A manjada psicologia de negação da conspiração

Do Blog da Cidadania por Eduardo Guimarães

Se ganhasse 1 real para cada vez que alguém chama de “teoria conspiratória” alguma análise que faço dizendo que as reiteradas matérias da mídia contra o ministério de Dilma e as tais “marchas contra corrupção” integram plano da direita de se preparar para montar o cavalo do golpe caso ele passe selado, ficaria rico.

Também enriqueceria se ganhasse até mesmo 50 centavos por cada vez que chamam de “teoria conspiratória” quando digo que se Dilma perde tantos ministros “por corrupção”, cedo ou tarde a direita se assanhará e passará a dizer – amparada pelos fatos, ainda que distorcidos – que a culpa seria de quem os nomeou.

A esta altura, porém, provavelmente todo mundo já sabe que o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), afirmou, nesta sexta-feira (25), que a chamada “faxina” do governo precisa atingir até a presidente Dilma Rousseff, pois, segundo ele, haveria um “conluio” para “roubar o Brasil”.

Isso ocorreu ao fim de uma semana em que blogueiros da direita midiática como Ricardo Noblat ou Augusto Nunes desandaram a chamar a presidente da República de “farsante” e outras gentilezas. E em tom ameaçador.

Palavras do senador do DEM de Goiás: “As denúncias são gravíssimas. Só em uma delas, há um prejuízo de R$ 700 milhões e foi feito por determinação da presidente. Tem de ser feita uma faxina para tirar presidente e não só ministro. Há um conluio para roubar o Brasil“.

Enquanto esse quadro vinha se desenhando, tomado até por certo espanto vi proliferar um outro tipo de discurso róseo sobre a realidade política: seria “bom” para Dilma deixar que seus ministros caiam um a um após cada campanha denuncista da mídia porque a imagem da presidente estaria sendo beneficiada pela tal “faxina”.

Por mais que eu brade que se o cavalo do golpe passar selado a mídia monta, sempre aparece alguém para afirmar que eu estaria sofrendo um processo de confusão mental que me estaria levando a ver fantasmas. E o que é pior: a impressão, até a penúltima queda de ministro, era a de que a própria presidente da República pensava igual.

Agora, tem-se a impressão de que não é mais assim. Mas que já foi, tenho poucas dúvidas. E nem se sabe se ainda não é…

Todavia, para que a direita midiática tente de verdade pôr na rua essa campanha pelo impeachment de Dilma, só falta uma coisa: a popularidade da presidente cair por conta de aumento do desemprego, por exemplo. E mesmo se a sua popularidade não cair, as sessões de economia dos jornais afirmam que a piora no emprego já começa a acontecer.

É óbvio que essas “análises econômicas” da mídia tucana se baseiam em dados ainda incertos e mais em torcida do que em fatos, mas já não dá para descartar a hipótese de que alguma perda real para os trabalhadores e para a sociedade em geral possa, sim, vir ocorrer nos próximos meses.

A grande incógnita é se essa provável redução da atividade econômica terá o condão de provocar queda tal na aprovação da presidente que estimule a direita a investir mais em seus delírios antidemocráticos. Todavia, não nos esqueçamos de que a mídia pode optar por tentar fazer a queda de popularidade acontecer juntando economia, denúncias e protestos de rua.

Sempre digo que o primeiro passo de toda conspiração é tentar caracterizar como “teoria conspiratória” qualquer suspeita de que tal conspiração esteja ocorrendo. Aliás, os estrategistas dão até nome a essa tática: Psicologia da Negação da Conspiração.

Chega a ser irracional que em um país como o Brasil alguém chame de mera “teoria conspiratória” a suspeita de que a direita esteja tendo uma recaída. Ainda mais em um momento geopolítico latino-americano em que forças como as que conspiram no Brasil andaram tentando – e, em certos casos, até conseguiram – derrubar governos de esquerda.

Finalmente, se alguém quiser saber a minha opinião sobre o que o governo Dilma e os seus aliados deveriam fazer em uma situação como essa, tal opinião é a de que a melhor defesa ainda é o ataque. Até porque, a direita midiática e golpista cobraria caro para aceitar um termo de rendição.

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