As duas síndromes antiquadas do PSDB


publicado no site vermelho.org

Em reunião da alta hierarquia tucana, o PSDB fala em “renovação” para superar a crise de identidade e reatar a interlocução com o país. Mas que ”renovação” é essa?

Por José Carlos Ruy

Em plena crise de identidade, o PSDB vive duas síndromes: a do partido ”chique” e outra de “tevê Globo” ao inverso. O partido “chique” é aquele que – bem à maneira de parte das elites brasileiras, inspira-se nos EUA e exprime-se em inglês. Na reunião ocorrida na segunda feira (dia 7) no Rio de Janeiro, o ex-presidente e cardeal tucano Fernando Henrique Cardoso propôs um novo (!) slogan para o partido: “Yes, we care” (Sim, nos preocupamos), uma cópia ridícula do “Yes, we can” (Sim, nós podemos) da campanha de Barack Obama em 2008.

A síndrome de “tevê Globo” ao inverso aparece na proposta de renovação que é um verdadeiro “não vale a pena ver de novo”: é o programa acenado naquele encontro em que tentam oferecer como novidade as velharias neoliberais tucanas. Eles falam em vontade de renovar mas o que apresentam é a retomada das privatizações e a abertura da economia para favorecendo as importações que prejudicam em detrimento da produção nacional. É a proposta de estado mínimo sob a roupagem de diminuição do número de ministérios (e vão cuidar como, privatizando os serviços que o governo presta?). Pérsio Arida fala em “baixar os juros” mas quer que o Banco Central aumente as taxas nos empréstimos feitos para fomentar o desenvolvimento – dá para entender essa lógica? Mas é por aí que eles vão.

Perdidos na atual conjuntura desfavorável para as idéias conservadoras e neoliberais, os tucanos olham para trás e a “novidade” que querem apresentar é… Fernando Henrique Cardoso que, por sua vez, inspira-se naquele que, em 2008, apresentou-se como novidade mas traiu seus apoiadores: Barack Obama.

O elitismo turva a visão e impede que os tucanos reconheçam que o país mudou nestes nove anos desde a eleição de Lula, e que a novidade mesmo é avançar neste rumo e consolidar as mudanças. E não falar em mudanças olhando pelo retrovisor e propondo a volta do neoliberalismo que os brasileiros já condenaram três vezes em eleições presidenciais – em 2002, em 2006 e em 2010.

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