O choro de Alencar Sete Cordas

 

Do sítio Luís Nassif Online

Da Agência Senado

O último choro do mestre Alencar 

[O violonista Alencar Sete Cordas durante apresentação alusiva aos 50 anos da Bossa Nova no auditório do Interlegis, no Senado, em 30 de outubro de 2008.]

Músico de formação popular, Alencar Sete Cordas começou a tocar em bailes aos 12 anos em Ipu (CE), sua cidade natal, ainda na década de 60. Ao se mudar para Brasília, em 1971, integrou-se à comunidade musical, especialmente aos grupos de choro.Em 1977, ajudou a fundar o Clube do Choro, casa na qual tocou de forma constante por 25 anos.

Durante sua carreira, apresentou-se com grandes nomes da música brasileira, como Cartola, Paulo Moura, Sílvio Caldas, Hermeto Paschoal, Sivuca, Dominguinhos, Odette Ernest Dias, Pernambuco do Pandeiro, Zé da Velha e Silvério Pontes.

Especializou-se no violão de sete cordas, instrumento que lhe rendeu o nome artístico. Além da notável habilidade como instrumentista e arranjador, Alencar destacou-se na atividade de professor, tendo formado diversas gerações de violonistas de seis e sete cordas.

Entre 1998 e 2003, o músico foi ainda um dos professores pioneiros da Escola Brasileira de Choro Rafael Rabello, vinculada ao Clube do Choro, juntamente com Hamilton de Holanda, Jorge Cardoso e Evandro Barcelos. Ali trabalhou pelo período de cinco anos, até abrir sua escola.

Nas aulas particulares e participações em cursos da Escola de Música de Brasília, utilizou método próprio, que batizou de árvores harmônicas. Essa solução mostrou-se bastante engenhosa na escolha dos acordes necessários ao acompanhamento das melodias instrumentais e canções.

Além de músico de shows e professor, Alencar foi presença constante na vida boêmia da cidade, tocando por divertimento em festas e bares. Era também um grande contador de histórias e ultimamente vinha ampliando sua atividade nas redes sociais da internet. Sua festa de 60 anos, realizada em junho, reuniu dezenas de amigos em restaurante da Asa Sul de Brasília. Naquela ocasião, o adjetivo que mais ouviu foi o de “mestre”.

Convidado pelo pianista Antonio Carlos Bigonha para o lançamento de um CD, na quarta-feira (14), só pode executar Carta a Niemeyer, do próprio Bigonha. Estava prevista, entre outras o choro Naquela Mesa, que Sérgio Bittencourt compôs especialmente para o pai, Jacob do Bandolim, cujos versos não deixam de rimar com a partida de Alencar: “Naquela mesa ‘tá faltando ele/E a saudade dele ‘tá doendo em mim”.

Nelson Oliveira / Agência Senado

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