que precisavam ser feitas e que muitos presidentes antes de mim foram covardes e não tiveram coragem de fazer.” (Folha de São Paulo, 30/10/2003). E assim se tornou o sal da terra.

O mesmo apóstolo lembra: “ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilhará para todos….” Talvez tenha sido assim com Lula, cintilou e estendeu seu brilho para todos e por todos os rincões deste país. Não demorou e a intensidade da chama alcançou os outros lados do planeta. Então passaram a lhe render homenagens…….

“Eu sou filho de uma mulher que nasceu analfabeta,” disse ele em 8 de março de 2004, no Dia Internacional da Mulher. E por conta desse falar estropiado, por ter nascido pobre, retirante, operário e líder sindical, por ter estudado quase nada e ter a língua presa, por cada uma de suas falas dar a impressão que a simplicidade destoava da sabedoria, por lhe faltar além do dedo a solenidade que se espera de um presidente a imprensa-empresa e parte considerável das elites médias e altas do Brasil nunca o perdoaram e assim optaram por fazer do absurdo um estilo com o qual consagraram um sistemático bombardeio difamatório – que se prolonga até os dias de hoje – ao governo daquele “sapo barbudo” que ousava exibir qualquer coisa de esfinge atrás de um rosto amável fora do tempo. Nunca o entenderam, tampouco o decifraram. Sequer perceberam aquele dom que ampliava a intensidade da sua luz: a paciência – como a de um camelo – que exaltava assim, o que escrevera Giacomo Leopardi: “é a mais heróica das virtudes, justamente por não ter nenhuma aparência de heroísmo.”

“Pobre do país que precisa de heróis para defender a dignidade”, pronunciou Lula em 29 de junho 2004, dessa vez na abertura da Conferência Nacional dos Direitos Humanos. “Nunca dantes na história deste país” alguém atropelou com tanta habilidade, graça e magia a língua portuguesa. E assim, com os olhos incandescentes e por vezes lacrimejantes de um sonhador, com sua personalidade avassaladora, barba de profeta e um coração benevolente iluminou um canto de amor à dignidade dos pobres deste país.

Certa vez falou aos jornalistas, sem se apequenar, o quanto era tamanho o peso de chumbo da sua educação. Se via cercado pela ditadura das palavras erradas e o quanto invejava a liberdade das palavras certas. “O governo tenta fazer o simples, porque o difícil é difícil”, pronunciou solene na 1ª Conferência Nacional do Esporte, em 17 de junho de 2004. Aos meus olhos isso é parte de um horizonte brilhante que muitos adorariam ter alcançado, desse universo de semelhanças que num instante o identificam com seu povo, muito maiores que as diferenças que poderiam separá-los, ainda mais quando adornado com a expressão de um orgulho ímpar com que celebra cada conquista de sua tenacidade, com a luz da poesia.

E é por causa dessa luz inebriada de paciência que ele exibe no rosto as marcas das vitórias e das perdas em oito anos de mandato e que, embora decorrido um ano, ainda teima em brilhar para todos, que a jornalista Zilda Ferreira, finalmente, poderá entender – doze meses depois de ter escrito -, “por que a multidão [em Brasília, 01 de janeiro de 2011] gritava ‘Lula, herói do povo brasileiro!’. Gritava também enquanto o ex-presidente passava a faixa presidencial…. Depois, quando descia a rampa… Nesse momento…, em que quebrou o protocolo, atravessou a rua e foi cumprimentar o povo, quase chorando.” Consagrou então seu canto de herói, entregou-o em lágrimas à multidão que o aclamava, ampliou como ninguém a chama de seu candeeiro e sem ornamento algum tornou pálida a arte dos governantes que o antecederam.

– “Cheguei à Presidência para fazer as coisas que precisavam ser feitas…” Taí…, um singelo canto de um herói.

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