Valeu, Painã

Eason Nascimento

Como amante da boa música instrumental saúdo a chegada do CD Samburá, do violonista Cainã Cavalcante. Neste que é  seu segundo álbum, ele homenageia o Centenário do Poeta Patativa do Assaré, seu padrinho de batismo.

Acompanhando Cainã um grupo de talentosos instrumentistas : Adelson Viana que se apresenta no piano, Denílson Lopes na bateria e no contra baixo,  Aroldo Araujo que também faz a direção artística e musical. Manassés de Sousa, João Lyra, Carlinhos Ferreira, Márcio Resende, Hoto Júnior, Lauro César e Paulinho do Pandeiro, reforçam a beleza das melodias com participações especiais.

Este trabalho, reflete o estágio de maturidade que o músico atingiu apesar da pouca idade.  Cainã, o menino prodígio, ingressa na vida adulta como violonista consagrado pelo talento e pela precocidade de sua arte. No repertório encontramos desde a bela composição Mariah, de autoria do próprio Cainã, até o resgate de Trem de Ferro de Lauro Maia e Flor do Algodão de Manassés e Fagner.

De João pra Pernambuco de João Lyra e Passando a Limpo do grande Carlinho Patriolino, também são composições de rara beleza. Se me pedissem para eleger a melhor faixa, eu responderia : pense numa missão difícil.

Poderia falar mais sobre Cainã, mas prefiro deixar este tema com quem o conhece como ninguém. Nada melhor que o criador para falar sobre a criatura. Fala Ronaldo.

Ronaldo Cavalcante

Sou, de pia, Ronaldo Cavalcante, artista plástico e compositor. De alcunha, Pai do Cainã, desde que, num show do Quinteto Violado, o pequeno “morador do mato”, malino, passou a bulir um violão esquecido ali no palco da Concha Acústica da UFC. Quando recebi o conselho premonitório do Marcelo Melo, violonista do grupo: “dê um violão pra esse menino que ele é músico”. Cumpri, mas aí é outra história….

Presente de Deus, fui escolhido pai biológico da criança prometida. Porém, achando a responsabilidade muito grande, dividi a tarefa com pais musicais: Tarcísio Sardinha, Manassés de Sousa, Aroldo Araújo, Yamandú Costa, Zezo Ribeiro, Rogério Jales e Patativa do Assaré, seu padrinho de batismo. E muitos outros mais, com quem Cainã, desde os nove anos de idade, divide os palcos por este mundo afora, ensinando e aprendendo.

Cainã formou sua personalidade musical nesse caldeirão, e, entre incentivos e quebrantos, fez-se artista maduro e talentoso, acalentado pela profecia do guitarrista João Castilho: “Cainã, ser músico é ter 50% de talento e 50% de caráter; parabéns pela maturidade e que Deus te ilumine”.

Pois este cedê instrumental, SAMBURÁ, reflete momentos da vida (entre treze e catorze anos) de Cainã Cavalcante, “solo, mas muito bem acompanhado”. Balaio bem urdido, contém sua composição inaugural: a faixa “Mariah” – início de uma trajetória artística, desafio primeiro da sua universalidade musical.

E, paizão coruja que continuo sendo, convido-lhes a degustar com prazer o restante desta pescaria, para que eu ouça, na surdina, a voz do Raimundão repetir : “Valeu Painã!”

One Response to Valeu, Painã

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Mayara Mesquita and Mayara Mesquita, Cainã Cavalcante. Cainã Cavalcante said: mais coisas boas,matéria que saiu sobre o "Samburá" em um blog de pernambuco, https://easonfn.wordpress.com/2010/07/28/valeu-paina/ – Leiam! […]

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