O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil?

por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira o início de um projeto de automatização da cobrança de pedágio nas estradas estaduais. Com o chamado “Ponto a Ponto”, as estradas terão tarifas por quilômetro rodado a partir de fevereiro. Segundo o governador Geraldo Alckmin (PDSB), a primeira estrada a ter o modelo implantado será a SP-075 (rodovia Santos Dumont), no trecho entre Itu e Campinas.

A medida havia sido anunciada em julho pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).

Alguns tucanos desinformados, ou agindo de má-fé, comentam na rede que a idéia é de gênio do governador Alckmin. Não é não.

Primeiro, o governador tucano deveria explicar um detalhe, incluído na coluna de Renata Lo Prete (da Folha): “A tentativa de produzir justiça tarifária, o sistema “free flow” fará com que mais usuários paguem para trafegar”. A expectativa já constava no aviso da Artesp, de julho. A tal “justiça” na cobrança virá acompanhada por mais pagadores, incluindo quem percorre pequenos trechos atualmente livres de tarifas.

Em segundo lugar, Alckmin copiou o que é feito há anos nos Estados Unidos e na Europa, mas com uma diferença essencial. Por lá, o pagamento da tarifa ocorre geralmente fora do eixo da rodovia. As cancelas estão instaladas nas entradas e saídas, de forma que o usuário pague exatamente o número de quilômetros que ele utilizou da rodovia privatizada.

Ele retira um tíquete ao acessar a rodovia e paga, ao sair, rigorosamente o número de quilômetros percorridos. Funciona como no estacionamento de um shopping: o usuário retira um ticket ao entrar com seu veículo e paga, na saída, pelo tempo que o seu veículo ficou estacionado.

Mas por lá, são pedagiadas vias construídas pela iniciativa privada, e não concedidas pelo Estado como ocorre aqui. Além disso, costuma haver estradas menores como alternativa a quem não quer pagar para viajar – embora o limite de velocidade seja menor e o traçado mais complicado do que nas pistas expressas.

Apenas para exercitar a nossa memória… O governador Geraldo Alckmin, falou durante campanha política para o governo de São Paulo em 2010, que iria “rever” o preço dos pedágios. Mas, alguém lhe perguntou se seria para maior, para menor ou que mais usuários paguem?

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