Como é que Pedro Novais chegou a ser ministro?

Balaio do Kotscho, por Ricardo Kotscho

Pouco importa se o quinto ministro do governo Dilma Rousseff vai cair hoje, amanhã ou na semana que vem.

O que me pergunto é como um político provinciano, de carreira medíocre, absolutamente desconhecido até ser nomeado, embora veterano na Câmara Federal, chegou a ser Ministro do Turismo no Brasil.

Sabemos apenas que Pedro Novais, 81 anos, é do Maranhão, pertence ao PMDB de José Sarney e chegou ao ministério levado pelas mãos de Henrique Alves, o eterno líder do partido na Câmara, que há décadas maneja os cordéis do poder legislativo.

No momento em que escrevo, Novais já pode até ter sido saído ou pedido para sair do ministério. Que diferença isso vai fazer para os destinos do país? Alguém vai deixar de investir ou investir mais no Brasil, o dólar vai subir ou cair, a Bolsa será abalada?

Só ficamos sabendo da sua existência em dezembro, logo após a sua nomeação, quando foi denunciado pela imprensa por pagar as contas de uma festinha promovida num motel em São Luís com dinheiro público.

Não deveria, portanto, nem ter entrado. Devolveu o dinheiro, mas isso não impediu que virasse uma das 39 excelências da Esplanada dos Ministérios.

No mês passado, escapou da “faxina” que levou à prisão um bando homiziado no Ministério do Turismo, alegando que os “malfeitos” (êta palavrinha da moda…) eram de responsabilidade da administração anterior.

Esta semana, a “Folha” revelou que Novais tem o hábito de sustentar sua criadagem particular com dinheiro do Tesouro Nacional, que paga a governanta e o chofer da nobre família.

Como tantos outros homens ditos públicos, o ministro deve achar isso a coisa mais normal do mundo. A confusão entre público e particular é tamanha que ele é capaz de perguntar se o próprio PMDB está pedindo sua cabeça “só por uma bobagenzinha dessas”.

E não há perigo de melhorar. Os dois nomes cogitados entre os peemedebistas para o lugar de Novais são os de Geddel Vieira Lima, diretor da Caixa, e Moreira Franco, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, que a presidente Dilma relutou em aceitar na montagem do seu governo, mas são da confiança do vice presidente Michel Temer.

Em nome da governabilidade, ela ainda não teve uma semana de sossêgo com este ministério frankstein loteado entre os partidos aliados, onde o que menos importa é o prontuário e o currículo dos nomeados, mas apenas quantos votos eles garantem no Congresso.

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